Projecto HÉRCULES chega a Portalegre
Portalegre foi incluída na lista de concelhos onde, nas próximas semanas, vai decorrer o Estudo Nacional de Prevalência da Doença Renal Crónica (DRC), integrado no Projecto HÉRCULES. Equipas especializadas da empresa IQVIA vão percorrer diferentes zonas do concelho, contactando porta a porta residentes adultos e convidando-os a participar na investigação.
O propósito do estudo é conhecer quantas pessoas em Portugal vivem com doença renal crónica e traçar o perfil clínico e sociodemográfico desses doentes. Segundo a informação divulgada pelos promotores, a amostragem é aleatória, pelo que qualquer residente adulto de Portalegre poderá ser contactado. A participação é voluntária e estruturada em várias fases.
«A participação é voluntária e desenvolve-se em várias etapas»
Os primeiros contactos consistem na aplicação de um questionário domiciliário, com perguntas sobre estado de saúde geral, hábitos de vida, fatores de risco e antecedentes médicos. Posteriormente, os participantes que aceitarem prosseguir serão encaminhados para um laboratório, onde serão realizadas análises analíticas e medições antropométricas, nomeadamente peso, altura e perímetro da cintura. Caso os resultados laboratoriais indiquem alterações, poderá ser solicitada uma nova avaliação passados pelo menos três meses, para confirmação.
Metodologia e alcance nacional
O estudo pretende preencher uma lacuna: apesar de estimativas que apontam para uma prevalência da DRC na ordem dos 10% da população adulta, não existem dados nacionais recentes, abrangentes e representativos que permitam dimensionar com precisão o problema. Para esse efeito, a amostra prevista envolve cerca de 3.000 participantes, representativos do território continental e das regiões autónomas.
Em Portalegre, como noutros pontos do país, a abordagem porta a porta e a seleção aleatória visam captar não só indivíduos já diagnosticados, mas também casos ainda sem diagnóstico. Para os profissionais de saúde pública territorial, identificar casos ocultos é crucial para planear intervenções, encaminhamentos e políticas de acompanhamento.
- Seleção aleatória de participantes adultos em Portalegre;
- Contacto inicial porta a porta com questionário no domicílio;
- Encaminhamento a laboratório para análises e medições antropométricas;
- Possível reavaliação após pelo menos três meses para confirmar alterações.
O que representa para a região
Para Portalegre e para o Alentejo, a presença do estudo traz a oportunidade de aferir localmente a dimensão da doença renal crónica, condição que muitas vezes decorre silenciosa e cuja prevalência tende a aumentar com a idade. Embora o relatório nacional não esteja centrado em dados municipais, a participação dos residentes permitirá, quando agregada, compor uma imagem mais nítida da realidade regional e apoiar decisões de saúde pública.
As equipas da IQVIA serão responsáveis pelo recrutamento e pela recolha dos primeiros dados no terreno. A organização salientou que a seleção é aleatória e que a participação é voluntária, sem custos para os participantes, bem como o carácter faseado do inquérito, que combina questionário e exames laboratoriais.
| Fase | Atividade |
|---|---|
| 1 | Questionário domiciliário sobre saúde e hábitos |
| 2 | Encaminhamento para análises laboratoriais e medições |
| 3 | Reavaliação após ≥3 meses, se necessário |
O Estudo Nacional de Prevalência da DRC, ao contar com contributos locais como os que se esperam de Portalegre, ambiciona não só quantificar a doença, mas identificar perfis de risco e lacunas no diagnóstico precoce. Para as populações locais, a iniciativa representa uma chamada de atenção para a necessidade de vigilância clínica e para o acesso a cuidados que permitam travar a progressão da doença renal quando detetada atempadamente.
As equipas que visitarem Portalegre estarão identificadas e, segundo os responsáveis pelo projeto, deverão esclarecer dúvidas sobre o processo de participação e os passos subsequentes. A presença do estudo no concelho insere-se num esforço mais amplo de cartografia da doença renal em Portugal, cujo resultado final poderá orientar políticas de prevenção, rastreio e gestão clínica a nível nacional e regional.