Montemor‑o‑Novo foi, esta segunda‑feira, palco de um encontro que procurou dar visibilidade ao contributo feminino na agricultura, longa e muitas vezes silenciosa presença nas paisagens rurais do Alentejo. O colóquio «Mulheres Agricultoras – Vozes, Experiências, Desafios», integrado nas comemorações do Ano Internacional da Mulher Agricultora 2026, reuniu no Auditório da APORMOR várias protagonistas do mundo rural para partilhar percursos profissionais, experiências e perspetivas sobre o papel da mulher no setor.
Reconhecimento e renovação
Mais do que assinalar a crescente presença feminina nas explorações e nas estruturas associativas, a iniciativa colocou em discussão a necessidade de reconhecimento do trabalho das mulheres ao longo da história da agricultura portuguesa e os obstáculos que persistem quando o setor se transforma: formação, acesso a tecnologias, mercado e sucessão geracional. Durante a sessão de encerramento, o secretário de Estado da Agricultura, João Moura, apontou para um desafio concreto: a atração de novas gerações, especialmente jovens mulheres, para as ciências agrárias e para os cursos profissionais e superiores que alimentam a actividade agrícola.
«Falta, possivelmente, atrair mais mulheres, principalmente as mais jovens, para o ensino e as valências do ensino profissional e ensino superior das ciências agrárias».
A intervenção do governante destacou ainda a necessidade de valorizar a agricultura nacional e os produtos portugueses, propondo que as próprias mulheres do sector assumam um papel activo na promoção desses produtos nos mercados internacionais, preservando, simultaneamente, aquilo que identificou como a marca e identidade Portugal.
Actores locais e identidade
No mesmo encontro foram realçados o papel e o trabalho da APORMOR e da ExpoMOR na dinamização da actividade agrícola e pecuária do território. Segundo o secretário de Estado, a iniciativa desenvolvida no concelho configura uma referência a nível nacional na promoção da produção pecuária e na valorização das raças autóctones. O presidente da câmara municipal presente também sublinhou a importância de reconhecer o contributo feminino ao longo da história do sector, evocando memórias e práticas que formam a identidade rural local.
- Data: 7 de setembro de 2026
- Local: Auditório da APORMOR, Montemor‑o‑Novo
- Evento: Colóquio «Mulheres Agricultoras – Vozes, Experiências, Desafios»
Consequências para o concelho
Para Montemor‑o‑Novo, onde a agricultura e a pecuária são marcas do quotidiano, o debate sobre o papel das mulheres tem implicações práticas: da necessidade de formar e reter técnicos e produtores às estratégias de promoção dos produtos locais nos mercados externos. A chamada à acção feita durante o colóquio — incentivar jovens a ingressar nas formações agrárias e valorizar a produção nacional — coloca sobre a agenda local matérias que combinam políticas públicas, iniciativa associativa e iniciativas empresariais familiares.
O encontro também serviu para reforçar a ideia de que a visibilidade e a valorização do trabalho feminino não são apenas reconhecimento simbólico, mas elemento essencial para a sustentabilidade do tecido rural. Numa região em que a memória colectiva e as práticas tradicionais convivem com imperativos de inovação e adaptação, as vozes trazidas ao auditório procuram construir pontes: entre gerações, entre saberes práticos e científicos, entre mercados locais e internacionais.
À saída da sessão, várias participantes referiram a urgência de transformar o debate em medidas concretas — ensino, acesso ao financiamento, redes de cooperação e divulgação de produtos. Montemor‑o‑Novo mantém, assim, a atenção voltada para a capacidade do seu território de acolher e potenciar esse protagonismo crescente, que pode vir a ser decisivo para a afirmação da agricultura alentejana nas próximas décadas.