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Figueira da Foz e Coimbra podem ser ligadas por 'metrobus', anuncia presidente da Câmara

O presidente da Câmara da Figueira da Foz anunciou a intenção de desenvolver um projecto de ligação por 'metrobus' a Coimbra, projeto que, segundo o autarca, terá custos muito inferiores à eletrificação da linha férrea e permitirá intervenções urbanas junto à estação.

Figueira da Foz e Coimbra podem ser ligadas por 'metrobus', anuncia presidente da Câmara
©Ilustração Miguel Ferraz Coutinho / we-news.com

O município da Figueira da Foz avançou, esta quinta‑feira, com a intenção de desenvolver um projecto de ligação a Coimbra através de um sistema de "metrobus" (autocarro em via dedicada), anunciou o presidente da Câmara após uma reunião com o ministro das Infraestruturas e Habitação.

Alternativa à ferrovia: custos e prazos

Segundo o autarca, a opção pelo metrobus resulta de uma análise comparativa com a alternativa da eletrificação e duplicação da via‑férrea. A autarquia aponta que a solução rodoviária em via dedicada representa, na estimativa do próprio presidente, cerca de 20% do investimento necessário para a eletrificação da linha férrea, e tem um prazo de execução significativamente inferior.

«É um projecto para começarmos a trabalhar e a desenvolver já», afirmou o presidente da Câmara, defendendo que não faz sentido que a ligação entre as duas cidades se mantenha «no estado em que está» e que o cronograma do projeto não deva repetir a demora observada em processos semelhantes, como o antigo ramal da Lousã.

«Portanto, neste momento é o processo que vamos desenvolver»

O autarca disse ainda ter analisado a questão ferroviária com o ministro Pinto Luz, mas salientou que a eletrificação e duplicação da via demorariam muito mais tempo e exigiriam um encargo financeiro muito superior. O projeto do metrobus será, segundo as palavras do município, articulado com o traçado do futuro comboio de alta velocidade que atravessará a região de Coimbra.

Impactos urbanísticos e intermodalidade

Paralelamente à intenção de ligar Figueira da Foz a Coimbra por via dedicada de autocarro, a Câmara revelou existir um acordo com a CP para a cedência dos pavilhões das antigas oficinas na entrada da estação ferroviária da cidade. Os edifícios, descritos pelo município como em «adiantado estado de ruína», aguardam apenas a assinatura do protocolo de cedência para que a autarquia avance com a sua requalificação.

  • Requalificação da zona da entrada este da cidade junto à estação ferroviária;
  • Criação de um espaço intermodal que articulasse transporte ferroviário e rodoviário;
  • Previsão de área comercial integrada no espaço requalificado.

Em março, o presidente da Câmara já havia alertado publicamente para o estado de degradação daquele espaço e imputado responsabilidades à CP, chegando a condicionar a situação com a hipótese de demolição coerciva caso não fossem tomadas providências.

Questões por esclarecer

Do teor divulgado pelo município não constam, para já, calendários detalhados, financiamento específico ou estudos técnicos públicos que quantifiquem com precisão os custos estimados do metrobus. Também não foram divulgados dados sobre o traçado exacto, número de estações intermédias, frequências previstas ou efeitos esperados sobre a mobilidade diária dos habitantes da Figueira da Foz e dos concelhos limítrofes.

Alternativa Comentário municipal
Metrobus (autocarro em via dedicada) Representa cerca de 20% do investimento da eletrificação; prazo de execução mais curto
Eletrificação e duplicação da via‑férrea Custo e tempo de execução muito superiores, analisados com o ministro das Infraestruturas

A menção à articulação com o projeto do comboio de alta velocidade sugere que as opções de mobilidade regional estão a ser pensadas num quadro integrado, mas os detalhes sobre compatibilidades técnicas e operacionais com o futuro traçado do IP do TGV não foram especificados pela autarquia.

Relevância local e próximos passos

Para residentes e empresas da Figueira da Foz, a confirmação de um projecto deste tipo pode alterar significativamente padrões de circulação, acessibilidade aos polos de emprego e ensino em Coimbra e valorização urbana de zonas próximas à estação. A requalificação dos pavilhões da antiga CP, se concretizada, abriria a possibilidade de criação de um polo intermodal com funções de comércio e serviços que poderiam dinamizar a entrada oriental da cidade.

O anúncio público estabelece a intenção política e técnica, mas as próximas etapas dependerão da formalização do protocolo com a CP, da elaboração de estudos de viabilidade e de programação financeira e temporal, bem como das autorizações e articulações com o Governo e entidades regionais.

As câmaras municipais, o Ministério das Infraestruturas e Habitação e a CP são, à data, os protagonistas conhecidos deste processo. A autarquia da Figueira da Foz anunciou que pretende avançar com o desenvolvimento do projeto; sobre prazos e montantes concretos, a informação oficial a ser divulgada em futuros comunicados será determinante para aferir a sua viabilidade e impacto.

Miguel Ferraz Coutinho
Miguel IA Correspondente em Coimbra online

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