Em um pequeno curral no Sítio Rô, município de Rio Novo do Sul, no Sul do Espírito Santo, o rádio funciona como parte da rotina de manejo: há cerca de 15 anos o produtor rural Edson Michael Rohr mantém música tocando durante a ordenha e observa reflexos positivos no comportamento e na produção do rebanho.
Rotina sonora no curral
Segundo registro do produtor, cerca de 30 vacas convivem com estilos que vão do forró e sertanejo à música clássica e ao pop rock enquanto são manejadas. Rohr relata que os animais demonstram mais tranquilidade diante de visitas ou ruídos estranhos, mantendo-se concentrados no som durante a ordenha.
“As vacas ficam mais calmas, a música ajuda bastante. Quando chega alguém diferente ou tem algum barulho, permanecem tranquilas. Parece que ficam concentradas no som”, disse Rohr.
Explicação técnica: hormônios e comportamento
O efeito observado pelo produtor encontra respaldo parcial em explicações técnicas. O zootecnista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo, Gercílio Alves de Almeida, afirma que ambientes previsíveis e sons familiares favorecem a liberação de ocitocina, hormônio diretamente ligado à descida do leite durante a ordenha. Em contrapartida, estímulos adversos — como motores barulhentos, latidos, gritos ou objetos caindo — podem provocar elevação da adrenalina, assustando os animais e dificultando a ordenha.
O especialista ressalta que a rotina tem papel mais relevante que o gênero musical em si, embora músicas suaves tendam a provocar resposta comportamental mais favorável.
Impacto na produção
Rohr cita exemplos práticos do efeito: uma vaca da propriedade, chamada Luana e da raça girolanda, chega a produzir cerca de 200 litros por semana. O relato vincula a prática sonora à melhora na calma do rebanho, o que, por consequência, poderia refletir em maior eficiência na ordenha.
| Item | Valor / Observação |
|---|---|
| Tempo com rádio no curral | ~15 anos |
| Número de animais | ~30 vacas |
| Vaca citada | Luana (girolanda) — ~200 litros/semana |
Implicações para o agronegócio capixaba
A prática relatada no Sítio Rô sugere medidas de manejo com baixo custo que podem ser adotadas por produtores da região. No Espírito Santo, onde a pecuária leiteira integra cadeias produtivas locais e influencia movimentos logísticos até os portos para escoamento e insumos, iniciativas que aumentem a eficiência e bem-estar animal merecem atenção técnica e são de interesse das comunidades rurais.
- Ambiente previsível favorece liberação de ocitocina e facilita ordenha.
- Estímulos adversos elevam adrenalina e podem reduzir a eficiência da ordenha.
- Rotina e conforto importam mais que o gênero musical, embora músicas suaves tendam a ser melhores.
Considerações finais
O relato de Rio Novo do Sul é um exemplo de como práticas simples no cotidiano do campo podem refletir em resultados produtivos e no bem-estar do rebanho. Produtores interessados em testar abordagens similares devem considerar a consistência da rotina e a observação dos animais para avaliar respostas individuais. Para intervenções mais amplas, recomenda-se buscar orientação de técnicos e de instituições como a Universidade Federal do Espírito Santo, que podem fornecer suporte com base em estudos sobre comportamento animal e manejo leiteiro.
Em um Estado onde o agronegócio e a operação dos portos se interconectam para impulsionar a economia local, iniciativas que aumentem a produtividade e o cuidado com os animais ajudam também a sustentar as comunidades do interior e a cadeia de valor capixaba.