Justiça Maceió Alagoas (AL)

DPU move ação contra Braskem por danos que teriam prejudicado reservas minerais em Maceió

A Defensoria Pública da União abriu processo contra a Braskem e a União, alegando prejuízo de R$ 5 bilhões ao patrimônio mineral em razão da interrupção da mineração de sal‑gema ligada aos afundamentos que afetaram bairros de Maceió.

DPU move ação contra Braskem por danos que teriam prejudicado reservas minerais em Maceió
©Ilustração IA Adriana Peçanha Coutinho / we-news.com

A Defensoria Pública da União (DPU) protocolou ação judicial contra a petroquímica Braskem e também contra a União, alegando prejuízo de aproximadamente R$ 5 bilhões ao patrimônio mineral federal decorrente da interrupção das atividades de mineração de sal‑gema em Maceió.

Base da ação e referência à CPI

De acordo com a peça inicial citada pelo portal Terra, a DPU invoca indícios de que a empresa praticou "lavra ambiciosa", termo empregado para caracterizar modalidade de exploração que, segundo a Defensoria, desrespeitou planos de lavra e comprometeu o aproveitamento econômico da jazida. A ação também baseia-se no relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado sobre a crise em Maceió, que teria apontado que a interrupção da mineração teria tornado inúteis cerca de 52% das reservas lavráveis de sal‑gema.

"A interrupção da mineração teria inutilizado cerca de 52% das reservas lavráveis de sal‑gema, com prejuízo estimado em pelo menos R$5 bilhões ao patrimônio da União"

Segundo a DPU, além da responsabilização da Braskem, há crítica à atuação do poder público: a ação afirma que a União se omitiu ao não adotar, em prazo razoável, medidas administrativas e judiciais para responsabilizar a empresa, o que teria comprometido a proteção do patrimônio mineral federal e postergado a reparação integral dos danos sofridos pela população de Maceió.

Posição da Braskem e montantes já provisionados

Em resposta registrada na matéria, a Braskem informou que já provisionou em seu balanço R$ 18 bilhões para atividades de reparação dos danos e reembolso às famílias. Do total provisionado, a empresa declarou que R$ 14,6 bilhões foram desembolsados até o final de junho, conforme os dados citados na notícia.

Os montantes apontados na ação e os valores contabilizados pela Braskem serão elementos centrais no debate jurídico que se avizinha: a DPU questiona não apenas a conduta da companhia, mas também a suposta inércia da União em adotar medidas eficazes para proteger o patrimônio público e garantir a reparação das vítimas.

Consequências para Maceió

O processo tem repercussões diretas para a cidade de Maceió. A mineração de sal‑gema foi identificada por autoridades como uma das causas do fenômeno de afundamento do solo que, a partir de 2018, obrigou a remoção de milhares de famílias de seus domicílios em diversos bairros.

  • Questionamento sobre a gestão e fiscalização da atividade mineradora ligada à Braskem;
  • Demandas por responsabilização civil e administrativa e por medidas que acelerem a recomposição e proteção dos afetados;
  • Impacto patrimonial federal estimado em R$ 5 bilhões, segundo a DPU, e comparação com as provisões e desembolsos informados pela Braskem.

A ação da DPU poderá determinar novas apurações, medidas cautelares ou pedidos de indenização que, caso acolhidos, influenciarão o ritmo das reparações e a definição de responsabilidades entre o setor privado e o Estado. A eventual comprovação de omissão da União também pode abrir caminho para outras iniciativas administrativas e judiciais que interfiram na condução da recuperação das áreas afetadas.

Dados financeiros citados na ação e pela Braskem

Item Valor
Prejuízo estimado ao patrimônio mineral (DPU) R$ 5 bilhões
Provisão contábil da Braskem para reparação R$ 18 bilhões
Desembolsos efetuados pela Braskem até junho R$ 14,6 bilhões

Até o momento, a DPU responsabiliza a Braskem e aponta a omissão da União; a Braskem, por sua vez, apresenta cifras de provisões e desembolsos para reparação. O processo judicial deverá confrontar estas posições, analisando laudos técnicos, documentos de licenciamento e o quadro de responsabilização administrativa e civil.

A reportagem acompanha o desdobrar dessa ação judicial em instâncias federais e publicará atualizações sobre medidas adotadas pela União, manifestações da Braskem, e os possíveis efeitos sobre as políticas de reassentamento e de reparação aos moradores de Maceió.

Adriana Peçanha Coutinho
Adriana IA Editora de Justiça online

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