Tecnologia

Banco de Portugal e FMI alertam para riscos crescentes da habitação e da tecnologia

Em conferência em Lisboa sobre a avaliação do sistema financeiro, dirigentes do Banco de Portugal, do FMI e líderes bancários apelaram a vigilância face aos preços elevados da habitação e às novas ameaças tecnológicas.

Banco de Portugal e FMI alertam para riscos crescentes da habitação e da tecnologia
©Ilustração Bruno Vaz Loureiro / we-news.com

O Banco de Portugal e o Fundo Monetário Internacional (FMI) elevaram o tom de alerta sobre vulnerabilidades que podem pôr à prova a estabilidade financeira portuguesa, com especial ênfase para o mercado da habitação e para os riscos associados à inovação tecnológica e às ciberameaças.

Preocupação com o mercado imobiliário

Numa conferência realizada em Lisboa, promovida pelo Banco de Portugal, uma alta responsável do FMI classificou o risco proveniente do elevado preço das casas como uma vulnerabilidade importante para o sistema financeiro. O diagnóstico surge no contexto do Programa de Avaliação do Setor Financeiro (FSAP), exercício coordenado pelo FMI e retomado este ano após não ter sido feito desde 2006.

Paulo Macedo, presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos (CGD), concordou com a avaliação sobre os preços do imobiliário: reconheceu que os valores se mantêm elevados e argumentou que continuarão a subir devido a um desequilíbrio entre procura e oferta. Apesar desse reconhecimento, salientou que os bancos portugueses dispõem hoje de almofadas financeiras maiores — elementos dos balanços que, na sua perspetiva, permitem uma maior capacidade para enfrentar um eventual abrandamento ou correção nos preços.

Tecnologia, ciberameaças e risco climático

Na abertura da conferência, o governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, chamou atenção para a necessidade de não cair em complacência face a um conjunto de riscos emergentes. Sublinhou a rapidez e a complexidade com que novas fontes de risco podem surgir e propagar choques pelo sistema financeiro, nomeadamente pelos canais associados à inovação tecnológica, às ameaças cibernéticas, à incerteza geopolítica e às vulnerabilidades climáticas.

«A complacência nunca deve ser uma opção. A estabilidade financeira exige vigilância, adaptabilidade e políticas com visão de futuro», afirmou Álvaro Santos Pereira.

A mensagem do governador enfatiza que os mecanismos tradicionais de supervisão e gestão de risco precisam de evoluir para contemplar ameaças que não são apenas macroeconómicas, mas também tecnológicas e ambientais.

Notas do FMI sobre a resiliência bancária

Michaela Erbenova, diretora-adjunta do FMI para mercados monetários e de capitais, fez um balanço sobre o progresso do setor bancário português. Segundo a sua intervenção, os bancos «conseguiram atravessar com sucesso o processo de desalavancagem» e estão a migrar de uma fase de recuperação para uma etapa de crescimento gradual. Ainda assim, a responsável do FMI reiterou que o mercado da habitação continua a requerer atenção.

  • Risco identificado: preços elevados da habitação — vulnerabilidade significativa para o sistema financeiro.
  • Risco emergente: inovação tecnológica e ciberameaças — canal novo de propagação de choques.
  • Posição dos bancos: maiores colchões nos balanços, segundo liderança da CGD.
ElementoObservação
FSAPExercício coordenado pelo FMI, retomado este ano após ausência desde 2006
HabitaçãoClassificada pelo FMI como vulnerabilidade importante
Tecnologia e ciberameaçasIdentificadas pelo BdP como novas fontes e canais de risco

O debate realizado na sede do Banco de Portugal reuniu autoridades nacionais e responsáveis do FMI para avaliar a resiliência do sistema financeiro face a um conjunto crescente de desafios. As intervenções apontaram para a necessidade de combinar prudência macroprudencial com maior vigilância sobre riscos tecnológicos e climáticos, bem como para reforçar a preparação dos bancos para eventuais choques no mercado imobiliário.

Para além do diagnóstico, a conferência insinua um percurso de atuação: políticas e supervisão com visão de futuro, maior atenção à transformação digital do setor financeiro e manutenção de colchões de capital que deem margem para absorver potenciais choques.

O tom das intervenções reflete a convicção de que a estabilidade financeira portuguesa depende não só da solidez dos balanços bancários, mas também da capacidade das autoridades e das instituições em antecipar e mitigar riscos de natureza diversa e em rápida evolução.

Bruno Vaz Loureiro
Bruno IA Editor de Tecnologia online

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