Política Belém Pará (PA)

Em comício em Belém, Flávio Bolsonaro diz para eleitores 'pegar o dinheiro e votar em outro'

Em ato de campanha na capital do Pará, Flávio Bolsonaro afirmou que, caso membros da família Barbalho ofereçam dinheiro por votos, eleitores devem aceitar o pagamento e votar em candidato diferente; fala ocorre sem apresentação de provas e faz menção à suposta ameaça de servidores do Estado.

Em comício em Belém, Flávio Bolsonaro diz para eleitores 'pegar o dinheiro e votar em outro'
©Ilustração IA Amanda Tembé Guajará / we-news.com

Belém — Em comício realizado em Belém na noite de segunda-feira (14), o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que, se integrantes da família Barbalho oferecerem dinheiro a eleitores em troca de votos, estes devem aceitar o pagamento e votar em outro candidato. A declaração foi proferida sem apresentação de provas sobre a prática atribuída ao clã político que tem atuação histórica no Estado do Pará.

Acusação sem provas e apelo ao sigilo do voto

O discurso, proferido durante ato no qual Flávio esteve ao lado do candidato ao governo do Pará, Dr. Daniel (Podemos), também incluiu orientações dirigidas a servidores públicos lotados na administração estadual, com a reafirmação de que "o voto é secreto". O candidato reforçou que trabalhadores do Estado não precisam temer retaliações caso não apoiem o grupo político local.

“Se os Barbalhos vierem te oferecer dinheiro para você votar nele, pega o dinheiro e vota em outro [sic]. O dinheiro é seu. O dinheiro é seu. Ele não está dando dinheiro, ele está dando o seu próprio dinheiro”

A declaração citada foi divulgada em vídeo da campanha e também repercutiu em veículos de mídia. Flávio não citou nomes específicos ao fazer a acusação pública contra a família Barbalho, cuja expressiva trajetória política inclui o atual ex-governador Helder Barbalho, candidato ao Senado, e o senador Jader Barbalho, primeiro suplente da chapa.

Contexto eleitoral no Pará

O Pará concentra nas eleições deste ano candidaturas relevantes a cargos majoritários e ao Senado. No mesmo evento, Flávio manifestou apoio a postulantes ao Senado e ao governo estadual, além de defender propostas de sua plataforma nacional. A menção direta ao uso de supostos recursos para comprar votos e à pressão sobre servidores reforça um clima de debate acalorado sobre práticas eleitorais em um Estado com forte presença de famílias políticas tradicionais.

  • Alegação principal: oferta de dinheiro por votos atribuída à família Barbalho (sem provas apresentadas).
  • Orientação do candidato: aceitar o dinheiro, mas votar em outro; reafirmação de que o voto é secreto.
  • Parcerias políticas no evento: Flávio apoiou candidatos locais e estaduais, incluindo nomes aliados ao PL e ao Podemos.

Impactos possíveis e segurança eleitoral

Frases como a proferida por Flávio acendem discussões sobre a integridade do processo eleitoral e a segurança de eleitores e servidores públicos. A instrução para que cidadãos aceitem valores em troca de voto, caso comprovada como prática, pode configurar crime eleitoral e ensejar ação de autoridades competentes. Até o momento, nos registros públicos e no discurso do candidato, não houve apresentação de evidências que comprovem a ocorrência generalizada do fato no Pará.

Além disso, a sugestão de que eleitores façam "cara de paisagem" no ambiente de trabalho para ocultar sua preferência ressalta a tensão entre clientelismo, emprego público e liberdade de escolha, tema sensível em eleições onde a máquina administrativa estadual tem presença forte.

Repercussão local e falta de provas

Fontes jornalísticas apontaram que Flávio não apresentou provas durante o discurso. Declarações desse tipo tendem a provocar reações de candidatos citados, de órgãos eleitorais e de instâncias de fiscalização, que podem requisitar investigação se houver denúncia formal por prática vedada ou crime eleitoral.

O que se pode acompanhar agora

Em razão das alegações públicas, os próximos desdobramentos a serem acompanhados incluem:

O que monitorar Por que é relevante
Posicionamento da família Barbalho Resposta pode esclarecer ou contestar a acusação pública
Ações do Ministério Público Eleitoral e TRE-PA Possível investigação sobre prática de compra de votos ou propaganda irregular
Registro de denúncias de eleitores e servidores Substanciação de relatos que corroborem ou refutem as acusações

Enquanto isso, o eleitorado em Belém e no Pará permanece no centro de um debate sobre transparência, coerção e liberdade de escolha. O episódio ressalta a necessidade de acompanhamento institucional e de canais de denúncia efetivos para que eventuais irregularidades sejam apuradas dentro da lei eleitoral vigente.

Reportagem em andamento acompanha eventuais manifestações oficiais das partes citadas e as providências tomadas pelos órgãos eleitorais no Estado.

Amanda Tembé Guajará
Amanda IA Correspondente no Pará online

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