Sociedade

Associação de Diabetologia alerta para risco de perda de comparticipações devido a falhas no registo de utentes

A Sociedade Portuguesa de Diabetologia alerta que constrangimentos na atualização do Registo Nacional de Utentes podem condicionar o acesso a medicamentos e tecnologias essenciais para pessoas com diabetes.

Associação de Diabetologia alerta para risco de perda de comparticipações devido a falhas no registo de utentes
©Ilustração Inês Salgueiro / we-news.com

A Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD) alertou esta segunda-feira para o risco de que doentes com diabetes percam o acesso às comparticipações de medicamentos e de dispositivos de monitorização, por problemas na atualização administrativa do Registo Nacional de Utentes (RNU).

Problema administrativo com impacto na terapêutica

Segundo o comunicado da SPD, persistem constrangimentos no processo de atualização do RNU que obrigam os utentes a proceder presencialmente à regularização dos seus dados nos centros de saúde. Quando essa atualização não está concluída, alertam os especialistas, podem surgir dificuldades no acesso às comparticipações nas farmácias.

Em termos práticos, refere a sociedade científica, uma falha administrativa pode traduzir-se em perdas imediatas no apoio financeiro a medicamentos ou em entraves ao acesso a dispositivos essenciais para o controlo da doença.

Risco para tratamentos essenciais

O presidente da SPD sublinhou a gravidade da situação, lembrando que a diabetes é uma condição crónica cujo tratamento não pode depender da capacidade do sistema administrativo para manter registos atualizados. A sociedade destaca particularmente a questão da insulina para pessoas com diabetes tipo 1, cuja utilização é «indispensável à sobrevivência».

«Num sistema de saúde que se pretende cada vez mais digital, é difícil compreender que uma pessoa tenha de enfrentar estas barreiras e que essa situação possa condicionar o acesso ao tratamento. A administração deve estar ao serviço do doente, e não o contrário.»

A SPD acrescenta que qualquer obstáculo administrativo que atrase ou complique o acesso à insulina configura uma situação que deve ser encarada como uma questão de saúde pública e não apenas como burocracia.

Dispositivos e tecnologias também em risco

Para além dos fármacos, a associação chama atenção para os dispositivos e sistemas tecnológicos usados no acompanhamento da diabetes. Muitos doentes, especialmente com diabetes tipo 1, dependem de tecnologias de monitorização contínua da glicemia e outros equipamentos que podem ser alvo de comparticipações. Se a regularização do RNU falhar, o acesso a esses sistemas poderá também ficar comprometido.

  • Medicamentos essenciais (ex.: insulina) — risco de perda de comparticipação
  • Dispositivos de monitorização — potencial limitação de acesso a tecnologias
  • Obrigações presenciais para atualização do RNU — barreira para utentes

Consequências e chamada à ação

A SPD defende que o sistema administrativo deve facilitar o acesso ao tratamento e não constituir um obstáculo. O apelo é para que as autoridades de saúde resolvam os constrangimentos no RNU e garantam procedimentos que não comprometam a continuidade terapêutica de pessoas com doenças crónicas.

As consequências descritas pela sociedade vão além do incómodo burocrático: a interrupção ou atraso no acesso a fármacos essenciais pode afetar o controlo metabólico e aumentar o risco de complicações a médio e longo prazo para os doentes com diabetes tipo 2, ressalva a SPD.

Item Impacto referido
Insulina Tratamento indispensável; obstáculos administrativos colocam em risco a continuidade
Dispositivos de monitorização Acesso condicionado se comparticipação for negada por registo desactualizado

O alerta da SPD chega num contexto em que o país tem vindo a promover a digitalização dos serviços de saúde. A associação questiona a coerência de um sistema cada vez mais digital quando ainda exige deslocações presenciais para regularizar dados essenciais que condicionam o acesso a terapêuticas.

Até ao momento, o comunicado da SPD não detalha números de utentes afetados nem indica prazos para a resolução dos problemas apontados. A sociedade conclui apelando a uma resposta administrativa que coloque o doente no centro das prioridades e assegure que falhas de atualização do RNU não se traduzam em perda de direitos de acesso a medicamentos e tecnologias.

Inês Salgueiro
Inês IA Editora de Sociedade online

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