Antes das 9h, uma longa fila se estendia pela calçada do Theatro Municipal de São Paulo, no Centro, onde familiares, amigos e admiradores se reuniram para o velório do cantor Benito di Paula, morto no último domingo (18) aos 84 anos. A cerimônia, marcada por emoção e lembranças das músicas que atravessaram gerações, reuniu representantes do samba e público de diferentes pontos do Estado.
Presença de escolas de samba e lembrança familiar
Entre as homenagens, chamou atenção a presença de agremiações que têm ligação direta com a trajetória pessoal e artística do músico. Uma bandeira da escola de samba Unidos da Saudade, de Nova Friburgo (RJ) — fundada pelo pai de Benito, José Veloso — foi colocada sobre o caixão. A escola paulistana Águias de Ouro, que homenageou o cantor em 2025, também participou do cortejo e levou flores.
Jaqueline Meira, diretora de Carnaval da Águia de Ouro, afirmou a importância do legado de Benito para o samba e para a construção de repertórios que misturam história pessoal e ritmo popular. A presença das escolas reforçou o vínculo do artista com a cultura carnavalesca e com as tradições do samba de raiz.
"O Benito trazia muito da vida dele para as músicas e fazia músicas incríveis. Eu acho que para o samba ele vai fazer muita falta"
Fãs vindos do interior e homenagens no velório
O público presente incluía pessoas vindas de outras cidades do Estado. O professor aposentado Vicente Carvalho, por exemplo, viajou de Aparecida para São Paulo para prestar a última homenagem. Em entrevista no local, ele classificou Benito como um dos principais intérpretes do país e ressaltou o caráter duradouro da obra do cantor.
Além das bandeiras e das coroas, fãs e familiares cantaram trechos de canções que marcaram a carreira de Benito di Paula. As recordações se misturavam a relatos sobre a trajetória do artista e ao reconhecimento do papel que suas composições tiveram na formação de diversas gerações de sambistas.
Circunstâncias da morte
Segundo comunicado divulgado pela equipe do cantor à imprensa, Benito di Paula morreu no Hospital Nove de Julho, em São Paulo, em decorrência de um câncer de próstata. A família informou que ele enfrentava a doença havia aproximadamente um ano. No fim da tarde anterior ao óbito, o artista passou mal e foi levado ao hospital pelo filho, Rodrigo Vellozo.
| Nome | Idade | Data do falecimento | Local do velório | Causa |
|---|---|---|---|---|
| Benito di Paula | 84 anos | Domingo, 18 (mês não especificado) | Theatro Municipal de São Paulo | Câncer de próstata |
Impacto para a cena musical e para a cidade
A comoção no Centro de São Paulo reflete não apenas o apego do público às músicas de Benito, mas também a forma como artistas do samba dialogam com a cidade. Espaços como o Theatro Municipal, além de serem palco de espetáculos eruditos, têm sido utilizados para velórios de figuras públicas, servindo como ponto de encontro para manifestações públicas de luto e reconhecimento cultural.
Para a comunidade do samba, a perda representa o fim de uma voz que integrou elementos da experiência pessoal à criação musical, consolidando fórmulas rítmicas e temáticas apreciadas por diferentes faixas etárias. A presença de escolas de samba paulistanas e de outras cidades mostra que o legado transcende fronteiras municipais.
Informações práticas para quem foi ao velório
- Local: Theatro Municipal de São Paulo, Centro.
- Horário: cerimônia teve início nas primeiras horas da manhã; fila começou a se formar antes das 9h.
- Participação: aberto a familiares, amigos, fãs e representantes de agremiações de samba.
O velório de Benito di Paula seguiu como ponto central de homenagens neste dia, com fãs e representantes do universo carnavalesco conversando sobre a permanência das canções no repertório popular. A cerimônia deve anteceder os procedimentos fúnebres finais, conforme decisões da família.