Por volta da manhã de quarta-feira (22), familiares de Guilherme Silva, de 46 anos, registraram novo desaparecimento do agricultor no assentamento Antônio Conselheiro, em Tangará da Serra (MT). Segundo relatos colhidos pela família e moradores vizinhos, ao procurar o trabalhador na propriedade rural onde ele costuma trabalhar encontraram apenas o cavalo amarrado em uma árvore e o chapéu do agricultor no chão.
Histórico de desaparecimentos e denúncias
Esta é a segunda vez, em menos de dois meses, que Guilherme some da cidade. No primeiro episódio, ele reapareceu 15 dias após o sumiço e afirmou ter sido levado por homens fardados que, conforme seu relato, o entregaram a pistoleiros. Na ocasião, o agricultor denunciou agressões físicas e afirmou ter sido conduzido por policiais até uma ponte sobre o rio Sepotuba, na MT-358.
“Quando eles estavam contando dinheiro e conversando, o policial falou: 'É bem mais fácil de ter pego ele e feito o serviço do que ter trazido esse cara vivo. Não deixa ele escapar, não. Se ele escapar, vai dar problema pra nós'”,
Ao reaparecer do primeiro desaparecimento, Guilherme prestou depoimento à Polícia Civil, ao Ministério Público e à Corregedoria da Polícia Militar. Ele responde por homicídio no estado de Rondônia e já chegou a ser preso, mas se encontrava em liberdade condicional antes dos desaparecimentos.
O relato dos vizinhos e a busca inicial
Moradores do sítio vizinho afirmaram não ter percebido movimentação estranha no dia em que o agricultor saiu para ir até a propriedade contígua. A produtora rural Maria Isabel de Oliveira disse que estava com a sobrinha no momento em que percebeu o desaparecimento apenas depois do almoço, quando o marido perguntou se ela havia visto Guilherme.
Até o fechamento desta matéria não houve informação oficial sobre registro de novo boletim de ocorrência nem sobre diligências em curso pela polícia local divulgadas publicamente. A versão familiar e os depoimentos anteriores seguem como peça central das apurações sobre os episódios.
Implicações e ações de investigação
Caso confirmado o padrão denunciado no primeiro episódio — de suposta atuação de policiais em entrega de suspeito a terceiros armados —, a situação teria implicações graves para a investigação e para as instituições de segurança pública. Procedimentos cabíveis incluem:
- ouvir testemunhas e moradores da região;
- analisar imagens e registros telefônicos e veiculares que possam apontar deslocamentos;
- verificar protocolos da Corregedoria sobre os atendimentos relativos ao primeiro desaparecimento;
- mobilizar perícia em eventuais locais apontados como cena ou rota do desaparecimento.
Contexto local
Tangará da Serra fica a aproximadamente 242 quilômetros de Cuiabá e abriga áreas rurais e assentamentos onde conflitos de ordem diversa — incluindo disputas agrárias e presença de atores armados — já foram relatados em diferentes momentos. A reportagem preserva a cautela sobre atribuições e responsabilidades enquanto não houver confirmação oficial de órgãos policiais e do Ministério Público sobre o novo desaparecimento.
Tabela: cronologia dos eventos conhecidos
| Data aproximada | Evento |
|---|---|
| 30 de dezembro de 2011 (relato) | Primeiro episódio em que, segundo Guilherme, policiais o teriam levado e entregue a pistoleiros; alegadas agressões. |
| 15 dias após o primeiro sumiço | Guilherme reaparece e presta depoimentos à Polícia Civil, Ministério Público e Corregedoria da PM. |
| Manhã de quarta-feira (22) | Família relata novo desaparecimento; encontrados cavalo amarrado e chapéu no sítio vizinho. |
Enquanto a investigação não apresenta novos desdobramentos públicos, familiares vivem a incerteza novamente. A reportagem tentou contato com autoridades responsáveis pela segurança em Tangará da Serra para confirmar registros oficiais e possíveis diligências, sem retorno no momento da publicação.
Atualizaremos esta matéria assim que houver posicionamento formal das polícias Civil, Militar ou do Ministério Público sobre o desaparecimento e eventuais medidas adotadas.