Ana Maria — ouça-se, a paciente identificada como Amanda Carolyne — convive há cerca de um ano com dor crônica, inchaço progressivo nas pernas e limitação para trabalhar enquanto aguarda um procedimento vascular considerado urgente por laudos médicos. Segundo documentos apresentados à reportagem, exames indicaram obstrução de 90% em uma veia da perna e a necessidade de implantação de quatro stents. Apesar de uma decisão judicial favorável, o procedimento ainda não foi realizado.
Histórico do caso e mobilização judicial
De acordo com o relato da paciente e com documentos médicos obtidos, Amanda passou por diversas consultas, exames e internações até chegar ao diagnóstico que exige intervenção endovascular. Em um dos episódios, ela ficou internada por sete dias em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e, posteriormente, foi transferida para o Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió.
Sem condições financeiras para custear a cirurgia, a família buscou assistência da Defensoria Pública de Alagoas. Em 29 de julho de 2026, a Justiça determinou que o Estado providenciasse ou custeasse o procedimento no prazo de 15 dias. O sistema judicial registrou o vencimento desse prazo em 21 de agosto, mas, conforme a paciente informou à reportagem, a cirurgia ainda não foi realizada.
Quadro clínico e cuidados paliativos
Enquanto aguarda a intervenção, Amanda faz uso diário de anticoagulantes e utiliza meias de compressão para tentar controlar os sintomas. O inchaço evoluiu para áreas como virilha e abdome, e veias mais dilatadas passaram a ser visíveis nas pernas, segundo os documentos médicos apresentados.
O atraso na realização do procedimento preocupa tanto do ponto de vista clínico quanto social: além do desconforto e da dor, a paciente relata dificuldades para trabalhar, o que afeta sua renda e a dinâmica familiar — ela é mãe de dois filhos e vive com o esposo Jefferson.
Riscos associados ao adiamento da intervenção
Especialistas consultados por fontes médicas não ligadas a este caso explicam que obstruções venosas significativas podem aumentar o risco de trombose, dor crônica, insuficiência venosa e infecções de pele. Procedimentos com implante de stents visam restabelecer o fluxo sanguíneo e reduzir essas complicações; porém, quanto mais longo o período de espera, maior pode ser o risco de deterioração clínica.
Documentos e prazos — cronologia
| Evento | Data |
|---|---|
| Decurso dos sintomas e primeiros atendimentos | Último ano (permanente) |
| Decisão judicial determinando que o Estado custeie a cirurgia | 29/07/2026 |
| Vencimento do prazo judicial | 21/08/2026 |
| Estado intimado | Posterior à decisão (registro do sistema) |
O que a paciente e a família relatam
Segundo Amanda, profissionais que a atenderam no hospital informaram que se tratava de um procedimento de alto custo e que a permanência hospitalar poderia ser prolongada sem garantia de realização do tratamento, o que aumentaria o risco de infecções. Em busca de solução, o próprio médico teria sugerido a procura pela Defensoria Pública.
“Sem condições financeiras para pagar pelo procedimento, a família procurou a Defensoria Pública de Alagoas.”
Orientações e contexto sobre o acesso a procedimentos pelo SUS
Quando um tribunal determina que o Estado forneça ou custeie um tratamento, a administração pública tem o dever de cumprir a decisão; o descumprimento pode ensejar medidas como multas, diligências do Ministério Público e novas ordens judiciais. Pacientes em situação semelhante devem:
- Manter cópias de todos os laudos, relatórios médicos e da decisão judicial;
- Formalizar comunicação ao hospital e à Secretaria de Saúde do estado apontando a determinação judicial;
- Informar à Defensoria ou ao advogado responsável sobre qualquer atraso para que se avaliem medidas executórias.
Impacto local e demanda por transparência
Casos como o de Amanda colocam em evidência desafios persistentes no acesso a procedimentos especializados pela rede pública em Alagoas, incluindo a necessidade de agilização de filas, melhor coordenação entre hospitais e atenção às situações que exigem decisão judicial. Defensoria Pública, Estado e hospitais têm papel central para assegurar que determinações judiciais se traduzam em atendimento efetivo e tempestivo.
A reportagem procurou a Defensoria Pública e a Secretaria de Saúde do Estado para obter informações sobre o cumprimento da decisão e prazos de agendamento, mas até a publicação não houve retorno oficial. Atualizaremos a matéria assim que houver manifestação dos responsáveis.