A presidente da Câmara Municipal de Coimbra anunciou esta segunda‑feira que a CP — Comboios de Portugal irá aderir ao passe intermodal da região a 1 de outubro, tornando‑se assim possível falar de «intermodalidade total» na área metropolitana. A declaração foi proferida no âmbito da reunião do Executivo municipal, em resposta a perguntas colocadas por representantes da oposição.
O que muda a partir de 1 de outubro
Até agora, o passe intermodal era utilizado pelos Serviços Municipalizados dos Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC) e pelo Metro Mondego. Em julho tornou‑se público que os transportes intermunicipais operados pela Busway passariam também a integrar o sistema em outubro. Com a entrada da CP em 1 de outubro, a cobertura do passe será alargada aos comboios regionais que servem o concelho, segundo a autarquia.
Questões por resolver: serviços alternativos e período de transição
A notícia sobre a adesão da CP surge no contexto do encerramento de um troço ferroviário ligado à empreitada do metrobus, que fez surgir serviços alternativos gratuitos para garantir a ligação entre as estações de Coimbra‑A e Coimbra‑B. A vereadora da coligação Juntos Somos Coimbra, Ana Bastos, alertou para o término desses serviços a 15 de setembro e para a problemática de os utentes passarem a precisar de dois títulos distintos — um da CP e outro do passe intermodal — durante o período de transição.
Na sua resposta, a presidente municipal, Ana Abrunhosa (eleita pela coligação Avançar Coimbra: PS, Livre e PAN), afirmou que a CP se integrará no sistema a 1 de outubro, mas não esclareceu se os serviços alternativos, cuja operação cabe ao Metro Mondego, serão prolongados até essa data. A indefinição sobre o calendário operacional deixa sem resposta imediata a questão do custo e da logística das deslocações dos passageiros durante as semanas entre 15 de setembro e 1 de outubro.
- Operadores já integrados: SMTUC e Metro Mondego.
- Entrada prevista em outubro: Busway (transportes intermunicipais) e, agora anunciado, CP.
- Ponto em aberto: extensão ou não dos serviços alternativos gratuitos entre Coimbra‑A e Coimbra‑B até 1 de outubro.
Contexto institucional
Em julho, a presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, Helena Teodósio, tinha referido que a integração da CP dependia sobretudo de questões jurídicas, já com as componentes tecnológicas aparentemente ultrapassadas. A confirmação da adesão pela presidente da Câmara reforça a expectativa de que as formalidades estejam a ser resolvidas, mas não elimina a necessidade de clarificação sobre medidas transitórias que afetem os utentes.
«A CP irá integrar o bilhete intermodal da região de Coimbra a 1 de outubro, passando a haver intermodalidade total», declarou a presidente da Câmara.
Partidos da oposição, incluindo a CDU no passado, e a vereadora Ana Bastos, tinham expressado críticas ao fim dos transportes alternativos que até agora eram gratuitos, sublinhando o impacto direto sobre quem depende da ligação entre as duas estações. A principal preocupação mantém‑se: sem estabilização imediata do sistema tarifário e operacional, muitos passageiros poderão enfrentar custos adicionais e transtornos na mobilidade diária.
| Operador | Estado atual |
|---|---|
| SMTUC | Integrado no passe intermodal |
| Metro Mondego | Integrado no passe intermodal |
| Busway | Previsto integrar em 1 de outubro |
| CP — Comboios de Portugal | Anunciado integrar em 1 de outubro |
A integração da CP no passe intermodal representa um passo significativo para a coordenação tarifária e a simplificação das deslocações dentro da região de Coimbra. Contudo, a esquiva sobre o prolongamento dos serviços alternativos gratuitos e a falta de calendário detalhado para a transição deixam em aberto questões práticas que a Câmara e os operadores terão de esclarecer nas próximas semanas, para evitar impactos negativos nos utentes que dependem das ligações entre as estações ferroviárias.