Na noite de domingo (9), o primeiro debate entre os candidatos ao governo da Bahia, organizado e exibido pela TV Bandeirantes, teve como eixo central a segurança pública. Do total de seis concorrentes, apenas três estiveram presentes: ACM Neto (União Brasil), 47 anos, Jerônimo Rodrigues (PT), 61 anos, e Ronaldo Mansur (PSOL), 46 anos. O encontro, com duração aproximada de quase duas horas, foi dividido em três blocos e concentrou críticas, promessas e diferenciais de gestão.
Agenda e prioridades: pontos de convergência e divergência
A segurança se destacou tanto pelo volume de intervenções quanto pelas propostas apresentadas. Os candidatos trataram de temas como armamento, estrutura policial, equipamentos e investimentos em inteligência. Jerônimo buscou sustentar a continuidade de medidas adotadas em sua gestão, citando investimentos e melhorias nas condições de trabalho das forças de segurança.
"Tenho dado continuidade na melhoria das condições de trabalho dos profissionais. Estamos falando de novas armas, delegacias, pelotão, viaturas, investimento em inteligência..."
ACM Neto respondeu com tom crítico, afirmando que o atual governo não reconhece os problemas e reclamando de resultados. O candidato do União Brasil acusou a manutenção das políticas vigentes de resultar em aumento de violência, prometendo mudanças e atacando a narrativa de quem ocupa o Palácio.
Ronaldo Mansur, do PSOL, também ressaltou a necessidade de melhorias nas remunerações e condições de trabalho policiais e defendeu a implementação de concursos públicos e o uso de câmeras corporais como forma de proteção tanto para agentes quanto para cidadãos.
Contexto estatístico e repercussão
O tema ganhou força diante do cenário apresentado pelo mais recente Anuário da Segurança Pública, que coloca municípios baianos em posições preocupantes no ranking nacional de violência — segundo o levantamento citado pelos debatedores, a Bahia aparece com cinco cidades entre os dez municípios mais violentos. Esse dado foi usado para tensionar o debate e legitimar propostas de ação imediata.
Propostas principais citadas no debate
- Ampliação do efetivo policial e realização de concursos públicos;
- Reforço da inteligência e investimentos em tecnologia e viaturas;
- Ampliação do uso de câmeras corporais para policiais;
- Melhoria das condições de trabalho e valorização salarial das forças de segurança.
Cada candidato apresentou essas medidas com ênfases diferentes: Jerônimo ressaltou continuidade administrativa e estrutura, ACM Neto apostou na mudança de rumo para reduzir a violência e Mansur destacou direitos trabalhistas e instrumentos de controle.
Presenças e ausências
A emissora definiu critérios para a participação, o que resultou em apenas metade dos concorrentes no palco. A dinâmica das ausências também foi citada durante o debate, com referências a candidaturas que não compareceram — uma pauta que acabou alimentando cobranças entre os presentes.
| Candidato | Partido | Idade | Presença |
|---|---|---|---|
| ACM Neto | União Brasil | 47 | Presente |
| Jerônimo Rodrigues | PT | 61 | Presente |
| Ronaldo Mansur | PSOL | 46 | Presente |
| Outros candidatos | — | — | Ausentes |
Tons do debate e impactos locais
O tom do encontro alternou entre confronto direto e tentativa de demonstração de capacidade administrativa. As trocas de acusações — sobretudo entre ACM Neto e Jerônimo — evidenciaram a polarização que marca a temporada eleitoral no estado. Para eleitores de áreas urbanas e do interior, a ênfase em segurança pode influenciar a percepção sobre prioridades públicas, já que a pauta se conecta com outras demandas locais, como emprego, educação e políticas sociais.
Especialmente no território baiano, onde a diversidade social e geográfica vai do litoral às regiões semiáridas do interior, a proposta de políticas de segurança deve dialogar com particularidades locais: ocupações urbanas, periferias metropolitanas e municípios do interior que enfrentam desafios distintos. Foi essa complexidade que permeou as intervenções, mesmo quando o debate enfatizou propostas de natureza estatal e estrutural.
Próximos passos
O primeiro debate formal marca o início de uma série de confrontos públicos entre os aspirantes ao Palácio. A agenda seguirá nos próximos dias com outros eventos, entrevistas e programas, e o eleitorado deverá acompanhar a consistência das propostas e a capacidade de traduzir promessas em políticas viáveis para a Bahia.
Enquanto isso, o tema da segurança permanece no centro da discussão pública estadual, com reflexos diretos na vida cotidiana de baianos e baianas que aguardam respostas concretas para reduzir índices de violência e aumentar a sensação de proteção nas ruas e nas comunidades.