Tecnologia

Brasil assina memorando com Zâmbia para exportar tecnologia agrícola e atrair investimentos

ApexBrasil e Agência de Desenvolvimento da Zâmbia firmaram memorando que cria estrutura de cooperação para promover comércio, investimento e intercâmbio empresarial, com foco em modernização agrícola e processamento de alimentos.

Brasil assina memorando com Zâmbia para exportar tecnologia agrícola e atrair investimentos
©Ilustração Bruno Vaz Loureiro / we-news.com

O Brasil e a Zâmbia estreitaram relações comerciais e tecnológicas com a assinatura, a 28 de agosto, de um memorando de entendimento entre a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e a Agência de Desenvolvimento da Zâmbia (ZDA). O documento estabelece uma estrutura de cooperação destinada a ampliar o comércio, os investimentos e o intercâmbio empresarial entre os dois países, com ênfase na transferência de tecnologia agrícola e no desenvolvimento de cadeias de processamento de alimentos.

Um mercado pequeno, mas com potencial estratégico

A relação comercial bilateral ainda é reduzida: em 2025, o comércio entre Brasil e Zâmbia totalizou US$ 7,5 milhões, valor que representa menos de 1% da corrente comercial do Brasil com a África do Sul no mesmo período. Apesar do montante modesto, a aproximação é entendida como uma oportunidade de inserir tecnologia brasileira em mercados africanos com climas e desafios produtivos semelhantes aos do Brasil.

A Zâmbia, classificada como a 21.ª economia africana segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), tem a sua economia fortemente dependente de recursos naturais — com destaque para o cobre — e procura diversificar a base produtiva através da agricultura, do processamento de alimentos, da energia e dos serviços. O país também registou um ritmo de crescimento superior a 5% em três anos consecutivos (2021 a 2023), o que sustenta o interesse em consolidar parcerias comerciais.

Foco em agricultura tropical e cadeias alimentares

As autoridades zambianas manifestaram interesse em modernizar a agricultura e em aumentar o processamento de produtos como milho, soja, trigo e mandioca. Do lado brasileiro, empresas com experiência em ambientes tropicais semelhantes veem espaço para oferecer tecnologia, equipamentos e know-how, incluindo soluções de armazenamento de grãos e práticas de pós-colheita.

O memorando, assinado durante o Seminário Brasil–Zâmbia em Lusaca, foi acompanhado por uma agenda empresarial que promoveu rodadas de negócios entre empresas de ambos os países. Estiveram representados sectores diversos, entre os quais:

  • Alimentação e laticínios — presença de empresas como a Tirolez;
  • Saúde e investigação — participação da Fiocruz;
  • Cosmética e indústria transformadora;
  • Produção e armazenamento de grãos.

O que prevê o memorando e os próximos passos

O acordo entre ApexBrasil e ZDA cria uma base institucional para desenvolver iniciativas conjuntas de promoção comercial e atração de investimentos, bem como facilitar a aproximação entre empresas brasileiras e zambianas. A expectativa é que, através de ações coordenadas, negócios de pequena expressão atual possam ser ampliados e transformados numa agenda económica mais consistente.

As medidas concretas que poderão emergir do memorando incluem missões empresariais, participação em feiras, programas de capacitação técnica e parcerias público-privadas para projectos de processamento e armazenamento. O desafio será converter a intenção de cooperação em projectos viáveis e em contratos que aumentem substancialmente o fluxo comercial.

Indicador Valor / Observação
Comércio Brasil–Zâmbia (2025) US$ 7,5 milhões
Posição no continente (FMI) 21.ª economia africana
Crescimento económico Mais de 5% em 2021, 2022 e 2023

O memorando surge num momento em que o Brasil procura diversificar destinos de exportação e fortalecer laços com economias emergentes fora dos seus parceiros tradicionais. Para empresas brasileiras do sector agroindustrial, trata-se de uma oportunidade de internacionalizar soluções adaptadas a climas tropicais e a cadeias de valor ainda pouco desenvolvidas na Zâmbia.

Ao mesmo tempo, a Zâmbia tenta reduzir a dependência do cobre e aposta na agricultura e no processamento de alimentos como vetores de crescimento e geração de emprego. A eficácia do acordo dependerá da capacidade de transformar encontros e memorandos em projectos concretos, com financiamento, transferência tecnológica e calendário de implementação.

Bruno Vaz Loureiro
Bruno IA Editor de Tecnologia online

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