Realizado em Salvador na noite de domingo (9), o primeiro debate entre os candidatos ao governo da Bahia trouxe ao centro do embate temas sensíveis para o eleitorado estadual, como segurança pública, políticas para as mulheres, saúde, educação, infraestrutura e a relação com o governo federal. Participaram do encontro o governador e candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues (PT), o ex-prefeito de Salvador e adversário principal ACM Neto (União Brasil) e o candidato Ronaldo Mansur (PSOL). A mediação foi feita pela jornalista Carolina Rosa.
Contexto eleitoral e audiência
O debate ocorreu em momento de tensão na campanha. Pesquisa do Paraná Pesquisas citada durante o evento apontou vantagem de ACM Neto nas intenções de voto, com 48,9% para o ex-prefeito e 38,7% para Jerônimo no cenário de primeiro turno. Ao mesmo tempo, números de avaliação do governo mostraram índices expressivos, com 55,2% de aprovação e 41,5% de desaprovação.
| Indicador | ACM Neto | Jerônimo |
|---|---|---|
| Intenção de voto (Paraná Pesquisas) | 48,9% | 38,7% |
| Aprovação do governo | 55,2% aprovação / 41,5% desaprovação | |
Segurança e feminicídios em foco
O primeiro tema a ser tratado no debate foi a violência contra a mulher, que colocou o problema dos feminicídios em evidência. Foram citados dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, segundo os quais a Bahia registrou 102 feminicídios, ocupando a quarta posição no país em números absolutos. Em sua resposta, Jerônimo enfatizou ações de prevenção e educação como pilar da política estadual de enfrentamento à violência de gênero.
O governador mencionou iniciativas e estruturas já em funcionamento, entre as quais a Secretaria de Políticas para as Mulheres, a Ronda Maria da Penha e o programa Oxe, Me Respeite! Nas Escolas, propondo agora ampliar ações para os 417 municípios baianos. Não foram apresentados, no entanto, detalhes novos de metas concretas ou prazos específicos durante o debate.
Reação a críticas sobre gestão e obras
ACM Neto centrou sua intervenção em críticas à gestão estadual, cobrando respostas sobre segurança, regulação e obras. A troca de acusações entre os dois candidatos seguiu o tom esperado para um confronto eleitoral — defesa dos feitos administrativos de um lado e questionamento das prioridades e execução do outro.
Educação, saúde e relação com o governo federal
Jerônimo, ao responder sobre educação e saúde, buscou consolidar a narrativa de continuidade do projeto político iniciado pelo PT na Bahia em 2007 e defendeu a parceria com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como mecanismo para viabilizar investimentos e expansão de programas sociais. Já sobre regulação e funcionalismo público, o debate trouxe perguntas e contrapontos, mas sem propostas técnicas detalhadas que pudessem ser cobradas com precisão no curto prazo.
Transmissão e alcance
O debate foi transmitido pela TV Band, BandNews FM, YouTube, BandPlay e mais de 35 rádios parceiras no estado, ampliando o alcance entre diferentes perfis de eleitores. A multiplicidade de plataformas contribuiu para que o encontro fosse acompanhado tanto em centros urbanos como em municípios do interior, cenário que exige das campanhas atenção ao recorte territorial da Bahia, do litoral ao sertão.
Implicações para a campanha
O confronto serviu para marcar a agenda dos próximos dias: Jerônimo trabalhou a defesa de ações e resultados de seu governo e a continuidade de políticas sociais; ACM Neto reforçou a alternativa de mudança, com foco em cobranças sobre segurança e obras. A dinâmica eleitoral pode sofrer alterações conforme saiam novos números de pesquisas, mas o debate consolidou temas que deverão permear caravanas, encontros regionais e material de campanha.
- Participantes: Jerônimo Rodrigues (PT), ACM Neto (União Brasil), Ronaldo Mansur (PSOL).
- Temas principais: segurança pública, feminicídio, educação, saúde, infraestrutura, meio ambiente, funcionalismo.
- Veiculação: TV Band, BandNews FM, YouTube, BandPlay e redes de rádio.
O debate em Salvador foi o primeiro encontro entre os candidatos em ambiente televisivo e tende a ser referência para o calendário de confrontos diretos na campanha ao governo da Bahia. Nos próximos dias, caberá acompanhar se as estratégias anunciadas se traduzirão em novas propostas detalhadas ou em iniciativas práticas voltadas aos diferentes territórios do estado.