O candidato ao Governo de Rondônia pelo PSB, Samuel Costa, apresentou propostas voltadas ao fortalecimento das comunidades ribeirinhas e à industrialização da cadeia produtiva da pesca durante entrevista na Rede Amazônica, afiliada à Rede Globo. Segundo a assessoria do candidato, o objetivo é transformar a condição de mera fornecedora de matéria-prima para um modelo em que a produção regional gere maior valor agregado e emprego dentro do próprio Estado.
Eixos da proposta
O plano apresentado por Samuel Costa concentra-se em ações que abarcam desde a piscicultura familiar até a construção de uma rede de beneficiamento e comercialização do pescado. Entre os pontos destacados estão assistência técnica, acesso a crédito, qualificação dos produtores, melhorias de infraestrutura e apoio à comercialização dos produtos.
- Assistência técnica e qualificação — orientação técnica para produtores e capacitação para elevar a produtividade e a qualidade do pescado;
- Crédito e financiamento — linhas de crédito específicas para piscicultores e empreendimentos ligados ao processamento do pescado;
- Infraestrutura — obras e equipamentos para armazenamento, conservação e logística de escoamento;
- Industrialização — estímulo à instalação e modernização de unidades de beneficiamento e processamento;
- Turismo e pesca esportiva — promoção da pesca esportiva como atrativo integrado ao turismo sustentável nas áreas ribeirinhas.
“A nossa gente não pode continuar apenas produzindo e vendendo matéria-prima para que outros lugares industrializem e fiquem com a maior parte do valor. Precisamos industrializar Rondônia, gerar empregos e fazer a riqueza permanecer aqui”,
Na apresentação, o candidato ressaltou que políticas públicas para a pesca profissional também são necessárias, com medidas de valorização dos trabalhadores que dependem dos rios como meio de subsistência e renda.
Impacto econômico e social
O foco na piscicultura e no processamento local tem duas vertentes: por um lado, busca ampliar a renda e as oportunidades nas comunidades ribeirinhas; por outro, pretende reduzir a saída de matéria-prima do Estado, retendo maior parte do valor agregado nas etapas de beneficiamento, distribuição e comercialização. Essas estratégias tendem a afetar diversos segmentos, de pequenos produtores a empreendedores envolvidos em transporte, hotelaria e serviços ligados ao turismo pesqueiro.
O candidato aponta potencial de geração de empregos formais e informais, especialmente em áreas rurais e ribeirinhas, e sugere que a integração entre produção e turismo pode dinamizar a economia local, criando demanda por serviços como guias de pesca, hospedagem e comércio local.
Instrumentos mencionados
Embora a matéria divulgada pela assessoria não detalhe programas com metas quantificadas ou prazos, as ferramentas citadas na entrevista incluem:
| Instrumento | Função |
|---|---|
| Assistência técnica | Melhorar práticas de cultivo e manejo, aumentar produtividade |
| Linhas de crédito | Viabilizar investimentos em viveiros, equipamentos e unidades de processamento |
| Qualificação | Formação técnica para produtores e trabalhadores da cadeia |
| Infraestrutura | Armazenagem, refrigeração e logística para escoamento |
O que ficou por esclarecer
O anúncio não trouxe cronograma de implementação, estimativa de custos, fontes de financiamento nem metas ligadas ao número de empregos a serem criados ou volume de processamento a ser instalado no Estado. Também não foram especificadas eventuais parcerias com órgãos federais, ministérios, agências de crédito ou instituições de pesquisa e extensão rural.
Esses elementos são relevantes para avaliar a viabilidade das propostas e medir o impacto esperado nas áreas ribeirinhas, especialmente em termos de sustentabilidade ambiental e de inclusão dos pequenos produtores e pescadores tradicionais.
Relevância regional
Rondônia possui extensa malha hidrográfica e comunidades cuja economia é marcada pela interação com os rios. A proposta de valorizar a cadeia do pescado integra-se a debates mais amplos sobre desenvolvimento regional, conservação dos recursos hídricos e diversificação das fontes de renda no interior do Estado.
Diante do período eleitoral, propostas desse tipo passam a ser objeto de análise por lideranças locais, produtores e setores do agronegócio e do comércio, que avaliarão as medidas conforme forem detalhadas pelos programas de governo e os planos de implementação apresentados pela campanha.