A Polícia Federal (PF) realizou, na segunda‑feira (10), diligências em Alagoas e em São Paulo no âmbito de inquérito que apura movimentações financeiras e eventuais irregularidades envolvendo investimentos do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) no Banco Master. A investigação concentra‑se em duas aplicações que somam R$ 97 milhões.
Medidas judiciais e apoio institucional
Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão, expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A operação contou com apoio técnico da Controladoria‑Geral da União (CGU), segundo documento judicial associado ao caso.
Além das apreensões, a decisão judicial determinou o sequestro e o bloqueio de bens e valores dos investigados em montante de até R$ 97 milhões, medida destinada a garantir a reparação de possíveis danos aos cofres públicos e a preservação de provas. As ações incluíram buscas nas sedes do próprio Iprev e na consultoria Crédito & Mercado.
Quem são os alvos
A investigação aponta pessoas que ocupavam cargos de direção e de assessoramento técnico no período em que ocorreram os aportes. Entre os nomes listados no mandado constam:
- Ronnie Reyner Teixeira Mota – então diretor‑presidente do Iprev;
- Gustavo Antônio Rodrigues de Souza – coordenador‑geral de Investimentos do Iprev;
- Renan Foglia Calamia – dirigente e indicado como interlocutor técnico da Crédito & Mercado;
- Marília Alexandre de Lima Alves – vinculada à Secretaria Municipal da Fazenda de Maceió;
- Marcelo Brasileiro Santos – participava do Comitê de Investimentos do Iprev;
- João Felipe Alves Borges – integrava o Conselho de Administração do Iprev.
Natureza das suspeitas
De acordo com a decisão judicial, as aplicações realizadas pelo instituto teriam ultrapassado, de forma expressiva, os limites previstos na política anual de investimentos do Iprev. A consultoria Crédito & Mercado é apontada como participante do processo de credenciamento e validação de análises, o que motivou questionamentos sobre uma possível terceirização indevida de competências administrativas do instituto.
“terceirização indevida da competência administrativa do Iprev”
O bloqueio de bens e valores tem por objetivo assegurar eventual ressarcimento e evitar dilapidação do patrimônio em apuração preliminar que envolve irregularidade em decisões de alocação de recursos públicos de regime próprio de previdência social municipal.
Vínculo com o Banco Master
As aplicações em análise dizem respeito a papéis do Banco Master, instituição fundada por Daniel Vorcaro. A investigação busca esclarecer se houve favorecimento ou desrespeito às normas internas do Iprev ao autorizar os aportes, bem como o papel de consultores e dirigentes no processo decisório.
Possíveis desdobramentos
As medidas adotadas pela PF e pela autoridade judicial podem resultar em desdobramentos administrativos e criminais, a depender das evidências coletadas durante as buscas e da análise dos documentos apreendidos. Entre as hipóteses previstas no ordenamento jurídico estão:
- Abertura de ação penal, caso haja indícios robustos de crimes como peculato, fraude ou improbidade administrativa;
- Ações civis de ressarcimento por eventuais prejuízos ao erário do Iprev;
- Suspensão de contratos ou recomendações de ajustes nas políticas de investimentos do instituto.
Transparência e presunção de inocência
Até o momento, as pessoas e entidades citadas como alvos da operação não tiveram todas as suas defesas publicadas. A investigação está em curso, e medidas cautelares como bloqueio de bens não constituem, por si só, prova de culpa. A reportagem buscou, sempre que cabível, posicionamentos dos órgãos e dos citados no processo.
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Valor em investigação | R$ 97 milhões |
| Mandados cumpridos | 8 (Alagoas e São Paulo) |
| Autoridade que determinou diligências | Ministro André Mendonça (STF) |
| Apoio técnico | Controladoria‑Geral da União (CGU) |
O caso será acompanhado pelas instâncias competentes de controle e pelo Judiciário. Para os servidores e beneficiários do Iprev, as autoridades ressaltam a importância de garantir a continuidade dos pagamentos e a estabilidade do regime próprio de previdência social municipal enquanto se apuram as responsabilidades.