O primeiro debate entre os candidatos ao governo de Minas Gerais, realizado pela Band neste domingo (16) em Belo Horizonte, teve como eixo central a situação fiscal do estado e as consequências do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Participaram do encontro o governador e candidato à reeleição Mateus Simões (PSD), o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), o ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais Flávio Roscoe (PL), o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB) e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). O candidato do PT, Patrus Ananias, não participou por compromissos em São Paulo.
Propag e disputas sobre números e consequências
A tramitação e os efeitos do Propag dominaram os primeiros blocos. A iniciativa, que trata do pagamento de dívidas estaduais, foi apontada pelos debatedores como um ponto de inflexão para as finanças públicas de Minas. Alexandre Kalil atacou duramente o acordo e trouxe um cálculo do impacto fiscal que marcou o tom da sua intervenção.
"[O acordo] é uma agressão a Minas Gerais" — afirmou Alexandre Kalil, acrescentando que o programa poderia representar um rombo de R$ 165 bilhões considerando prestações e isenções previstas.
Kalil defendeu a busca por negociação direta em Brasília caso o modelo vigente se confirme, sustentando que o estado ficaria com pouca margem de manobra para governabilidade.
Propostas de renegociação e ajuste
Outro ponto de convergência foi a necessidade de negociar a dívida com a União, ainda que com critérios distintos entre os candidatos. Cleitinho Azevedo defendeu diálogo com o governo federal para tentar alterar parâmetros do acordo e criticou o que chamou de incentivos fiscais excessivos no estado.
Cleitinho propôs ampliar a fiscalização sobre concessões tributárias e intensificar o combate à sonegação como caminhos para reduzir pressões sobre as contas públicas. Em linhas semelhantes, Flávio Roscoe defendeu uma postura firme na renegociação, avaliando que a implementação do Propag poderia, em um primeiro momento, aliviar a situação, mas comprometendo investimentos no médio e longo prazo.
Administração pública, tecnologia e transparência
Flávio Roscoe informou que, em caso de vitória, apresentaria nos primeiros 90 dias um pacote de medidas para aumentar a produtividade do aparelho estatal, citando o uso de tecnologias, inclusive inteligência artificial, para otimizar serviços e reduzir custos.
Gabriel Azevedo destacou que, além de negociar com a União, Minas deve cumprir sua parte no equilíbrio fiscal. Propôs a criação de uma agência independente para fiscalizar a aplicação dos recursos estaduais, argumento que busca combinar disciplina orçamentária com mecanismos de transparência.
Temas complementares: privatizações, segurança e mineração
Ao longo do debate, outros temas de relevo estadual também apareceram: a discussão sobre privatizações, a segurança pública, o papel da mineração na economia mineira e investimentos em infraestrutura. Os candidatos discordaram quanto ao ritmo e alcance de eventuais desestatizações e ao modelo de parcerias para obras e serviços.
- Privatizações: divergência sobre extensão e controle estatal;
- Segurança pública: propostas para reforço de políticas de prevenção e integração entre forças;
- Mineração: debate sobre regulação e retorno ao estado;
- Infraestrutura: foco em investimentos para recuperar capacidade de atração de empresas e melhorar logística.
O confronto público expôs diferenças de diagnóstico e prioridades, mas também pontos de contato — especialmente a percepção de que a situação fiscal exige medidas que combinem negociação com a União, ajuste interno e maior eficiência administrativa.
Panorama eleitoral e o que vem a seguir
O debate serviu para que eleitores pudessem comparar propostas e tom de cada candidatura em temas sensíveis para Minas, onde a capacidade de financiar políticas públicas e investimentos infraestruturais é central para o desenvolvimento. Fica para os próximos encontros a profundidade com que cada programa de governo detalhará cortes, fontes de receita e cronogramas de execução.
| Candidato | Partido |
|---|---|
| Mateus Simões | PSD |
| Alexandre Kalil | PDT |
| Flávio Roscoe | PL |
| Gabriel Azevedo | MDB |
| Cleitinho Azevedo | Republicanos |
O debate foi acompanhado por jornalistas e por transmissões em diferentes plataformas. Em termos práticos, ele delineou temas que deverão orientar a agenda pública nas próximas semanas: a interpretação técnica do Propag, o custo real das medidas de renegociação, e o desenho institucional para garantir fiscalização e eficiência na aplicação dos recursos.
Nas ruas de Belo Horizonte, observadores políticos e especialistas em finanças públicas avaliam que as propostas apresentadas precisarão ser transformadas em planos com metas claras e estimativas fiscais precisas para convencer o eleitorado preocupado com serviços públicos e emprego. A campanha prossegue com novos encontros e propostas complementares que deverão detalhar como cada candidato pretende reconciliar ajuste fiscal e investimento.