A união de produtores do Caparaó, que abrange municípios do Espírito Santo e de Minas Gerais, terá representação única na Semana Internacional do Café (SIC) por meio de um estande exclusivo voltado à Denominação de Origem (DO) Caparaó. A iniciativa integra desdobramentos do projeto Governança sem Fronteiras, desenvolvido pelo Sebrae-MG e Sebrae-ES com o objetivo de estruturar e fortalecer o turismo e a atividade cafeeira na região.
Integração administrativa e identidade comum
A proposta parte do reconhecimento de que, apesar da divisão administrativa entre os dois estados, existe uma identidade construída historicamente entre produtores, território e cultura do café no Caparaó. Para técnicos envolvidos no projeto, a presença conjunta na SIC representa um avanço prático desse entendimento e uma oportunidade de visibilidade no principal evento do mercado de cafés especiais do país.
"É uma região única. Existem as questões geopolíticas, o que é considerado Caparaó capixaba e Caparaó mineiro, mas o que buscamos é alinhar esse pertencimento ao Caparaó, à região do Caparaó"
A declaração é de Leonardo Ferreira dos Santos, analista técnico do Sebrae-ES, que avalia a estratégia como uma forma de fortalecer a apresentação e a comercialização dos cafés que pertencem à DO.
Objetivos práticos da participação conjunta
Além da exposição dos grãos, a ação prevista na SIC incorpora uma série de capacitações voltadas à profissionalização dos produtores e à conformidade legal dos produtos. Segundo o material do projeto, as frentes de trabalho incluem gestão, marketing, comunicação e adequação de embalagens às exigências legais, pontos considerados essenciais para acessar mercados mais exigentes.
- Exposição unificada dos cafés da DO Caparaó;
- Capacitação em gestão e marketing para produtores;
- Padronização e adequação de embalagens e rotulagem;
- Fortalecimento da identidade territorial e do turismo local.
A expectativa é reunir, em um único espaço, produtores dos dois estados mais preparados para negociar e prospectar compradores, utilizando comunicação e identidade visual comuns.
Gestão da DO e papel dos produtores
A Associação dos Produtores de Cafés Especiais do Caparaó (Apec) é a entidade gestora da DO. A diretora-presidente da Apec, Cecília Nakao, ressalta que a atuação conjunta foi, desde o início, um pilar da construção da origem. Para a associação, não há distinção entre Caparaó capixaba e Caparaó mineiro quando se trata da DO: trata-se de um território integrado e de produtores que compartilham a mesma identidade.
Essa visão coletiva é vista como elemento decisivo para consolidar a marca DO Caparaó no mercado de cafés especiais, que valoriza a rastreabilidade, o vínculo com o terroir e práticas sustentáveis de produção.
Impacto regional e oportunidades
Para as comunidades do interior do Espírito Santo, a estratégia representa oportunidades econômicas e turísticas. A visibilidade na SIC, evento que reúne compradores, torrefadores e imprensa especializada, pode abrir portas para contratos de fornecimento, vendas diretas e parcerias com mercados externos, além de contribuir para o fortalecimento do turismo rural no entorno do Parque Nacional do Caparaó e áreas próximas.
O projeto Governança sem Fronteiras, ao promover ações coordenadas entre Sebrae-MG e Sebrae-ES, busca também fortalecer a cadeia de valor local: desde a formação técnica de produtores até iniciativas que favoreçam a comercialização com identidade territorial consolidada.
| Ator | Função |
|---|---|
| Sebrae-ES e Sebrae-MG | Coordenação do projeto e capacitações |
| Apec (Associação) | Gestão da Denominação de Origem |
| Produtores do Caparaó | Fornecimento e apresentação dos cafés |
Sem informações divulgadas sobre a programação completa na SIC, a articulação entre os estados já é apontada por técnicos e dirigentes como um passo estratégico para fortalecer o posicionamento do Caparaó no segmento de cafés especiais. Para os produtores, a atuação conjunta visa não só ganhos de mercado, mas também a preservação de uma identidade comum que atravessa limites estaduais.
O movimento confirma a relevância do agronegócio capixaba, que, aliado a iniciativas de governança e promoção, busca ampliar sua presença em feiras e eventos nacionais, valorizando as características locais e as comunidades rurais responsáveis pela produção.
Reportagem de apuração local aponta que a iniciativa deverá repercutir em negociações futuras e na promoção do turismo ligado ao café, beneficiando pequenos e médios produtores que compõem a DO.