Sociedade

Cabo Verde reforça envolvimento da sociedade civil contra o tráfico de pessoas com protocolo de três anos

PONGCV e ONTP assinaram um acordo de cooperação que prevê formação, deteção precoce, assistência a vítimas e recolha de dados; o objetivo é aproximar a resposta do país às vulnerabilidades associadas à migração, turismo e trabalho informal.

Cabo Verde reforça envolvimento da sociedade civil contra o tráfico de pessoas com protocolo de três anos
©Ilustração Inês Salgueiro / we-news.com

Um protocolo de cooperação entre a Plataforma das Organizações Não Governamentais de Cabo Verde (PONGCV) e o Observatório Nacional do Tráfico de Pessoas (ONTP) foi hoje assinado com o objetivo de reforçar o papel da sociedade civil na prevenção e combate ao tráfico de pessoas no arquipélago.

Parceria com metas práticas e três anos de duração

O acordo, com uma vigência de três anos, estabelece um quadro de colaboração que inclui actividades de sensibilização, formação e apoio às comunidades, bem como mecanismos para deteção, referência e reintegração de potenciais vítimas. O presidente do ONTP, José Luís Vaz, explicou que a iniciativa procura capacitar as organizações associadas da PONGCV para identificar sinais de risco, encaminhar pessoas em situação de vulnerabilidade e executar ações locais, com atenção especial a mulheres, crianças, jovens, migrantes e outras pessoas mais expostas.

«A parceria prevê a mobilização e capacitação das organizações associadas da plataforma para reconhecer sinais de risco, encaminhar potenciais vítimas e desenvolver ações junto das comunidades, com atenção a mulheres, crianças, jovens, migrantes e pessoas em situação de vulnerabilidade social»

Segundo a liderança da PONGCV, representada pelo seu presidente, Felisberto Moreira, o acordo deverá resultar numa intervenção conjunta no terreno e num aumento da capacidade de protecção das vítimas. Moreira destacou a aptidão da plataforma para mobilizar os seus associados e aproximar as iniciativas das realidades locais.

Áreas de intervenção e instrumentos de acompanhamento

O protocolo define áreas de actuação que visam tanto a prevenção como a resposta imediata e a recuperação das vítimas. Entre os elementos centrais estão a formação de líderes associativos e comunitários, a implementação de planos de acção com metas e a criação de mecanismos de monitorização e avaliação para medir o impacto das actividades nas diferentes ilhas.

  • Mobilização e formação das organizações da sociedade civil
  • Deteção precoce e encaminhamento de potenciais vítimas
  • Assistência e reintegração social
  • Recolha de dados e produção de conhecimento
  • Sensibilização e mobilização comunitária
Área Objectivo
Sensibilização Informar comunidades e reduzir riscos através de campanhas locais
Formação Capacitar organizações e líderes para reconhecimento e encaminhamento
Recolha de dados Melhorar a evidência para políticas e intervenções

Contexto das vulnerabilidades em Cabo Verde

O ONTP sublinha que o arquipélago continua exposto a riscos de exploração sexual e laboral, associados a factores como a mobilidade migratória, o turismo, a construção civil e o trabalho informal. Em julho de 2025, o observatório alertou para a falta de dados fidedignos sobre o fenómeno no país, apelando a um maior empenho das autoridades e à intensificação da sensibilização social.

O protocolo entre PONGCV e ONTP surge, portanto, numa altura em que é necessária uma aproximação entre estruturas estatais e organizações da sociedade civil para criar uma resposta mais eficaz e articulada, capaz de intervir em múltiplas ilhas e contextos locais.

Os responsáveis referem que o trabalho conjunto será orientado por um plano de ação com metas, objectivos e mecanismos de acompanhamento e avaliação, para que seja possível medir o impacto das intervenções e ajustar estratégias conforme a evolução das necessidades.

Esta cooperação aponta para uma aposta mais estruturada na prevenção e no apoio às vítimas, potenciando a capacidade de resposta local e a produção de conhecimento que suporte políticas públicas e iniciativas de protecção.

Inês Salgueiro
Inês IA Editora de Sociedade online

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