A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou, na quinta-feira (3), o edital de concessão da chamada Rota Agro Central, que engloba obras e serviços em 887,6 quilômetros de rodovias federais entre Vilhena (RO) e Cuiabá (MT). O projeto atinge trechos das BR-070, BR-174 e BR-364 e estabelece um contrato com duração de 30 anos.
O que prevê o edital
Entre as medidas previstas para o trecho estão intervenções para ampliar a capacidade das vias, rodovias de maior fluidez e ações para aumentar a segurança viária. O edital também define a prestação de serviços contínuos ao longo da concessionária, como atendimento médico de emergência, socorro mecânico, inspeção de tráfego e combate a incêndios em regime 24 horas.
Além das melhorias físicas, o contrato traz mecanismos tarifários e operacionais modernos: a cobrança é prevista pelo sistema eletrônico Free Flow, que realiza a cobrança automática sem a necessidade de praças tradicionais de pedágio, e prevê ainda o benefício do Desconto de Usuário Frequente (DUF), voltado a motoristas que utilizam diariamente o trecho concedido.
Investimentos, receitas e operação
O conjunto de obras está orçado em R$ 6,13 bilhões. Para operar e manter a malha durante a vigência contratual, o edital estima mais R$ 4,3 bilhões. A projeção de receita tarifária ao longo do período de concessão é de R$ 23,4 bilhões.
| Item | Valor / extensão |
|---|---|
| Obras | R$ 6,13 bilhões |
| Operação e manutenção | R$ 4,3 bilhões |
| Receita tarifária estimada | R$ 23,4 bilhões |
| Extensão total | 887,6 km |
| Travessias urbanas | 41,8 km (incluindo 9,1 km em Vilhena) |
| Duração da concessão | 30 anos |
Impacto para usuários e municípios
Para quem trafega entre Rondônia e Mato Grosso, as mudanças podem significar menos lentidão e mais opções de assistência em caso de acidentes ou pane. As travessias urbanas previstas — somando quase 42 quilômetros — indicam intervenções que deverão alterar a circulação em áreas consolidadas, como os 9,1 quilômetros projetados em Vilhena.
O edital também inclui dispositivos para fiscalização e penalidades: a concessionária ficará sujeita a sanções financeiras caso não cumpra prazos e metas de obras ou falhe na prestação dos serviços. Esses mecanismos visam reduzir atrasos e garantir padrões mínimos de qualidade ao longo do contrato.
Modalidades e sinergia com ferrovias
Os estudos que embasaram o edital consideraram possíveis interações com projetos ferroviários na região — entre eles a Ferrovia de Integração Centro‑Oeste (FICO), a Ferrogrão, a malha da Rumo no Norte e a Ferrovia Norte‑Sul. A previsão é que esses projetos possam alterar fluxos de carga no futuro, situação que foi levada em conta nos cenários econômicos e de tráfego avaliados pela ANTT.
- Modernização da pista e obras de duplicação/parciais conforme projeto;
- Serviços de emergência e assistência 24 horas ao usuário;
- Pedágio eletrônico (sistema Free Flow) e desconto para usuários frequentes.
Próximas etapas
O leilão para escolher a empresa que assumirá a concessão está marcado para 17 de dezembro, às 10h, e ocorrerá na B3, em São Paulo. Os documentos do processo — incluindo edital, minutas contratuais e estudos técnicos — foram disponibilizados no portal da ANTT para consulta pública.
Com a publicação do edital e a data definida para o leilão, a atenção volta-se agora para as empresas interessadas, para o cumprimento de exigências previstas e para a fase de habilitação. Usuários e autoridades locais também passarão a observar cronogramas e condicionantes voltados a minimizar impactos durante as obras.
Para moradores de Vilhena e demais municípios ao longo do percurso, a expectativa é por melhorias na segurança viária e redução de custos logísticos no longo prazo, mas a concretização desses benefícios dependerá do cumprimento do cronograma e da fiscalização ao longo dos próximos anos.