O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta terça-feira a criação do Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center), que concede incentivos fiscais e suspende a cobrança de tributos federais na compra de equipamentos destinados à montagem de centros de processamento de dados no país. A medida foi aprovada pelo Congresso após tramitar inicialmente como medida provisória.
Potencial de investimento e empregos
O governo qualificou a iniciativa como capaz de provocar um verdadeiro boom de investimentos em tecnologia. Em declaração pública, o vice-presidente Geraldo Alckmin estimou que o Redata pode atrair entre R$ 500 bilhões e R$ 1 trilhão em investimentos tecnológicos. Segundo o Executivo, a mudança criaria previsibilidade ao setor e colocaria o Brasil em posição de destaque na atração de projetos de larga escala.
"A lei vai trazer previsibilidade e o Brasil tem todas as condições de ser o campeão nessa área"
O alcance econômico do programa é sustentado por estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), encomendado pelas empresas Scala Data Centers e Norgás. O levantamento indicado no anúncio mostra que a construção de um data center de 100 MW preparado para aplicações de inteligência artificial pode envolver aproximadamente R$ 25 bilhões em investimentos e tem potencial para gerar mais de 37 mil empregos.
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Investimento estimado (100 MW) | R$ 25 bilhões |
| Geração de empregos potencial | mais de 37 mil |
| Faixa de investimento projetado pelo governo | R$ 500 bilhões a R$ 1 trilhão |
Soberania de dados e dependência externa
Além do apelo econômico, o governo justifica o Redata com argumentos de segurança e soberania digital. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que cerca de 60% dos dados e das aplicações de inteligência artificial utilizadas em território brasileiro são processados no exterior. Para o ministro Dario Durigan, a isenção fiscal contribuirá para que dados brasileiros hoje armazenados em servidores estrangeiros passem a ser hospedados no país, ampliando o controle nacional sobre essas informações.
Em entrevista mencionada pelo governo, Durigan destacou que a medida "projeta oportunidade de futuro para o brasileiro", ao criar condições para que serviços e infraestrutura da cadeia de dados se instalem localmente.
Implicações fiscais e desafios
O Redata retorna ao centro do debate após a tentativa original, na forma de medida provisória, perder validade por não ter sido analisada pelo Congresso. O novo texto, agora convertido em lei, prevê isenções federais — uma estratégia comum para estimular setores intensivos em capital e com longo prazo de retorno.
Especialistas e agentes do mercado vão acompanhar de perto a regulamentação e as regras de elegibilidade, que definirão quais projetos e investimentos terão direito aos benefícios. Entre os pontos que devem influenciar a efetividade do programa estão:
- critérios para concessão das isenções;
- prazo de vigência e condições de manutenção dos incentivos;
- infraestrutura complementar necessária, como energia e rede de conectividade.
O governo aposta que, ao reduzir custos de instalação, o Brasil conseguirá aproveitar sua escala de mercado e disponibilidade de recursos para se tornar um polo regional. A atração de grandes projetos, conforme o estudo citado, depende, porém, de decisões empresariais sobre localização, logística e condições regulatórias além do incentivo fiscal.
Com a sanção do Redata, abre-se uma nova fase de competição internacional por data centers — um segmento cada vez mais estratégico por sua relação direta com inteligência artificial, serviços em nuvem e a economia digital.