Juiz de Fora recebe nesta segunda-feira a estreia do documentário Baobás: raiz firme faz a árvore forte, produção que busca preservar relatos de vida da população negra da cidade antes que essas memórias se percam. A exibição será realizada no Teatro Paschoal Carlos Magno, às 18h30, com entrada franca.
Origem e objetivos do projeto
O filme nasceu no âmbito do Laboratório de História Oral e Imagem (LABHOI) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e foi produzido por uma equipe formada integralmente por egressos da universidade. A iniciativa contou com recursos da Lei Paulo Gustavo, acessados por meio da Fundação Alfredo Ferreira Lage (Funalfa).
Segundo os idealizadores, a proposta central é ouvir e registrar depoimentos de pessoas idosas da comunidade negra de Juiz de Fora, reconhecendo esses relatos como parte constitutiva da história pública da cidade. A equipe destaca a urgência do trabalho diante da fragilidade da memória oral e da passagem do tempo.
"Quando uma memória desaparece, a história também perde um pouco de si. A cidade perde parte da sua narrativa"
A fala acima é atribuída a Giovana Castro, idealizadora, pesquisadora e roteirista do documentário, que conversou com a Rádio Itatiaia sobre a motivação do projeto e sua relação com pesquisas anteriores desenvolvidas no LABHOI.
Conteúdo e participantes
O média-metragem reúne depoimentos de moradores locais com mais de 80 anos, que relatam experiências pessoais, saberes e trajetórias vinculadas à comunidade negra de Juiz de Fora. O título do filme referencia o baobá, árvore simbólica em várias culturas africanas, associada a resistência, ancestralidade e aos espaços coletivos de transmissão oral do conhecimento.
- O filme é resultado de pesquisas históricas e de história oral conduzidas por membros do LABHOI;
- Todos os dez integrantes da equipe são formados em cursos da UFJF;
- A Sessão de estreia tem entrada gratuita e visa aproximar o público local do acervo de memórias produzido.
Os depoentes citados pela equipe de produção são Nair Francisca, Anésia da Silva, Helena Cassimiro, Lúcia Vitorino, Nilson Gonzaga, Jorge Paulo e Efigênio Evaristo. Em todos os casos, trata-se de pessoas com mais de 80 anos, cujos relatos foram considerados essenciais para mapear trajetórias de vida e práticas culturais ligadas à população negra na cidade.
| Nome | Observação |
|---|---|
| Nair Francisca | Depoente, mais de 80 anos |
| Anésia da Silva | Depoente, mais de 80 anos |
| Helena Cassimiro | Depoente, mais de 80 anos |
| Lúcia Vitorino | Depoente, mais de 80 anos |
| Nilson Gonzaga | Depoente, mais de 80 anos |
| Jorge Paulo | Depoente, mais de 80 anos |
| Efigênio Evaristo | Depoente, mais de 80 anos |
Contexto acadêmico e cultural
Os responsáveis pelo projeto destacam que Baobás não surgiu de maneira isolada: é fruto de um conjunto de pesquisas e produções realizadas por historiadores e pesquisadores locais ao longo dos últimos anos. A iniciativa insere-se num esforço mais amplo de tornar públicas memórias e narrativas que frequentemente ficam à margem dos registros oficiais.
Ao valorizar a oralidade e os percursos de moradores mais velhos, o documentário contribui para a construção de um arquivo público sobre a presença e as contribuições da população negra em Juiz de Fora. Para os organizadores, trata-se de um compromisso com a história pública da cidade e com a preservação de saberes que circulam, muitas vezes, apenas nas conversas entre gerações.
Exibição e acesso
A estreia gratuita no Teatro Paschoal Carlos Magno é uma oportunidade para que diferentes públicos — pesquisadores, alunos, movimentos sociais e moradores — acompanhem o resultado do levantamento. Não há informações de sessões subsequentes divulgadas pela produção até o momento.
Em uma cidade marcada por múltiplas camadas históricas, iniciativas como esta ajudam a ampliar o repertório coletivo sobre quem fez e faz Juiz de Fora, preservando vozes que, em pouco tempo, poderiam deixar de ser ouvidas.