Investigadores da Polícia Civil identificaram, segundo reportagens divulgadas nesta quarta-feira, que a Prefeitura de Macapá contratou ou nomeou, entre 2021 e 2026, pelo menos 12 pessoas apontadas como ligadas a facções criminosas. De acordo com os documentos e o levantamento ao qual a imprensa teve acesso, 11 seriam integrantes da FTA (Família Terror do Amapá) — facção associada ao PCC — e uma com vínculos relatados ao Comando Vermelho.
O que a investigação aponta
Segundo a Polícia Civil, as contratações teriam ocorrido durante a gestão do então prefeito Antônio Paulo de Oliveira Furlan (conhecido como Dr. Furlan), que hoje é candidato ao governo do Amapá pelo PSD. As apurações da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco-AP) apontam para um padrão em que pessoas associadas ao crime organizado passaram a integrar a folha de pagamento do município, segundo investigadores que analisaram nomeações e contratos.
Em nota à imprensa, a corporação afirmou que “uma engrenagem transformou contracheques públicos e cargos de confiança na moeda de troca de um pacto por currais eleitorais na capital”, destacando a suposta sobreposição entre estruturas administrativas e interesses do submundo do crime.
Repercussões políticas e administrativas
O caso levanta questões práticas sobre a administração pública em Macapá: controles de nomeações, verificação de antecedentes para cargos de confiança e a eficácia de checagens de idoneidade. Para servidores e moradores, as implicações mais imediatas dizem respeito à confiança na gestão dos serviços municipais e à lisura da folha de pagamento, que pode ter sido utilizada para sustentar redes de influência.
- Transparência administrativa: questionamentos sobre como foram realizadas as contratações e quais órgãos municipais fiscalizaram os processos.
- Impacto nos serviços: possibilidade de comprometimento da gestão cotidiana caso cargos estratégicos tenham sido ocupados por pessoas ligadas a organizações criminosas.
- Repercussão eleitoral: o episódio pode repercutir na campanha ao Governo do Amapá, dado que o ex-prefeito é candidato nas eleições de 2026.
Posicionamentos e defesa
Em resposta às acusações, Dr. Furlan afirmou que nega qualquer relação com facções e atribuiu as alegações a perseguição política, ressaltando que as nomeações teriam seguido os trâmites legais exigidos, inclusive apresentação de certidões. Em trecho divulgado pela reportagem, o ex-prefeito declarou:
"Jamais manteve qualquer relação com organização criminosa"
A nota do ex-prefeito também ressalta que parte das nomeações teria se dado por indicação de vereadores, deputados e outras lideranças, e que o delegado Estefano da Silva Santos, titular da Draco-AP, teria declarado publicamente que as investigações da unidade não apontam indício que o relacione pessoalmente a facções.
Dados em foco
| Período | 2021–2026 |
|---|---|
| Pessoas apontadas contratadas | 12 (pelo menos) |
| Ligação por facção | 11 vinculadas à FTA; 1 vinculada ao Comando Vermelho |
Próximos passos e consequências possíveis
A apuração formal pela Polícia Civil e os desdobramentos em instâncias administrativas e eleitorais ainda deverão clarificar o papel de cada indicado, se houve irregularidade nos processos de contratação e se há responsabilidade direta de gestores. Procedimentos como auditorias na folha, investigação sobre critérios de nomeação e eventuais solicitações de informações a órgãos de controle municipal são caminhos plausíveis a serem seguidos sem que, até o momento, exista decisão judicial que defina culpabilidades.
Para a população de Macapá, a expectativa reside na rapidez e na transparência dessas apurações, que impactam desde a percepção sobre a segurança pública até a confiança nas instituições responsáveis pela gestão municipal e pelo processo eleitoral local.