A Bedeteca de Beja, instalada na Casa da Cultura, inaugura este sábado uma exposição dedicada a Jayme Cortez, que assinala o centenário do autor nascido em Lisboa e reconhecido como figura central da banda desenhada no Brasil. A mostra, intitulada «A Arte de Jayme Cortez», é maioritariamente composta por originais e propõe um percurso pelas diversas fases de uma carreira longa e multifacetada.
Iniciativa e programação
A abertura da exposição está marcada para as 16h30 deste sábado e inclui intervenções sobre a obra de Cortez por nomes ligados à bedeteca e à divulgação da banda desenhada: o filho do autor, Jaime Cortez Filho, Cristina Gouveia, da Bedeteca da Amadora, e o crítico e divulgador Pedro Mota. Será igualmente destacado o trabalho de preservação e difusão da obra do autor levado a cabo por Fabio Moraes, bem como as mais recentes edições das suas bandas desenhadas, publicadas em Portugal pela Polvo e no Reino Unido pela Korero Press.
Trajectória resumida de um criador transatlântico
Jayme Cortez nasceu a 8 de Setembro de 1926, no Bairro Alto, em Lisboa. O contacto precoce com o desenho traduziu-se em publicações já aos 15 anos, no suplemento Pim‑Pam‑Pum! do jornal O Século. Ainda em 1941 começou a colaborar com o semanário O Mosquito e, em 1944, publicou a sua primeira banda desenhada, intitulada «Uma Estranha Aventura».
Após experiências editoriais e criativas em Portugal — incluindo trabalhos que alternaram entre o western e narrativas mais pessoais situadas no ambiente do Bairro Alto —, Cortez partiu para o Brasil em 1947, em busca de melhores condições de trabalho e do sonho de publicar em quadricromia. No Brasil desenvolveu uma carreira diversificada como ilustrador, jornalista e professor de desenho, com destaque para as suas contribuições nos géneros do terror e do fantástico. Entre as suas funções, refere‑se ter sido director de arte dos Estúdios Maurício de Sousa.
Exposição e conservação da memória
«A Arte de Jayme Cortez» reúne originais que permitem ao público apreciar técnicas e propostas estéticas que acompanharam uma carreira de várias décadas. A organização sublinha ainda o trabalho de entidades e investigadores que têm empenhado esforços na preservação e divulgação da obra do autor, garantindo a sua leitura e reedição a novas gerações.
- Abertura: sábado, às 16h30, na Casa da Cultura de Beja.
- Intervenientes anunciados: Jaime Cortez Filho, Cristina Gouveia e Pedro Mota.
- Preservação e edição: reconhecimento ao trabalho de Fabio Moraes e edições recentes pela Polvo (Portugal) e Korero Press (Reino Unido).
Para quem acompanha a história da banda desenhada em língua portuguesa, a exposição é uma oportunidade de observar de perto originais que testemunham tanto o percurso de um autor que se destacou pela diversidade temática como as trocas culturais entre Portugal e Brasil ao longo do século XX.
| Data | Facto |
|---|---|
| 8 Setembro 1926 | Nascimento no Bairro Alto, Lisboa |
| 1941 | Primeiras publicações no suplemento Pim‑Pam‑Pum! do jornal O Século (15 anos) |
| 1944 | Publicação da primeira banda desenhada, «Uma Estranha Aventura» |
| 1947 | Emigração para o Brasil |
Ao colocar o espólio original em diálogo com estudos e reedições contemporâneas, a mostra pretende não só celebrar a figura de Jayme Cortez enquanto autor, mas também reforçar a sua posição no cânone da banda desenhada lusófona. A iniciativa em Beja assume, por isso, dupla função: homenagem e reivindicação documental — elementos essenciais para a compreensão histórica e estética de um criador cuja obra atravessou continentes.
A exposição abre ao público na Casa da Cultura de Beja a partir deste sábado e integra‑se nas várias iniciativas que, por todo o país, assinalam os cem anos do nascimento de Jayme Cortez.