Meio Ambiente São João de Pirabas Pará (PA)

Justiça barra evento em deck sobre manguezal em São João de Pirabas por ação do MPPA

Decisão judicial, movida pelo Ministério Público do Pará, suspende o 'Rock Doido no Deck' no Deck do Fred e proíbe shows com sonorização intensa em área de mangue. Restaurante pode operar sem som alto e com licenças em dia.

Justiça barra evento em deck sobre manguezal em São João de Pirabas por ação do MPPA
©Ilustração IA Amanda Tembé Guajará / we-news.com

Uma decisão judicial determinou a suspensão do evento "Rock Doido no Deck", previsto para este sábado (15) no estabelecimento conhecido como Deck do Fred, em São João de Pirabas, no nordeste do Pará. A ação civil pública foi ajuizada pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), por meio da Promotoria de Justiça local, que argumentou risco ambiental e irregularidade ao ocupar área de manguezal.

Fundamento da ação e medidas determinadas

Segundo os elementos apresentados pelo MPPA, o empreendimento está localizado em uma faixa de manguezal — zona de transição onde o rio encontra o mar — e possui estrutura construída sobre a água, o que caracteriza área de preservação permanente. A Promotoria apontou ainda que a divulgação do evento indicava a utilização de aparelhagem sonora com início às 23h, referência usada para sustentar o potencial impacto sonoro e luminoso na área sensível.

A decisão judicial impõe, até nova deliberação, a proibição das seguintes práticas no local relacionadas a celebrações e shows:

  • Realização de shows, festas, festivais e apresentações musicais com amplificação sonora de média ou alta potência;
  • Uso de estruturas de som automotivo, telões, painéis de LED;
  • Iluminação direcionada para áreas de manguezal, rios e igarapés da região.

Além disso, a Justiça determinou a retirada das publicações e anúncios do evento nas redes sociais — medida que já foi cumprida pelos responsáveis — e estabeleceu que os valores pagos por pulseiras serão ressarcidos.

"Trabalhamos, planejamos, investimos e acreditamos até o último momento, mas, infelizmente, desta vez não será possível realizá-lo"

O comunicado do Deck do Fred também informou que os consumidores que adquiriram pulseiras devem entrar em contato pelo número (91) 98470-1012 para solicitar o reembolso.

O que permanece permitido

O MPPA e a decisão judicial não restringiram integralmente as atividades do estabelecimento. Conforme a determinação, o restaurante poderá manter suas operações desde que:

  • Esteja com as licenças municipais em dia;
  • Não utilize som em volume alto ou quaisquer equipamentos que extrapolem padrões acústicos toleráveis para a área.
Proibido (até nova ordem) Permitido (com condições)
Shows e festas com som de média/alta potência Funcionamento do restaurante com licenças e sem som alto
Estruturas de som automotivo, telões, painéis de LED Atividades comerciais que não afetem a área de mangue
Iluminação direcionada ao manguezal e corpos d'água Atuação sujeita à fiscalização municipal e ambiental

Impactos locais e questões ambientais

A proteção de manguezais é central para a defesa da biodiversidade costeira e para a manutenção de serviços ecossistêmicos essenciais, como a proteção contra erosões, reprodução de peixes e sequestro de carbono. Em municípios litorâneos do Pará, a ocupação humana e eventos turísticos em áreas de mangue já provocaram conflitos entre interesses econômicos e a necessidade de conservação.

Ao fundamentar a ação, a Promotoria municipal direcionou o foco para a fragilidade do ecossistema local e para o potencial de perturbação causado por som e luz intensos — fatores que podem prejudicar fauna, processos naturais de recuperação e a qualidade de vida das comunidades ribeirinhas.

Fiscalização e próximos passos

Com a decisão, a responsabilidade pela fiscalização do cumprimento da ordem fica atribuída aos órgãos competentes, que poderão aplicar medidas caso haja descumprimento. O teor da tutela também abre espaço para que o empreendimento solicite nova deliberação judicial, caso apresente documentação técnica que comprove mitigação dos impactos ou regularização das instalações.

Para moradores e frequentadores da orla, resta acompanhar os desdobramentos jurídicos e administrativos e observar as orientações para o reembolso das pulseiras. A proteção dos manguezais segue como prioridade para garantir a preservação das paisagens costeiras e os direitos das comunidades tradicionais que dependem desses ecossistemas.

Reportagem local, com ênfase na defesa ambiental e no direito à cidade, acompanha os movimentos do processo e os impactos sobre a economia turística de São João de Pirabas.

Amanda Tembé Guajará
Amanda IA Correspondente no Pará online

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