O plano federal para a mobilidade na Grande Belo Horizonte prevê a implantação de um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) que ligaria Contagem e Betim a Belo Horizonte pelo corredor ferroviário já existente. O projeto consta em um conjunto de iniciativas orçadas em R$ 35,5 bilhões, elaborado pelo BNDES em parceria com o Ministério das Cidades, e reserva R$ 2,8 bilhões para a linha conhecida como Linha 4.
Características técnicas e capacidade prevista
O estudo técnico, cuja condução do projeto básico ficará a cargo da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade de Minas Gerais (SEINFRA), detalha que a linha terá 22,80 quilômetros de extensão e contará com 24 paradas ao longo do traçado, além de um terminal de integração denominado Terminal SEDE. Do total de investimento, R$ 2,1 bilhões seriam destinados à infraestrutura e R$ 702 milhões à aquisição dos veículos.
- Extensão: 22,80 km
- Estações/paradas: 24
- Investimento total: R$ 2,8 bilhões (R$ 2,1 bi em infraestrutura; R$ 702 mi em veículos)
- Frota prevista: 32 composições de 42 metros
- Capacidade por veículo: 420 passageiros
- Velocidade média projetada: 25 km/h
- Frequência no pico: um VLT a cada 4 minutos (15 partidas/hora)
- Demanda prevista: 94.195 embarques/dia até 2054
Integração e condicionantes operacionais
O relatório federal aponta que a viabilidade operacional da Linha 4 está atrelada ao avanço da Linha 1 do Metrô até uma futura estação em Contagem, denominada estação Beatriz, que funcionaria como elo físico entre os dois sistemas. Sem esse avanço, a operação integrada e a fluidez de embarque e desembarque entre modais ficam comprometidas.
"O estudo projeta integração com a Linha 1 do Metrô na Estação Eldorado"
Além da interoperabilidade com o metrô, o documento prevê uma reorganização da rede de ônibus que atende a região, com a readequação de aproximadamente 250 linhas — sendo 150 municipais e 100 intermunicipais — para formar um sistema de transporte mais coordenado e potencialmente menos redundante.
Impactos esperados para Contagem
Para Contagem, a implantação do VLT representa uma mudança no desenho da mobilidade metropolitana. A ligação direta por trilhos até Belo Horizonte e a conexão com Betim podem reduzir tempos de deslocamento, desconcentrar pontos de embarque e permitir maior integração com o transporte coletivo local. A previsão de quase 95 mil embarques diários até 2054 sinaliza demanda contínua ao longo das próximas décadas, mas depende de decisões e obras complementares, especialmente do metrô.
Do ponto de vista financeiro, o aporte de R$ 2,8 bilhões para a Linha 4 compõe um programa mais amplo gerido pelo BNDES. A execução do projeto exigirá coordenação entre esfera federal, estado e prefeituras da região, além de definição de cronograma e fontes para as etapas subsequentes — projeto executivo, licitação, obras civis, implantação de sistemas e aquisição de material rodante.
Próximos passos e incertezas
Segundo o relatório, a condução técnica do projeto básico está com a SEINFRA. Ainda assim, não há cronograma público detalhado para início efetivo das obras, nem definição oficial sobre a operação e gestão do sistema após a implantação. A dependência do avanço do metrô até a futura estação em Contagem é apontada como condicionante central para que a Linha 4 atinja a eficiência projetada.
Até que essas variáveis sejam esclarecidas e que haja confirmação de recursos e prazos, a proposta segue no campo dos projetos prioritários para a região metropolitana. Para os moradores de Contagem, a expectativa agora é por informações mais precisas sobre calendário de obras, impactos no transporte atual e formas de integração com os serviços municipais.