O Tribunal do Rio de Janeiro confirmou, na noite de quarta‑feira, a condenação do ex‑marido Francisco Ângelo Saboia a 27 anos de prisão pelo assassinato da ex‑esposa Rosemary de Souza Pinto, então com 52 anos, diretora e proprietária de uma escola infantil no bairro Marambaia, em São Gonçalo. O julgamento durou dois dias e teve desfecho favorável à acusação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).
Crime e investigação
Rosemary foi executada a tiros em janeiro de 2017, na porta da instituição de ensino que dirigia. Na apuração conduzida pelo MPRJ, Francisco foi apontado como o mandante do crime. Segundo a denúncia, ele teria entregue uma pistola calibre 9 mm a dois homens contratados para matar a vítima.
A linha de investigação indicou que a motivação do assassinato estava ligada a disputas patrimoniais e conflitos pessoais decorrentes do fim do casamento. Inicialmente, a hipótese de envolvimento de traficantes locais chegou a ser considerada, mas as apurações evoluíram para a tese de crime encomendado por desavenças entre as partes.
Sentença e fundamentos
Ao proferir a sentença, o juiz destacou a gravidade dos fatos e classificou o episódio como uma "verdadeira tragédia familiar". Na dosimetria da pena, o magistrado levou em conta depoimentos colhidos durante o julgamento, entre os quais relatos que descrevem comportamentos violentos atribuídos ao condenado ao longo dos anos.
"A motivação do crime foi absurdamente desprezível", afirmou o juiz ao referir‑se às razões que teriam levado ao homicídio.
Testemunhas ouvidas pelo tribunal, incluindo filhos do réu, relataram episódios que, segundo a decisão, reforçaram a gravidade da conduta e os elementos de culpabilidade.
Impacto local e repercussão
A condenação encerra uma etapa judicial importante para a comunidade escolar e para a família da vítima, que sofreu abalo profundo com o crime ocorrido em plena luz do dia, no entorno de uma escola infantil. O episódio ganhou grande repercussão na cidade na época, pela violência e pela circunstância de ter ocorrido em frente à instituição que a vítima dirigia.
- Comunidade escolar: choque e mobilização por segurança no entorno das unidades de ensino.
- Família: reconhecimento judicial da autoria e da motivação, com repercussões emocionais para os filhos da vítima.
- Precedente local: caso reforça atenção das autoridades sobre crimes cometidos por motivação doméstica e patrimonial.
O processo e a sentença seguem trâmites previstos na Justiça estadual. A reportagem procurou por posicionamentos das defesas e de representantes da escola, mas não obteve respostas até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestações.
| Item | Informação |
|---|---|
| Vítima | Rosemary de Souza Pinto, 52 anos |
| Réu condenado | Francisco Ângelo Saboia |
| Data do crime | Janeiro de 2017 |
| Pena aplicada | 27 anos de prisão |
Para moradores e profissionais de educação de São Gonçalo, o caso reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à proteção de mulheres e à prevenção de crimes motivados por disputas domésticas ou patrimoniais. Especialistas ouvidos na época ressaltaram que episódios dessa natureza deixam marcas duradouras na comunidade escolar e exigem acompanhamento psicológico e institucional às vítimas indiretas, sobretudo crianças e adolescentes vinculados às unidades de ensino envolvidas.
A sentença representa um capítulo importante na busca por responsabilização criminal no caso, mas a decisão também reabre o debate sobre mecanismos de prevenção e proteção no âmbito doméstico e nas imediações de instituições educativas na cidade.