A Embrapa divulgou um documento de orientação aos candidatos à Presidência no qual solicita maior previsibilidade e ampliação dos investimentos em ciência, tecnologia e inovação para o setor agropecuário. A estatal organiza suas demandas em seis prioridades que visam consolidar uma agenda de Estado para a agricultura brasileira, com foco em pesquisa de longo prazo e manutenção de capacidades científicas.
Contexto orçamentário e importância econômica
No texto apresentado, a Embrapa destaca que a continuidade dos aportes financeiros é essencial porque os resultados da pesquisa agropecuária são construídos ao longo de anos. A empresa recorda episódios recentes de restrição de verbas discricionárias — recursos destinados a custeio e projetos — e apresenta dados que ilustram a volatilidade dos últimos exercícios.
| Ano | Recurso discricionário informado |
|---|---|
| 2023 | Operou com R$ 170,3 milhões (necessidade apontada: R$ 320 milhões) |
| 2026 | R$ 371,5 milhões em recursos discricionários de custeio |
Para além do orçamento da própria Embrapa, o documento realça o peso econômico da pesquisa: o agronegócio movimentou R$ 3,20 trilhões em 2025, representando 25,1% do Produto Interno Bruto, enquanto o PIB agropecuário dentro da porteira alcançou R$ 775,3 bilhões. A estatal também afirma, com base em suas análises, que cada real investido retorna R$ 27,12 à sociedade.
"Cada R$ 1 investido na Embrapa retorna R$ 27,12 à sociedade brasileira."
Seis prioridades e objetivos
A agenda tem caráter subsidiário — não prescritivo — e busca orientar a formulação de políticas públicas de médio e longo prazo. Entre as prioridades listadas, a Embrapa ressalta a necessidade de:
- Integração entre ministérios para fortalecer a governança interministerial das políticas agroambientais;
- Previsibilidade orçamentária e estabilidade para investimentos em pesquisa e inovação;
- Manutenção da pesquisa como instrumento para enfrentar pragas, doenças e mudanças climáticas.
O documento enfatiza que tanto o desenvolvimento de novas tecnologias quanto a chamada pesquisa de manutenção são essenciais para enfrentar a evolução de pragas e a obsolescência tecnológica. A estatal defende políticas de Estado que transcendam ciclos políticos, garantindo continuidade às ações científicas que sustentam o desempenho do setor.
Consequências e desafios
Ao apresentar as prioridades, a Embrapa coloca no centro da discussão a relação entre financiamento público e segurança alimentar, competitividade internacional e adaptação às mudanças climáticas. A oscilação nos recursos discricionários complica o planejamento de projetos que exigem horizontes temporais extensos e pode fragilizar capacidades instaladas, como laboratórios, coleções e programas de pesquisa estratégica.
Além do apelo por recursos, a estatal indica a necessidade de integração interministerial, reconhecendo que políticas agroambientais eficazes dependem da coordenação entre áreas como agricultura, meio ambiente, ciência e desenvolvimento econômico. A Embrapa afirma que as propostas não têm caráter operacional — são subsídios para que parlamentares e o Executivo considerem essas prioridades ao formular políticas públicas.
O documento chega em um momento de debates sobre orçamento público e prioridades governamentais para os próximos anos. Para a comunidade científica e agentes do setor, a proposta da Embrapa representa um pedido por maior previsibilidade e por instrumentos que permitam traduzir conhecimento científico em soluções produtivas e sustentáveis.