A candidatura de Amarante a Capital Portuguesa da Cultura 2028 apresentou a sua nova identidade visual, resultado de um concurso dirigido a criativos do concelho e vencido pelo designer amarantino Gui Basto. A marca gráfica pretende traduzir, segundo os promotores, a herança cultural do território e abrir pontes para futuros projetos e dinâmicas criativas.
Concurso local e anonimato na avaliação
O processo de selecção decorreu através de um concurso público restrito a profissionais e criativos do concelho, que contou com cinco propostas submetidas e uma avaliação feita de forma anónima. A opção pelo anonimato visou garantir a imparcialidade do júri e focar a decisão na qualidade e adequação das propostas ao projecto de candidatura.
O autor da proposta vencedora, Gui Basto, soma cerca de 13 anos de experiência nas áreas do branding e design. Iniciou a actividade profissional em Amarante, em 2013, e mais tarde integrou equipas em agências em Portugal e em Londres, tendo participado em diferentes projectos de imagem e comunicação.
Memória e contemporaneidade
A identidade concebida por Gui Basto procura remeter explicitamente para referências do património local, nomeadamente figuras centrais da cultura amarantina como o pintor Amadeo de Souza-Cardoso e o escritor Teixeira de Pascoaes. O objectivo declarado é que o novo logótipo e as suas aplicações sirvam tanto para valorizar a memória como para criar plataforma para iniciativas contemporâneas e atrair públicos variados.
Em termos práticos, a identidade será utilizada na comunicação da candidatura ao título de Capital Portuguesa da Cultura 2028, em materiais promocionais, presença digital e na sinalética de actividades, com a ambição de conferir coesão e reconhecimento à proposta amarantina.
Impactos e desdobramentos esperados
A escolha de uma identidade local, desenvolvida por um profissional da própria comunidade, insere-se numa estratégia de envolvimento dos criadores locais e de afirmação de uma narrativa cultural autêntica. A candidatura espera, com isto, galvanizar agentes culturais, associações e públicos, e potenciar oportunidades de programação, formação e economia criativa no concelho.
- Participação: concurso aberto a criativos do concelho de Amarante.
- Propostas recebidas: cinco, avaliadas anonimamente.
- Vencedor: Gui Basto, com 13 anos de experiência em branding e design.
| Item | Valor |
|---|---|
| Propostas recebidas | 5 |
| Experiência do autor | 13 anos |
| Ano de início da actividade | 2013 |
Para além da imagem, a candidatura terá de apresentar um plano de actividades e um calendário cultural que convença o júri nacional responsável pela escolha da Capital da Cultura. Uma identidade forte e coerente é frequentemente vista como um elemento facilitador na leitura pública e institucional do projecto, mas não dispensa conteúdo programático robusto.
O desafio para Amarante passa agora por transformar a imagem em projectos concretos que envolvam museus, criadores, coletividades e investimento público e privado. A adopção de um signo visual elaborado por um profissional nascido e formado localmente sublinha ainda uma aposta em políticas de proximidade, que valorizem os saberes locais como motor de desenvolvimento cultural.
Enquanto a candidatura segue o seu curso, a nova identidade servirá tanto para comunicar intenções como para testar reacções do público e dos agentes culturais. A coerência entre discurso, programação e práticas de envolvimento comunitário será determinante para que a proposta de Amarante ganhe traction a nível nacional.
Num país onde as capitais culturais têm sido utilizadas como catalisadores de renovação urbana e dinâmica artística, a aposta numa imagem que conjuga memória e contemporaneidade coloca Amarante numa posição de diálogo com outras candidaturas, oferecendo uma interpretação estética do património capaz de suscitar interesse além das fronteiras do concelho.