Uma comitiva de jornalistas do interior do Rio Grande do Sul realizou, na última quinta e sexta-feira, uma agenda técnica no Rio de Janeiro para acompanhar avanços em saneamento operacionalizados pela Águas do Rio. A visita — que incluiu acompanhamento em campo de projetos de recuperação ambiental, ações comunitárias e a operação do Centro de Operações Integradas (COI) — teve como objetivo mapear práticas que possam ser replicadas pela Corsan, concessionária do Rio Grande do Sul controlada pelo mesmo grupo que administra a Águas do Rio desde julho de 2023.
Operação 24 horas e monitoramento intensivo
No COI da Águas do Rio, descrito pela empresa como o maior centro da América Latina voltado ao saneamento básico, a delegação conheceu ferramentas de monitoramento e controle que funcionam de forma contínua. Segundo a apresentação técnica, a estrutura opera 24 horas por dia e processa cerca de 73 mil informações simultâneas, conciliando dados de sensores, satélites e válvulas inteligentes para detecção de perdas, controle de pressão e antecipação de problemas.
A integração de tecnologia e dados foi destacada como elemento central para reduzir desperdício, otimizar o abastecimento e planejar intervenções. Técnicos mostraram como o uso de sensores e análises permite direcionar equipes de campo com maior precisão e reduzir o tempo de resposta a vazamentos ou interrupções.
Projetos em comunidades e recuperação ambiental
Além do COI, a comitiva visitou áreas onde as ações da concessionária visam à melhoria da infraestrutura e à recuperação ambiental. Entre os locais, chamou atenção o trabalho no Complexo da Mangueira, onde vivem cerca de 100 mil moradores e que vem recebendo investimentos em redes e atendimento sanitário.
Durante as visitas, jornalistas acompanharam iniciativas de inclusão social ligadas às obras de saneamento, conversaram com biólogos e técnicos sobre as mudanças observadas na qualidade da água e na biodiversidade e verificaram projetos que buscam envolver moradores nas rotinas de manutenção e conservação.
Resultados percebidos e necessidades de tempo e investimento
O roteiro reforçou a ideia de que saneamento não se resume a abrir valas e instalar tubulações. Como ressaltaram os técnicos, obras estruturantes de abastecimento e tratamento exigem tempo, planejamento e investimento. Quando entram em operação, no entanto, os efeitos se manifestam na saúde pública, na economia local e na recuperação dos ambientes naturais.
A experiência acumulada pela Águas do Rio — citada no encontro como mais de cinco anos de atuação em projetos de saneamento no estado — foi apresentada como fonte de aprendizado para o Rio Grande do Sul, que vive o processo de integração entre modelos operacionais e gestão após a mudança de controle acionário da Corsan.
Agenda da visita
- Visita ao Centro de Operações Integradas (COI) — monitoramento 24h e 73 mil dados em tempo real.
- Acompanhamento de projetos de recuperação ambiental em áreas urbanas e perímetros lacustres.
- Contato com ações comunitárias e programa de inclusão social em favelas, com foco no Complexo da Mangueira.
- Reuniões com biólogos e técnicos para avaliar impactos ambientais e operacionais.
Durante a agenda, a comitiva esteve em pontos simbólicos do Rio, como a Lagoa Rodrigo de Freitas, onde práticas de saneamento e recuperação das margens foram demonstradas como parte da reabilitação ambiental em áreas urbanas de grande visibilidade.
| Item | Dados citados |
|---|---|
| Tempo de atuação da Águas do Rio | 5 anos |
| Capacidade de monitoramento do COI | 73 mil informações em tempo real |
| População do Complexo da Mangueira | ~100 mil moradores |
Contexto e desdobramentos
A troca de experiências entre estados é buscada em razão da recente alteração no controle da Corsan, em que o mesmo grupo que administra a Águas do Rio passou a ter influência nas operações do Rio Grande do Sul desde julho de 2023. As visitas técnicas funcionam como troca de conhecimento sobre protocolos operacionais, tecnologia e engajamento comunitário, com vistas a adaptar soluções locais para realidades diversas.
Especialistas consultados durante a agenda reforçaram a necessidade de políticas de longo prazo e de investimento contínuo para que ganhos ambientais e de saúde pública sejam sustentáveis. A experiência do Rio, segundo apresentadores, combina avanços tecnológicos no COI com ações em campo que promovem adesão da população às mudanças de infraestrutura.
O intercâmbio entre equipes técnicas e jornalistas do interior do Rio Grande do Sul busca tornar mais transparente o processo de adaptação e replicação de práticas, oferecendo à sociedade informações sobre como e quando os resultados do saneamento se tornam visíveis no cotidiano das comunidades atendidas.
Reportagem e acompanhamento da agenda foram realizados por uma comitiva de veículos do interior gaúcho, incluindo o Grupo Folha do Mate, que detalhou, entre outras atividades, a apresentação das operações e os impactos observados nas áreas visitadas.