O ativista colombiano Wilber Honório Muñoz, apelidado de “Homem-Peixe” ou “Super H”, foi encontrado vivo na sexta-feira (28) enquanto realizava uma travessia pela baía do Marajó, no Pará. Equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Pará localizaram-no nadando na região de Vila do Conde, sem ferimentos aparentes e sem necessidade de atendimento médico no local.
Retomada da expedição e manifestação sobre o ocorrido
Após o encontro, Muñoz publicou nas redes sociais mensagens de otimismo e informou que pretende continuar a viagem. Em suas publicações, o ativista descreveu a situação como um episódio rápido, destacando sua experiência em navegações e no convívio com as condições dos rios.
“Foi muito rápido, tudo aconteceu muito rápido. Mas a gente tem experiência no rio, tem experiência com as maresias, com as ondas fortes. E estou bem. Bora para cima, gente. Bora para Belém do Pará. Bora para concluir o projeto”
A travessia faz parte da expedição denominada “Amazonas Pulmão”, cujo propósito declarado é cruzar o rio Amazonas a nado até Belém para chamar atenção à poluição por plástico nas águas amazônicas. A jornada do ativista teve início em outubro de 2025, em Cusco, no Peru, ponto próximo às nascentes do rio Amazonas.
Dimensão da expedição
A iniciativa visa percorrer uma rota de longa distância ao longo do curso do Amazonas. Segundo informações divulgadas pelo próprio projeto, a travessia envolve aproximadamente 6,6 mil quilômetros até o destino final em Belém. A travessia atrai atenção por combinar resistência física com uma pauta ambiental ligada à qualidade das águas e ao descarte de resíduos.
| Expedição | Início | Distância aproximada | Destino final |
|---|---|---|---|
| Amazonas Pulmão | Outubro de 2025 (Cusco, Peru) | 6,6 mil km | Belém (PA) |
Contexto regional: rios, perigos e mobilização
A região do Marajó e a foz do Amazonas são conhecidas tanto pela riqueza ambiental quanto por desafios de segurança nas travessias aquáticas: correntes, ventos e mudanças rápidas no tempo colocam em risco quem navega ou nada em trechos abertos. A recuperação do ativista sem ferimentos é um alívio, mas lembra a necessidade de mecanismos de apoio para expedições desse tipo e a importância de compartilhar informações sobre condições locais.
Além do risco físico, a incursão de Muñoz insere-se numa agenda maior de mobilização contra a poluição por plásticos, que impacta peixes, animais silvestres e comunidades ribeirinhas que dependem do rio para alimentação e transporte. A iniciativa procura, por meio de visibilidade, pressionar para políticas de redução do descarte irregular de resíduos e melhoria na coleta e gestão de lixo nas bacias.
Impacto para as comunidades e próximos passos
Para populações ribeirinhas e marajoaras, episódios como esse reacendem discussões sobre vigilância nas águas, apoio a navegantes e medidas de prevenção. Organizações locais e brigadas de salvamento desempenham papel central em ações de socorro e monitoramento.
- Local do resgate: Vila do Conde (baía do Marajó).
- Estado de saúde: sem ferimentos, não precisou de atendimento no local.
- Objetivo do projeto: atravessar o Amazonas a nado para denunciar a poluição por plásticos.
A jornada de Wilber prossegue sob observação pública e das equipes de apoio que acompanham expedições nesse trecho do rio. A visibilidade do episódio pode reforçar a urgência de políticas voltadas ao saneamento, à gestão de resíduos sólidos e a ações educativas nas margens do Amazonas — medidas que, segundo lideranças tradicionais e ambientalistas, são essenciais para preservar o modo de vida das comunidades e a própria integridade do bioma.
O caso também demonstra o entrelaçamento entre ativismo, riscos ambientais e o conhecimento tradicional das águas da Amazônia: a experiência de quem convive com rios é frequentemente decisiva tanto para a sobrevivência quanto para a formulação de respostas públicas que respeitem a complexidade ecológica e social da região.
As autoridades e os organizadores da expedição não divulgaram, até o momento, um planejamento detalhado sobre os próximos trechos ou eventuais reforços de apoio logístico. A continuidade da travessia dependerá da avaliação das condições do rio e das condições físicas do atleta.
Reportagem de campo e apuração local consolidam que, em territórios amazônicos como o Marajó, a defesa do rio passa tanto por ações simbólicas quanto por investimentos concretos em infraestrutura para reduzir o descarte de plástico e proteger as populações ribeirinhas.