Redução generalizada, mas escolha econômica ainda favorece gasolina
O Instituto Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon Natal) registrou em agosto redução nos preços médios de todos os combustíveis pesquisados nos postos da capital potiguar, na comparação com o levantamento de julho. A maior retração foi observada no etanol: -5,22%. A gasolina comum apresentou queda média de 2,19%, o diesel S-10 recuou 2,59% e o gás veicular caiu 1,91%.
Por que o etanol caiu e por que ainda não compensa
Segundo a pesquisa do Procon, a redução do preço do etanol está ligada principalmente ao aumento da safra de cana-de-açúcar na região Centro‑Sul do país e ao crescimento da produção de etanol a partir do milho — fatores que ampliaram a oferta do biocombustível. Ainda assim, em Natal o etanol ainda não oferece vantagem econômica para quem abastece veículos com motor flex.
O critério técnico adotado para comparação é o rendimento: o etanol é considerado vantajoso quando custa, no máximo, 70% do preço da gasolina, devido à diferença de eficiência energética entre os combustíveis. Na capital potiguar, o Procon apontou que o etanol representa atualmente 75% do preço da gasolina. Para que o etanol fosse a opção mais econômica, o litro teria de custar menos de R$ 4,73, valor abaixo do identificado na pesquisa.
Variações por região da cidade
A análise também detalhou diferenças de preço entre as regiões de Natal, mostrando concentração de valores menores em determinados bairros. A Zona Leste apresentou as menores médias para quatro combustíveis pesquisados:
- Etanol: R$ 5,00 (média da Zona Leste)
- Diesel comum: R$ 6,80
- Diesel S-10: R$ 7,01
- Gás veicular: R$ 4,92
Já a Zona Norte concentrou os menores preços médios para os combustíveis da linha gasolina: gasolina comum a R$ 6,67 e gasolina aditivada a R$ 6,73.
Amplitude de preços e impacto para o consumidor
O levantamento do Procon também apontou diferenças relevantes entre postos: a variação de preços pode chegar a 26% entre estabelecimentos. Essa amplitude significa que o gasto com abastecimento pode variar de forma significativa conforme o ponto de compra escolhido pelo consumidor.
| Combustível | Variação em agosto (mês a mês) |
|---|---|
| Etanol | -5,22% |
| Gasolina comum | -2,19% |
| Diesel S-10 | -2,59% |
| Gás veicular | -1,91% |
Contexto regional e recomendações práticas
O Procon também comparou Natal com outras capitais do Nordeste e observou que o preço médio do etanol na cidade permanece 3,47% acima da média das capitais nordestinas, cujo valor médio informado é de R$ 4,90. Esse aspecto reduz a competitividade do etanol local em relação a outras capitais da região.
Para o consumidor natalense, a leitura prática da pesquisa é direta: mesmo com reduções em agosto, a gasolina continua sendo a opção mais vantajosa para veículos flex na cidade, considerando o rendimento médio do etanol em torno de 70% do obtido com gasolina. Diante das variações por bairro e entre postos, medidas simples podem reduzir o custo de abastecimento:
- Comparar preços por aplicativo ou site antes de abastecer;
- Pesquisar postos em diferentes regiões da cidade, especialmente Zona Leste e Zona Norte, onde foram encontradas médias menores para determinados combustíveis;
- Considerar o consumo médio do veículo ao escolher entre etanol e gasolina, e recalcular a proporção preço/rendimento quando houver variações significativas.
O levantamento do Procon Natal serve como ferramenta para orientar decisões de consumo e revela espaço para economia doméstica por meio da pesquisa de preços. Autoridades municipais e associações de consumidores podem usar os dados para monitorar práticas comerciais e buscar maior transparência na formação de preços.