A Operação Rebotalho concentra atenção em Natal ao investigar a contratação, realizada em maio de 2020, de 20 ventiladores pulmonares descritos como seminovos pela Prefeitura e vinculados ao atendimento durante a pandemia de Covid-19. O contrato, inscrito no processo administrativo nº 9760/2020-46, totalizou R$ 2,16 milhões, o equivalente a R$ 108 mil por unidade, e teve como fornecedora a empresa Spectrum Medic Comércio e Serviços Ltda., ligada ao empresário Wender de Sá.
O que motivou a investigação
As apurações da Operação Rebotalho apontaram, segundo documentos e reportagens, possíveis indícios de direcionamento da contratação, superfaturamento e problemas técnicos nos equipamentos adquiridos pela gestão do então prefeito Álvaro Dias. A contratação destinava-se a suprir a demanda por suporte respiratório em unidades como o Hospital de Campanha de Natal.
Andamento dos processos
O caso gerou desdobramentos em duas frentes judiciais:
- Uma ação penal, que segue em curso na esfera criminal;
- Uma ação civil por improbidade administrativa, cuja petição inicial do Ministério Público Federal foi rejeitada em primeira instância, e contra a qual há recurso em tramitação.
Além disso, houve decisões que determinaram a anulação de provas ligadas à investigação, o que afeta o conjunto probatório apresentado na apuração. As medidas e seus efeitos processuais continuam a ser examinados pelas instâncias competentes.
Principais nomes envolvidos
Entre os agentes públicos citados nas apurações estão o prefeito à época, Álvaro Dias, e o então secretário municipal de Saúde, George Antunes, além do secretário adjunto Vinícius Capuxu de Medeiros. A fornecedora indicada no processo foi a Spectrum Medic, associada a Wender de Sá.
“Deve ter esse povo todo envolvido”, frase atribuída a ex-secretário de Saúde em diálogo gravado pela Polícia Federal, segundo reportagem.
Dados da aquisição
| Item | Quantidade | Valor total (R$) | Valor unitário (R$) |
|---|---|---|---|
| Ventiladores pulmonares (seminovos) | 20 | 2.160.000,00 | 108.000,00 |
Consequências e repercussões locais
Para moradores de Natal, o caso suscita questionamentos sobre a correta aplicação de recursos públicos em momento de emergência sanitária e sobre a eficiência das compras realizadas para reforçar a rede assistencial. Em paralelo, medidas administrativas e judiciais decorrentes das investigações podem influenciar futuras contratações municipais e a atuação de órgãos de controle.
Até a data do levantamento das informações (25 de setembro de 2026), a investigação criminal permanecia em andamento e a ação por improbidade havia tido pedidos rejeitados em primeira instância, com recurso apresentado pelas partes interessadas. A Prefeitura, a defesa dos citados e a empresa fornecedora constam entre as partes envolvidas no processo, cujas decisões seguintes serão determinantes para o desfecho judicial e administrativo do episódio.
A cobertura continuará acompanhando novas decisões judiciais, eventuais partidas de recursos e esclarecimentos formais das partes sobre as medidas adotadas na contratação e o estado de conservação e funcionamento dos equipamentos adquiridos.