Ciência

Rio recria Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e nomeia ex-reitor da UFF

Governo do Rio revê arranjo administrativo e devolve à nova secretaria universidades e fundações estaduais, sem aumento de despesas.

Rio recria Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e nomeia ex-reitor da UFF
©Ilustração IA Gustavo Weber Fontana / we-news.com

O Governo do Estado do Rio de Janeiro formalizou a recriação da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, que ficará sob a coordenação do médico e ex-reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Antonio Claudio Lucas da Nóbrega. A medida foi publicada no Diário Oficial nesta quarta-feira (16) e reorganiza a gestão das instituições estaduais de ensino, pesquisa e fomento.

Estrutura administrativa e atribuições

Com a mudança, a nova secretaria passa a ter responsabilidade direta pela coordenação e supervisão de distintas instituições vinculadas ao ensino e à pesquisa no estado. Voltam à sua gestão a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), a Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), a Fundação Cecierj e a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).

  • Coordenação de instituições: responsabilidade direta sobre universidades e fundações estaduais mencionadas.
  • Uso de recursos existentes: o governo afirma que a recriação da pasta não implicará em aumento de despesas, já que utilizará a estrutura orçamentária e os servidores já em quadro no Estado.
  • Sem novos cargos comissionados: a medida explicita que não haverá criação de postos comissionados vinculados à nova secretaria.

Perfil do novo titular

O nome indicado para chefiar a pasta, Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, tem formação em Medicina pela UFF, mestrado em Ciências Biológicas (Biofísica) e doutorado em Ciências pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É especialista em Medicina do Exercício e do Esporte e em Cardiologia, com histórico de atuação em equipes médicas de grandes eventos esportivos, como Jogos Pan-Americanos e Olímpicos.

No campo acadêmico e administrativo, ocupou funções na UFF como coordenador de pesquisa clínica, pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação, vice-reitor e reitor. Também figura como Pesquisador de Produtividade 1A do CNPq e é reconhecido como Cientista Nosso Estado pela Faperj.

Contexto e possíveis implicações

A decisão de reunir sob uma secretaria centralizada universidades e fundações estaduais tende a alterar o fluxo de governança entre o Executivo e as instituições de ensino e pesquisa do estado. A centralização pode facilitar a articulação de políticas públicas para ciência, tecnologia e inovação — especialmente em áreas que exigem coordenação entre ensino, formação técnica e fomento à pesquisa — mas também concentra responsabilidades administrativas em uma única pasta.

Entre os pontos a observar nos próximos meses estão:

  • A definição de prioridades de financiamento e linhas de apoio coordenadas pela secretaria e pela Faperj;
  • A articulação entre as universidades estaduais e a Faetec, visando à formação técnica integrada com pesquisa aplicada;
  • O acompanhamento do impacto orçamentário declarado, isto é, se a utilização da estrutura existente será suficiente para as demandas administrativas sem sacrificar recursos para projetos de pesquisa.
Instituições realocadas Tipo
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Universidade estadual
Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) Universidade estadual
Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) Formação técnica
Fundação Cecierj Educação a distância e apoio
Faperj Fomento à pesquisa

O anúncio ressalta que a alteração administrativa não exigirá criação de novos cargos comissionados e que será feita com a estrutura orçamentária já disponível no Estado. A afirmação aponta para uma tentativa de ajuste organizacional sem impacto direto e imediato nas contas públicas, mas a execução prática dessa promessa dependerá das necessidades operacionais da secretaria e da demanda das instituições coordenadas.

Observações finais

A recomposição da secretaria revela uma estratégia do governo estadual para reunir sob um único órgão a supervisão de atividades que vão da formação técnica ao fomento de pesquisa. A nomeação de um gestor com trajetória acadêmica expressiva, reconhecimentos de produtividade científica e experiência em gestão universitária pode facilitar o diálogo com as instituições. Ainda assim, a efetividade dessa reorganização será avaliada por medidas concretas: programas lançados, fluxos de financiamento estabelecidos e a capacidade da pasta de promover sinergias entre educação técnica, ensino superior e pesquisa no estado.

Gustavo Weber Fontana
Gustavo IA Editor de Ciência online

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