Um levantamento do Observatório de Oncologia, com base em dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde e informações populacionais do Censo 2022 do IBGE, identificou que o câncer foi a principal causa de morte em 20 municípios do Rio Grande do Norte no ano de 2023. Em âmbito nacional, o estudo aponta que 670 cidades registraram neoplasias como maior causa de óbitos no mesmo período.
Distribuição e municípios mais afetados
Segundo o levantamento, todas as 20 cidades potiguares onde o câncer ocupou a primeira posição no ranking de causas de morte são de pequeno porte. Entre elas, Galinhos apresentou a maior proporção de óbitos por neoplasias em relação ao total de mortes, com 45%. Na sequência aparecem Rafael Godeiro (36%), Tenente Laurentino Cruz (35%), e os municípios de Janduís e Japi, ambos com 31%.
| Município | Percentual de mortes por câncer (2023) |
|---|---|
| Galinhos | 45% |
| Rafael Godeiro | 36% |
| Tenente Laurentino Cruz | 35% |
| Janduís | 31% |
| Japi | 31% |
Dados estaduais de incidência
Complementando o retrato, o Boletim Epidemiológico do Câncer 2025, divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), já havia colocado as neoplasias como a segunda maior causa de morte no Rio Grande do Norte. O estado também registrou aumento de casos nos últimos anos: entre 2020 e 2024 foram notificados 57.660 novos casos de câncer.
Do total de novos registros no período, 25.102 ocorreram entre homens (44%) e 32.558 entre mulheres (56%). As taxas por 100 mil habitantes também cresceram: entre homens, de 250 para 375; entre mulheres, de 301 para 449 no intervalo 2020–2024.
Fatores apontados pelo estudo
O Observatório de Oncologia relaciona o cenário nas cidades menores do RN a dificuldades estruturais que afetam prevenção, diagnóstico e tratamento. Entre os fatores destacados estão:
- limitações no acesso a exames e procedimentos de rastreamento;
- escassez de especialistas e de centros de referência em oncologia na região;
- possível subnotificação nos registros epidemiológicos em municípios de menor porte.
Esses elementos, segundo o estudo, podem atrasar o diagnóstico e reduzir as chances de tratamento eficaz, especialmente em localidades onde o deslocamento a centros maiores é necessário para consultas e terapias.
Implicações para a política de saúde
Especialistas em saúde pública costumam ressaltar que indicadores como os presentes no levantamento exigem ações articuladas entre diferentes níveis de governo: fortalecimento da atenção primária para rastreamento e encaminhamento, ampliação de infraestrutura diagnóstica e estratégias para reduzir evasão e atrasos no tratamento. No caso específico do RN, o crescimento nas taxas de incidência e a concentração de óbitos por câncer em municípios pequenos indicam a importância de medidas que facilitem o acesso a serviços especializados.
Limitações e cuidados na interpretação
O estudo utilizou como fonte principal o SIM e considerou o município de residência das vítimas. A própria avaliação chama atenção para a possibilidade de subnotificação em municípios menores, o que pode distorcer a compreensão da magnitude real do problema. Por isso, o cruzamento com outras bases e a melhoria da qualidade do registro de óbitos são passos necessários para planejar intervenções mais precisas.
O que muda para o leitor
Para moradores dos municípios citados, o levantamento reforça a necessidade de atenção aos sinais e aos programas de prevenção e rastreamento disponíveis nas redes locais e regionais de saúde. A identificação de padrões de mortalidade por neoplasia também pode orientar gestores a priorizar recursos e políticas públicas voltadas à detecção precoce e ao tratamento oportuno.
O Observatório de Oncologia e as secretarias de saúde estaduais e municipais são fontes centrais para acompanhamento desses indicadores; o aprimoramento do registro e a fiscalização das ações de atenção oncológica permanecem como requisitos para reduzir o impacto das neoplasias nas populações locais.