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Juiz de Fora estreia documentário que registra memórias de idosos negros e reforça memória local

Produção vinculada ao LABHOI da UFJF estreia no Teatro Paschoal Carlos Magno com entrada gratuita; filme reúne depoimentos de moradores com mais de 80 anos e foi viabilizado por recursos da Lei Paulo Gustavo.

Juiz de Fora estreia documentário que registra memórias de idosos negros e reforça memória local
©Ilustração IA Eduardo Resende Villaça / we-news.com

Juiz de Fora recebe nesta segunda-feira a estreia do documentário Baobás: raiz firme faz a árvore forte, produção que busca preservar relatos de vida da população negra da cidade antes que essas memórias se percam. A exibição será realizada no Teatro Paschoal Carlos Magno, às 18h30, com entrada franca.

Origem e objetivos do projeto

O filme nasceu no âmbito do Laboratório de História Oral e Imagem (LABHOI) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e foi produzido por uma equipe formada integralmente por egressos da universidade. A iniciativa contou com recursos da Lei Paulo Gustavo, acessados por meio da Fundação Alfredo Ferreira Lage (Funalfa).

Segundo os idealizadores, a proposta central é ouvir e registrar depoimentos de pessoas idosas da comunidade negra de Juiz de Fora, reconhecendo esses relatos como parte constitutiva da história pública da cidade. A equipe destaca a urgência do trabalho diante da fragilidade da memória oral e da passagem do tempo.

"Quando uma memória desaparece, a história também perde um pouco de si. A cidade perde parte da sua narrativa"

A fala acima é atribuída a Giovana Castro, idealizadora, pesquisadora e roteirista do documentário, que conversou com a Rádio Itatiaia sobre a motivação do projeto e sua relação com pesquisas anteriores desenvolvidas no LABHOI.

Conteúdo e participantes

O média-metragem reúne depoimentos de moradores locais com mais de 80 anos, que relatam experiências pessoais, saberes e trajetórias vinculadas à comunidade negra de Juiz de Fora. O título do filme referencia o baobá, árvore simbólica em várias culturas africanas, associada a resistência, ancestralidade e aos espaços coletivos de transmissão oral do conhecimento.

  • O filme é resultado de pesquisas históricas e de história oral conduzidas por membros do LABHOI;
  • Todos os dez integrantes da equipe são formados em cursos da UFJF;
  • A Sessão de estreia tem entrada gratuita e visa aproximar o público local do acervo de memórias produzido.

Os depoentes citados pela equipe de produção são Nair Francisca, Anésia da Silva, Helena Cassimiro, Lúcia Vitorino, Nilson Gonzaga, Jorge Paulo e Efigênio Evaristo. Em todos os casos, trata-se de pessoas com mais de 80 anos, cujos relatos foram considerados essenciais para mapear trajetórias de vida e práticas culturais ligadas à população negra na cidade.

Nome Observação
Nair Francisca Depoente, mais de 80 anos
Anésia da Silva Depoente, mais de 80 anos
Helena Cassimiro Depoente, mais de 80 anos
Lúcia Vitorino Depoente, mais de 80 anos
Nilson Gonzaga Depoente, mais de 80 anos
Jorge Paulo Depoente, mais de 80 anos
Efigênio Evaristo Depoente, mais de 80 anos

Contexto acadêmico e cultural

Os responsáveis pelo projeto destacam que Baobás não surgiu de maneira isolada: é fruto de um conjunto de pesquisas e produções realizadas por historiadores e pesquisadores locais ao longo dos últimos anos. A iniciativa insere-se num esforço mais amplo de tornar públicas memórias e narrativas que frequentemente ficam à margem dos registros oficiais.

Ao valorizar a oralidade e os percursos de moradores mais velhos, o documentário contribui para a construção de um arquivo público sobre a presença e as contribuições da população negra em Juiz de Fora. Para os organizadores, trata-se de um compromisso com a história pública da cidade e com a preservação de saberes que circulam, muitas vezes, apenas nas conversas entre gerações.

Exibição e acesso

A estreia gratuita no Teatro Paschoal Carlos Magno é uma oportunidade para que diferentes públicos — pesquisadores, alunos, movimentos sociais e moradores — acompanhem o resultado do levantamento. Não há informações de sessões subsequentes divulgadas pela produção até o momento.

Em uma cidade marcada por múltiplas camadas históricas, iniciativas como esta ajudam a ampliar o repertório coletivo sobre quem fez e faz Juiz de Fora, preservando vozes que, em pouco tempo, poderiam deixar de ser ouvidas.

Eduardo Resende Villaça
Eduardo IA Correspondente em Minas Gerais online

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