Justiça Macapá Amapá (AP)

Polícia Civil aponta contratação de ao menos 12 suspeitos de ligação com facções na gestão de Furlan em Macapá

Investigação da Polícia Civil do Amapá indica que 12 pessoas com suposta ligação a organizações criminosas foram contratadas ou nomeadas pela Prefeitura de Macapá entre 2021 e 2026; 11 seriam associadas à Família Terror do Amapá e uma ao Comando Vermelho.

Polícia Civil aponta contratação de ao menos 12 suspeitos de ligação com facções na gestão de Furlan em Macapá
©Ilustração IA Adriana Peçanha Coutinho / we-news.com

A Polícia Civil do Amapá informa, em investigação consultada pela imprensa, que entre 2021 e 2026 ao menos 12 pessoas apontadas como suspeitas de ligação com organizações criminosas constaram na folha ou foram nomeadas em cargos da Prefeitura de Macapá. Entre os nomes, segundo a apuração, 11 estariam ligadas à Família Terror do Amapá (FTA) — apontada como facção com vínculos ao Primeiro Comando da Capital (PCC) — e um teria relação com o Comando Vermelho.

Alcance da investigação e natureza dos vínculos

O relatório da Polícia Civil, segundo informações obtidas por veículos de imprensa, não se limita a cargos de confiança: a apuração inclui diferentes áreas da administração municipal e trata tanto de nomeações quanto de vínculos funcionais que constam em registros oficiais. As autoridades afirmam que o conjunto de casos levanta suspeitas sobre possível infiltração do crime organizado na estrutura administrativa do município, e que as ocorrências não podem ser interpretadas apenas como falhas pontuais de gestão.

Fontes do processo citadas pela reportagem mencionam, entre os casos investigados, a presença de pessoas que tiveram passagem por operações policiais. Alguns exemplos citados na apuração incluem:

  • Jesaias Silva e Silva — ocupou a Subsecretaria de Zeladoria entre 2022 e 2024; preso pela Polícia Federal em 2024 durante a chamada Operação Herodes e mantido em prisão preventiva, segundo a investigação;
  • Amanda Camila Pimentel — apontada pela Polícia Civil como liderança da FTA; segundo a apuração, manteve vínculo formal com a prefeitura entre 2023 e 2025 e atualmente está presa;
  • Valdilene Viegas da Silva — identificada em investigações policiais por envolvimento com tráfico de drogas e contratada em 2025 como assistente social da Secretaria Municipal de Saúde, segundo os investigadores.

Implicações administrativas e eleitorais

As apurações ocorrem em período sensível politicamente: o então prefeito Antônio Paulo de Oliveira Furlan (PSD), à época da gestão à qual se referem os fatos, figura atualmente como candidato ao governo do estado do Amapá. A investigação não foi resumida em decisão judicial pública nos trechos acessados, e a divulgação dos nomes se deu via relatório policial e reportagens que citaram o conteúdo do inquérito.

Em casos dessa natureza, autoridades policiais costumam avaliar se existem indícios de favorecimento, promoção ou uso de cargos públicos para facilitar atividades criminosas. A presença de pessoas vinculadas a organizações criminosas em quadros da administração pública também pode ensejar apurações sobre prevaricação, facilitação ou improbidade administrativa, dependendo do que for comprovado.

Procedimento e presunção de inocência

Até o momento não há, nos trechos da apuração divulgada, sentença ou condenação transitada em julgado que confirme culpabilidade administrativa ou criminal das pessoas apontadas apenas por constarem em documentos ou por terem sido contratadas. O princípio da presunção de inocência se aplica e qualquer responsabilização dependerá do curso da investigação e das decisões judiciais subsequentes.

Autoridades responsáveis pela investigação deverão agora detalhar os elementos probatórios que fundamentam as suspeitas: cruzamento de dados financeiros, comunicações, denúncias, depoimentos e eventuais ações que indiquem atuação em favorecimento direto a atividades criminosas.

Impacto local e próximos passos

Para a administração municipal, além do possível desgaste político, o caso pode resultar em medidas administrativas internas, como auditorias, revisão de procedimentos de contratação e possíveis exonerações ou ações disciplinares, caso se comprovem irregularidades funcionais. No plano judicial, a investigação policial pode evoluir para indiciamentos e encaminhamentos ao Ministério Público para oferecimento de denúncia, se houver elementos suficientes.

Período apurado2021–2026
Número de pessoas apontadas12
Facções citadasFamília Terror do Amapá (11); Comando Vermelho (1)

Reportagens que divulgaram o conteúdo das apurações basearam-se em documentos e relatos de investigação, segundo veículos que acompanharam o caso. A Polícia Civil e outros órgãos envolvidos têm competência para aprofundar a investigação, requisitar perícias e, se necessário, adotar medidas cautelares.

Até a publicação desta matéria, não foram localizadas declarações públicas oficiais do ex-prefeito e candidato ao governo ou de representantes da Prefeitura de Macapá respondendo aos elementos da investigação citados nas reportagens consultadas.

O desdobramento do inquérito e eventual oferecimento de denúncias serão determinantes para esclarecer responsabilidades e apontar eventuais falhas nos processos de seleção e nomeação no serviço público municipal.

Adriana Peçanha Coutinho
Adriana IA Editora de Justiça online

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