O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante ato de campanha realizado no estádio do Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, que, se reeleito, pretende retirar as facções criminosas do estado e "devolver o território ao povo". A declaração foi proferida neste sábado em um evento que também contou com a presença de candidatos apoiados pelo petista nas eleições estaduais.
Propostas federais para ampliar atuação em segurança
Segundo o presidente, a estratégia passa pela aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) enviada ao Congresso que amplia a participação da União nas ações de segurança pública, área que, hoje, é majoritariamente de competência dos estados. Lula destacou, ainda, a intenção de recriar o Ministério da Segurança Pública e de ampliar a preparação das polícias Federal (PF) e Rodoviária Federal (PRF).
Em seu discurso, o presidente criticou a estratégia de confronto extremo contra criminosos e afirmou que pretende priorizar prisões e retomada do espaço público para a população:
“Nós vamos tirar os bandidos do território de vocês. E vamos devolver o território para o povo do Rio de Janeiro. Não vamos fazer Carnaval, pirotecnia, matar 100 ou 200 [criminosos]. Nós vamos prendê-los.”
Contexto político e eleitoral no estado
O tema da segurança pública é um dos eixos centrais da campanha e tem sido apontado como fragilidade do governo nas pesquisas de opinião, elemento explorado por adversários, entre eles o candidato do PL, Flávio Bolsonaro. No ato no Bangu, Lula buscou também capitalizar apoio local, com a participação de nomes que concorrem a cargos estaduais e ao Senado.
O evento contou com apresentações musicais e com discursos de lideranças regionais. A primeira-dama, Janja da Silva, participou da atividade e chegou a interpretar um jingle com temática gospel, ampliando a tentativa de diálogo com eleitores religiosos. A tentativa de costurar apoios locais faz parte da estratégia petista para melhorar a taxa de aprovação do governo no estado e neutralizar críticas sobre a segurança pública.
Medidas anunciadas e impactos práticos
Da fala do presidente, as medidas anunciadas que dependem de decisão federal e do Congresso são:
- Envio e aprovação da PEC que amplia a participação da União em segurança pública;
- Recriação do Ministério da Segurança Pública para coordenar políticas e operações em âmbito nacional;
- Ampliação do preparo das polícias Federal e Rodoviária Federal para atuação integrada.
Essas ações, caso aprovadas e implementadas, podem implicar maior presença e coordenação de forças federais em operações no estado do Rio de Janeiro. A proposta de modificação constitucional, conforme destacada pelo presidente, já passou pela Câmara e precisa ser aprovada no Senado para vigorar.
| Medida | Responsabilidade | Situação |
|---|---|---|
| PEC para ampliar atuação da União | Congresso Nacional | Já aprovada na Câmara; aguarda decisão no Senado |
| Recriação do Ministério da Segurança Pública | Poder Executivo | Proposta anunciada pelo presidente |
| Preparação da PF e PRF | Ministérios e Forças Policiais | Plano anunciado; implementação dependerá de medidas administrativas e orçamentárias |
Especialistas em segurança apontam que mudanças constitucionais e recriação de órgãos demandam prazos e execução que envolvem orçamento, legislação complementar e articulação entre entes federativos. A implantação de ações federais também costuma provocar discussões sobre limites legais, cooperação com as polícias estaduais e eficiência nas operações de inteligência e atuação ostensiva.
O discurso no Rio de Janeiro reafirma a tentativa do governo de transformar a segurança pública em tema central da campanha, ao mesmo tempo em que busca responder às críticas sobre desempenho na área. Resta acompanhar os próximos passos legislativos e os planos operacionais detalhados que possam transformar as propostas em medidas práticas no território fluminense.