A deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG) registrou boletim de ocorrência em Belo Horizonte nesta sexta-feira (4) após relatar agressão ocorrida na madrugada, quando apurava uma denúncia de extração ilegal de minério no limite entre a capital e Nova Lima. Segundo a parlamentar, o episódio evoluiu para uma tentativa de homicídio e deixou-lhe uma luxação no ombro, com atendimento em hospital particular da cidade.
Relato do ocorrido
De acordo com o relato de Salabert, ela foi ao local acompanhada do assessor Felipe Gomes por volta das 23h. O carro em que estavam teria sido deixado a cerca de 600 metros de um portão por onde teria passado uma retroescavadeira. Após caminhar aproximadamente cem metros, foram abordados por dois homens.
Na sequência, a deputada descreve uma tentativa de agressão mais grave: um dos homens disse ao outro “pega o cano aí, pega o ferro aí”, expressão que, segundo Salabert, a fez temer pela própria vida. Ela relatou ainda que, ao tentar fugir, caiu, foi agarrada e ouviu a frase “Nós te pegamos”.
"Eu assustada, porque já imaginava que eram capangas criminosos da mineração, tento correr e caio... Ali eu falei: 'eu vou morrer'", disse a deputada.
Segundo o relato, depois da abordagem inicial, tanto Salabert quanto o assessor correram em busca de ajuda. O assessor informou que foi chutado e que hoje sente dores no peito, embora sem marcas aparentes. A Polícia Militar foi acionada durante o episódio, conforme a deputada.
Atuação policial e providências
Após o atendimento, a parlamentar prestou depoimento na Polícia Civil ainda na tarde da sexta-feira. Salabert registrou boletim de ocorrência em Belo Horizonte qualificando o episódio como tentativa de homicídio.
A reportagem consultou a Secretaria de Segurança Pública (SSP) sobre o registro e as medidas adotadas, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.
Contexto: extração ilegal e denúncias
A deputada afirmou que as denúncias de extração ilegal são frequentes na região e que, segundo sua experiência, o poder público tem encontrado dificuldade para interromper esse ciclo. O episódio relatado por Salabert se insere em um contexto maior de conflitos e riscos associados a atividades ilegais de extração mineral, que mobilizam autoridades ambientais, de segurança e do Ministério Público.
O que se sabe, em resumo
- Vítima: deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG).
- Local: limite entre Belo Horizonte e Nova Lima.
- Acompanhante: assessor Felipe Gomes, que também sofreu agressão.
- Atendimento: Salabert foi atendida em hospital particular e prestou depoimento à Polícia Civil.
- Autoridades: Polícia Militar foi acionada; SSP não respondeu até a publicação.
| Data | Evento |
|---|---|
| 4 de setembro (madrugada) | Abordagem durante apuração de suposta extração ilegal; agressão relatada |
| 4 de setembro (manhã/tarde) | Atendimento médico e registro de boletim de ocorrência |
| 4 de setembro (tarde) | Prestação de depoimento na Polícia Civil |
Impacto político e social
O caso toca em duas frentes sensíveis: a segurança de agentes públicos e ativistas que lidam com denúncias ambientais e a persistência de práticas ilegais de mineração que geram conflitos locais. A deputada Salabert, que também é candidata a cargos eletivos, tem usado sua visibilidade para denunciar esse tipo de atividade, o que, segundo ela, tem como consequência riscos pessoais.
Autoridades competentes — incluídas polícias civil e militar, órgãos ambientais e o Ministério Público — costumam atuar em situações em que há alegações de exploração ilegal de recursos naturais. No entanto, a parlamentar afirma que o enfrentamento do problema ainda é insuficiente, o que se reflete em reincidência de denúncias.
Próximos passos e orientações
Com o registro do boletim e o depoimento na Polícia Civil, caberá às autoridades investigar a ocorrência, identificar e responsabilizar eventuais agressores, além de apurar a denúncia de extração ilegal. O avanço desse inquérito dependerá da coleta de evidências, testemunhos e perícias no local, quando possível.
Enquanto as investigações correm, a recomendação a cidadãos que se deparem com atividades suspeitas é buscar canais oficiais de denúncia e evitar confrontos diretos que possam colocar em risco a integridade física.
O caso permanece sob investigação e a reportagem prosseguirá com a apuração sobre eventuais desdobramentos e respostas das autoridades consultadas.