Denúncia familiar leva à prisão do suspeito
Um homem foi à Polícia Civil do Rio de Janeiro para denunciar o próprio filho depois de reconhecer o jovem em imagens de um assalto que vitimou uma estudante em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O suspeito foi identificado como Alisson da Cruz Aleixo, 26 anos. Segundo a investigação, ele havia deixado o sistema penitenciário recentemente e utilizou o carro do pai para cometer o crime.
Como ocorreu o crime
As imagens de câmeras de segurança mostram a abordagem à estudante, que estava com o uniforme escolar e a caminho da escola. A vítima tentou impedir a subtração do telefone, mas o assaltante exigiu a senha do aparelho e ofendeu a jovem antes de fugir. A partir das gravações, os investigadores conseguiram identificar a placa do veículo usado na ação e seguiram até o endereço cadastrado do proprietário.
Reconhecimento e depoimento
Ao chegar ao local, os policiais constataram que o dono do carro estava internado em um hospital — segundo relatos, ele passou mal ao reconhecer o filho nas imagens do roubo. Ainda no mesmo dia, o homem compareceu à delegacia para formalizar a denúncia contra o jovem. Em depoimento, explicou que havia comprado o automóvel para que o filho trabalhasse como motorista de aplicativo e tentasse reconstruir a vida depois de cumprir aproximadamente dois anos de prisão por roubo.
"A imagem real gravada pelas câmeras de segurança foi processada por uma ferramenta de inteligência artificial"
Complicação: imagem gerada por inteligência artificial
A apuração da Polícia Civil enfrentou complicações quando circulou nas redes sociais uma fotografia adulterada por uma ferramenta de inteligência artificial. A imagem alterada apresentava feições semelhantes às de um morador sem qualquer relação com o caso, o que levou à repercussão e à necessidade de esclarecimentos.
- A fotografia gerada por IA levou um morador inocente a ir espontaneamente à delegacia para provar que não tinha envolvimento no crime.
- O delegado Márcio Esteves explicou que a versão da imagem havia sido processada por uma ferramenta de IA a partir da gravação original das câmeras.
- O suspeito apresentou-se à polícia acompanhado do pai e confessou o roubo, afirmando ter usado uma réplica de arma de fogo na abordagem.
Consequências e encaminhamentos
Após a confissão e o reconhecimento pela vítima, Alisson permaneceu preso à disposição da Justiça. A circulação da imagem manipulada nas redes sociais provocou impacto adicional: um cidadão inocente teve sua vida afetada e precisou comparecer à delegacia para esclarecer os fatos, evidenciando o risco de perícia equivocada e de linchamento virtual em investigações criminais.
| Item | Informação |
|---|---|
| Suspeito | Alisson da Cruz Aleixo, 26 anos |
| Local do crime | Duque de Caxias, Baixada Fluminense (Rio de Janeiro) |
| Recurso que dificultou investigação | Imagem adulterada por inteligência artificial |
| Encaminhamento | Suspeito preso e à disposição da Justiça |
O caso levanta duas questões centrais para a segurança pública e para políticas de enfrentamento à criminalidade no estado: a reincidência e a reinserção social de pessoas e o uso de tecnologias que podem distorcer evidências e prejudicar investigações. Moradores da Baixada e autoridades locais acompanham o desdobramento do caso, que reforça a atenção às redes sociais como vetor de desinformação e de danos colaterais a cidadãos inocentes.
As autoridades competentes não divulgaram, até o fechamento desta reportagem, detalhes sobre audiências, medidas cautelares aplicadas ou prazos processuais específicos referentes ao caso.