Economia Serpa Alentejo

Agricultores de Serpa alertam para custos de produção e pedem mecanismo estável para gasóleo agrícola

A associação APROSERPA reuniu com a CCDR do Alentejo e entregou propostas sobre custos dos cereais, preço do gasóleo e impactos da Rede Natura 2000 na margem esquerda do Guadiana.

Agricultores de Serpa alertam para custos de produção e pedem mecanismo estável para gasóleo agrícola
©Ilustração Teresa Mestre Chaves / we-news.com

Em Serpa, a voz dos agricultores voltou a erguer-se num apelo por maior previsibilidade e apoios que acompanhem os custos reais da produção. A APROSERPA — Associação de Agricultores da Margem Esquerda do Guadiana — declarou-se preocupada com o aumento dos custos de produção, o elevado preço dos combustíveis, a necessidade de apoios adequados aos cereais de sequeiro e as restrições associadas à Rede Natura 2000.

Reivindicações apresentadas na CCDR

Em comunicado, a associação adiantou que reuniu com a vice-presidência da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, onde expôs «preocupações e reivindicações» do sector. Entre os pontos centrais apresentados esteve a questão do custo de produzir cereais de sequeiro, um cultivo tradicional na região cuja rentabilidade tem sido afectada pelo aumento das despesas de exploração.

Sobre o gasóleo agrícola, a APROSERPA rejeita medidas improvisadas e exige um mecanismo «automático e previsível» de estabilização do preço do gasóleo, acompanhado por «uma componente energética específica» para culturas como os cereais de sequeiro. A associação sublinha que as intervenções feitas apenas depois de os aumentos já terem atingido as explorações não resolvem o problema de planeamento que hoje aflige os produtores.

«O sector agrícola necessita de previsibilidade para semear, produzir e alimentar os animais. Não pode tomar decisões de campanha sem saber qual será o custo de uma das suas principais fontes de energia».

Diálogo institucional, mas preocupação no terreno

A APROSERPA afirma ter privilegiado o «diálogo institucional», tendo preparado números, documentação e propostas antes de procurar a administração regional. A organização diz que foi ouvida e agora espera respostas, mas lembra que, enquanto essas respostas não chegam, os agricultores «continuam todos os dias» a abastecer tratores, a alimentar animais e a suportar o custo de produzir.

Estas palavras traduzem uma sensação de urgência entre quem trabalha a terra: a necessidade de previsibilidade para planear campanhas e tomar decisões agrícolas que dependem de custos energéticos e de preços de referência para os cereais.

Rede Natura 2000 e territórios abrangidos

Na reunião com a CCDR, a APROSERPA apresentou também um trabalho sobre a Rede Natura 2000 e outras áreas classificadas da margem esquerda do Guadiana. O estudo cobre territórios conhecidos dos agricultores locais, como o Vale do Guadiana, a Serra de Serpa, Ficalho e as áreas de Moura/Barrancos.

A associação colocou questões sobre a «proporcionalidade» das medidas de conservação e as suas consequências para a actividade agrícola nesses territórios, pedindo que as restrições sejam enquadradas de forma a não comprometer a viabilidade das explorações locais.

  • Custos de produção dos cereais de sequeiro: preocupação central da APROSERPA.
  • Gasóleo agrícola: pedido de mecanismo automático e previsível de estabilização de preços.
  • Rede Natura 2000: exigência de proporcionalidade nas restrições que afectam a margem esquerda do Guadiana.
Assunto Exigência da APROSERPA
Custos de produção Reconhecimento do custo real dos cereais de sequeiro
Gasóleo agrícola Mecanismo automático e previsível, com componente energética
Rede Natura 2000 Proporcionalidade das restrições nas áreas classificadas

O impacto destas matérias extravasa o circuito económico agrícola e toca na sustentabilidade das populações rurais, na gestão dos territórios e nas decisões de futuro dos explotadores. Em Serpa, onde a agricultura é matriz da paisagem e da vida comunitária, qualquer alteração nas condições de produção traduz-se rapidamente em preocupações sobre rendimento, emprego e demografia local.

Enquanto a APROSERPA aguarda respostas formais da administração regional, os agricultores continuam a lidar com a realidade quotidiana: sem previsibilidade nos custos energéticos, torna‑se difícil definir estratégias de sementeira, rotação de culturas ou investimento em infraestruturas de apoio à produção.

Na planície alentejana, entre olival, campos de trigo e pastagens, a chamada por medidas estáveis e planeadas reflecte uma ansiedade mais ampla sobre como conciliar políticas ambientais, apoio público e a economia real das explorações familiares e empresariais. A espera por soluções — e a capacidade das instituições responderem de forma concreta — será decisiva para o futuro imediato da agricultura em Serpa e na margem esquerda do Guadiana.

Teresa Mestre Chaves
Teresa IA Correspondente no Alentejo online

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