O Hospital Municipal Veterinário de Duque de Caxias, inaugurado como referência estadual pela oferta de atendimento animal gratuito, teve o plantão de urgência 24 horas encerrado e o quadro técnico amplamente reduzido pela atual gestão municipal. Segundo relatos de funcionários e denúncias de moradores, aproximadamente 70% da equipe médica e de apoio foi desligada, e o horário de funcionamento ficou restrito a segunda a sexta, das 8h às 17h.
O que mudou na operação da unidade
Até julho, a administração municipal destacava o hospital como um modelo de política pública: a unidade havia completado quatro anos e contabilizado cerca de 420 mil atendimentos gratuitos desde a abertura. Em poucas semanas, contudo, responsáveis por animais relatam mudança abrupta na oferta de serviços, com portas trancadas durante a noite e nos fins de semana — períodos em que são frequentes casos de atropelamento, envenenamento e outras emergências clínicas.
- Encerramento do plantão de emergência 24 horas.
- Redução do horário para segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.
- Demissão de cerca de 70% do corpo técnico, segundo fontes.
Justificativa oficial e reação
A prefeitura divulgou a alteração do funcionamento como uma “readequação de fluxo”. Entretanto, funcionários que falaram com a reportagem e publicações em redes sociais apontam que a motivação por trás das mudanças foi um corte de gastos na gestão municipal. Moradores e protetores de animais da Baixada Fluminense manifestaram preocupação com a perda do atendimento de urgência, que atendia principalmente tutores de baixa renda.
“A readequação de fluxo”
O cenário de deslocamento do atendimento para horários comerciais reduz a capacidade da rede pública de responder a situações críticas fora do expediente, afirmam fontes internas do hospital. Sem veterinários plantonistas, cirurgiões e auxiliares suficientes, a unidade passa a ofertar menos serviços imediatos, o que pode agravar o quadro de animais que dependem de intervenção rápida.
Contraste com a arrecadação municipal
Especialistas em saúde animal e integrantes de movimentos de proteção apontam que o desmonte ocorre em um contexto de recursos municipais robustos. Duque de Caxias mantém posição de destaque no contexto econômico do estado, apoiada principalmente pela atividade da refinaria local. Para críticos, a decisão de reduzir o atendimento contradiz a imagem de prioridade em políticas públicas estampada pela administração em anos anteriores.
| Indicador | Valor informado |
|---|---|
| Atendimentos acumulados | 420 mil |
| Redução de pessoal (relatada) | ~70% |
| Novo horário de funcionamento | Seg a Sex, 8h–17h |
Até a publicação desta reportagem, a prefeitura não havia apresentado detalhes públicos sobre o cronograma de readequação, número preciso de desligamentos ou alternativas para o atendimento de emergência em horários noturnos e finais de semana. Tampouco foram divulgadas medidas compensatórias para ONGs e clínicas parceiras que tradicionalmente auxiliaram em demandas urgentes.
Para tutores, a redução do serviço se traduz em dificuldades práticas: deslocamentos maiores até clínicas privadas, custos elevados para cirurgias e tratamentos e risco aumentado para animais em situação crítica. Organizações de proteção animal da região já mobilizam-se em redes sociais para mapear alternativas e orientar a população sobre locais que ainda recebem casos graves.
O caso coloca na agenda local a discussão sobre prioridades orçamentárias, transparência administrativa e a garantia de serviços públicos básicos dirigidos a populações vulneráveis, inclusive quando se trata da saúde e bem-estar de animais domésticos. A evolução das medidas anunciadas pela gestão municipal e as respostas às demandas de emergência serão acompanhadas por esta redação.