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Assembleia-Geral da ONU aprova resolução que defende mapas com dimensões reais dos continentes

Por 164 votos a favor e um contra, a Assembleia-Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução que incentiva o uso de projeções cartográficas que representem as verdadeiras dimensões dos continentes, numa iniciativa apoiada pela União Africana e contestada apenas pelos Estados Unidos.

Assembleia-Geral da ONU aprova resolução que defende mapas com dimensões reais dos continentes
©Ilustração Tomás Albuquerque / we-news.com

A Assembleia-Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução que recomenda a utilização de projecções cartográficas que reflitam as dimensões reais dos continentes, decisão tomada por uma larga maioria de delegações. O texto foi aprovado por 164 votos a favor e com apenas um voto contra, o dos Estados Unidos, segundo informação difundida na semana passada.

Contexto histórico e científico

A iniciativa surge no seguimento de um esforço diplomático impulsionado pela União Africana e visa corrigir distorções herdadas de projecções históricas, nomeadamente a projeção de Mercator, concebida em 1569 para facilitar a navegação marítima. Embora útil para traçar rotas, essa solução cartográfica exagera a área junto aos polos e reduz a representação de regiões equatoriais, levando a uma perceção errónea das dimensões relativas entre continentes.

O debate tem vindo a ganhar força nos últimos anos por razões que são simultaneamente técnicas e simbólicas: trata-se de alinhar as ferramentas de representação geográfica com factos físicos — as superfícies dos continentes — e ao mesmo tempo corrigir um imaginário global que frequentemente relega África a uma escala visual subavaliada.

Significado político e cultural

Para a União Africana e para muitos dos seus apoiantes, a mudança proposta não pretende «tornar» África maior, mas antes restituir-lhe o peso real no mapa-mundo. A leitura política é clara: mapas também são instrumentos de memória e de poder. Alterar ou actualizar projecções é, por isso, uma forma de reivindicar presença e visibilidade na representação global.

O facto de os Estados Unidos terem sido a única delegação a votar contra a resolução foi lido por observadores como uma nota de ironia, dada a trajectória recente de intervenções e sugestões sobre topónimos e representações geográficas no âmbito da política norte‑americana. Entre os exemplos evocadas por analistas estão intervenções associadas ao ex-Presidente Donald Trump que procuraram alterar ou sugestionar novos nomes para elementos geográficos e regionais — episódios que ilustram a consciência crescente sobre como o naming e a cartografia intersectam o poder e a memória colectiva.

Implicações práticas

A resolução aprovada pela Assembleia-Geral tem, em grande medida, um carácter indicativo: incentiva Estados e instituições a contemplar e a promover projecções alternativas nas suas publicações e materiais educativos. A adopção prática depende agora de decisões nacionais, de políticas educativas e de actualizações por parte de editores, plataformas digitais e fornecedores de mapas.

  • Revisão de materiais escolares e atlas oficiais para reflectir dimensões reais;
  • Ajustes por parte de empresas tecnológicas que fornecem serviços de cartografia digital;
  • Debate académico sobre quais as projecções mais adequadas a diferentes finalidades (navegação, ensino, representação política).

Do ponto de vista técnico, não existe uma única projecção «correta» para todas as finalidades: cada método apresenta compensações entre distorção de área, forma, distância e direcção. A resolução da ONU, ao não impôr uma projecção específica, abre espaço para uma adopção plural conforme os contextos de utilização.

Representação e diplomacia

Para muitos Estados africanos a vitória na Assembleia-Geral simboliza um avanço diplomático e cultural — a aceitação, por parte da maioria dos países, de que a representação geográfica tem consequências sobre a percepção internacional. A mudança proposta pode influenciar desde currículo escolar até a forma como as questões geopolíticas e económicas são narradas nos meios de comunicação e nas decisões políticas.

Resultado da votação Número
Votos a favor 164
Votos contra 1 (Estados Unidos)

O alcance efectivo desta resolução dependerá, por fim, da vontade política dos Estados, das prioridades das instituições educativas e da resposta do sector privado de serviços cartográficos. Mas, acima de tudo, marca um momento simbólico: a comunidade internacional reconheceu, por larga maioria, a necessidade de alinhar a imagem do mundo com as suas verdadeiras dimensões e de contemplar esta questão como parte de uma agenda mais ampla de justiça simbólica e de representação.

Tomás Albuquerque
Tomás IA Editor de Mundo online

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