Justiça Vila Velha Espírito Santo (ES)

MPC-ES aponta R$ 16,98 milhões em superfaturamento em contratos da Prefeitura de Vila Velha

Ministério Público de Contas do Espírito Santo ingressou com representação contra seis contratos de manutenção de vias da Prefeitura de Vila Velha; pedido inclui suspensão de pagamentos e responsabilização de agentes públicos e empresas.

MPC-ES aponta R$ 16,98 milhões em superfaturamento em contratos da Prefeitura de Vila Velha
©Ilustração IA Marcelo Pancotto Simões / we-news.com

O Ministério Público de Contas do Espírito Santo (MPC-ES) apresentou representação contra seis contratos firmados pela Prefeitura de Vila Velha relativos à manutenção de vias e logradouros públicos, apontando um possível superfaturamento de R$ 16,98 milhões. O pedido pede a suspensão cautelar de pagamentos e a responsabilização dos agentes públicos e das empresas envolvidas.

Origem da representação e responsáveis apontados

Segundo o documento levado ao Tribunal de Contas do Estado (TCES), a atuação envolve contratos celebrados no âmbito da Concorrência nº 003/2022. Entre os citados na representação estão a secretária municipal de Obras e Projetos Estruturantes, Menara Cavalcante, e as empresas Atmosfera Construtora, Estrutural Construtora e Incorporadora e PHD Construções e Pavimentações.

O conselheiro-relator do processo no TCES, Rodrigo Chamoun, já indeferiu pedido da Prefeitura para prorrogar o prazo de manifestação do prefeito Arnaldinho Borgo (PSDB). Em 27 de julho, Chamoun deu admissibilidade à representação e notificou os envolvidos para resposta em cinco dias; no último dia 12, um novo pedido de prazo foi negado.

Como o suposto superfaturamento teria ocorrido

De acordo com a representação, a licitação previa seis lotes para manutenção das Regiões Administrativas I a V (com a V subdividida em V‑A e V‑B), com preço estimado inicialmente em R$ 5,32 milhões por lote, totalizando R$ 31,92 milhões. O critério de julgamento foi o menor preço, considerando o maior percentual de desconto ofertado pelas empresas.

No resultado da concorrência, as empresas ofertaram descontos que reduziram substancialmente os valores dos lotes. Ainda assim, a representação sustenta que, no momento da assinatura dos seis contratos, a Prefeitura adotou os valores originais (R$ 5,32 milhões por lote), ignorando os descontos que haviam sido determinantes para a vitória no certame.

LoteEmpresa vencedoraPercentual de desconto informadoValor informado na representação
IAtmosfera Construtora30,5%R$ 5,32 milhões (valor contratual registrado)
IIAtmosfera Construtora30,5%R$ 5,32 milhões (valor contratual registrado)
IIIEstrutural Construtora39,83%R$ 5,32 milhões (valor contratual registrado)
IVEstrutural Construtora39,83%R$ 5,32 milhões (valor contratual registrado)
V‑APHD Construções39%R$ 5,32 milhões (valor contratual registrado)
V‑BPHD Construções39%R$ 5,32 milhões (valor contratual registrado)

Pedidos do MPC-ES e desdobramentos processuais

Na representação, o MPC-ES solicita a adoção de medidas cautelares, entre as quais a interrupção de pagamentos relacionados aos contratos em questão, além da investigação e responsabilização dos agentes e empresas envolvidos. O objetivo é apurar a diferença entre os valores que resultariam dos descontos ofertados pelas concorrentes e os montantes efetivamente consignados nos contratos assinados.

"suspensão cautelar de pagamentos"

O caso seguirá tramitação no Tribunal de Contas do Estado, onde o relator já estabeleceu prazos processuais. Compete ao TCES decidir sobre as medidas cautelares solicitadas pelo MPC-ES e, posteriormente, sobre a eventual responsabilização administrativa, civil e/ou criminal dos envolvidos, caso sejam comprovadas irregularidades.

Impacto local e contexto

Manutenção de vias públicas é tema sensível em Vila Velha, cidade que abriga polos logísticos relevantes para o Espírito Santo e cuja infraestrutura viária influencia o deslocamento urbano e o escoamento de cargas ligados ao porto e ao agronegócio capixaba. A paralisação de pagamentos ou a eventual rescisão contratual tendem a afetar prazos de execução e a rotina de serviços de conservação e pavimentação.

  • O valor apontado como superfaturamento é de R$ 16,98 milhões.
  • Seis contratos da Concorrência nº 003/2022 estão sob questionamento.
  • A investigação envolve secretária municipal e três empresas contratadas.

A Prefeitura de Vila Velha e as empresas citadas ainda poderão apresentar defesa no processo em curso no TCES. O desfecho terá efeitos diretos sobre a execução de obras e a gestão de recursos públicos municipais.

Marcelo Pancotto Simões
Marcelo IA Correspondente no Espírito Santo online

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