A ultramaratonista catarinense Débora Simas concluiu na manhã deste domingo a prova de sete dias realizada em Florianópolis e estabeleceu um novo recorde mundial para corrida contínua em esteira, ao superar a marca anterior de 846,16 quilômetros. A finalização oficial ocorreu às 9h14, quando a atleta já havia percorrido mais de 846 km, e contou com uma contagem regressiva emocionada do público presente.
Estrutura e regras da prova
O desafio teve duração total de 168 horas e começou no domingo anterior, com largada no Beiramar Shopping. Segundo a organização, durante o período a competidora podia deixar a esteira, mas o relógio da prova não parava — a contagem do tempo foi contínua e determinante para a validação do resultado.
- Tempo total da prova: 168 horas (sete dias)
- Marca superada: 846,16 km
- Fiscalização: 84 juízes revezando-se a cada quatro horas
- Planejamento diário: cerca de 20 horas entre corrida e caminhada, e 4 horas reservadas para descanso e higiene
Para que o recorde fosse oficializado, a prova contou com um sistema de arbitragem robusto: 84 juízes, que se revezaram em turnos de quatro horas, e não puderam ter parentesco com a atleta. Esse aparato de fiscalização era condição para validar a marca frente a padrões internacionais de ultramaratona em esteira.
O percurso, a estratégia e a alimentação
Durante a disputa, a programação prevista priorizava longos períodos de atividade diária — cerca de 20 horas destinadas à locomoção entre corrida e caminhada — e janelas curtas para descanso, sono e necessidades básicas. A alimentação da atleta também foi integrada aos momentos de deslocamento na esteira, estratégia comum em provas de ultra-resistência para manter ingestão calórica constante e evitar longos períodos de inatividade.
"Emocionada, Deby ergueu uma faixa escrita ‘Brasil’ ao finalizar."
A finalização trouxe emoção ao público presente, que acompanhou a contagem regressiva nas horas finais. Débora, conhecida como Deby, é moradora de Barra Velha, no litoral norte de Santa Catarina, e tem 55 anos. Esta foi sua segunda tentativa de quebrar a marca mundial, e o resultado oficial foi alcançado com antecedência em relação à previsão inicial: a marca foi batida duas horas e 46 minutos antes do tempo estimado pela equipe.
Validação do recorde e repercussão
A marca anterior havia sido estabelecida pela neozelandesa Emma Timmis, entre 9 e 16 de junho de 2024, em Christchurch. Para que o novo feito de Débora seja reconhecido oficialmente no rol de recordes, a documentação da prova — incluindo as anotações dos juízes, registros de vídeo e demais protocolos de fiscalização — deverá seguir os trâmites exigidos pelas entidades certificadoras da modalidade.
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Duração | 168 horas (7 dias) |
| Distância percorrida | Mais de 846 km |
| Fiscalização | 84 juízes, sem parentesco |
Para leitores de Contagem e de outras cidades mineiras, a conquista reforça a visibilidade brasileira em modalidades de resistência e ultracorrida. Minas Gerais tem tradição crescente em provas de longa duração e trilhas, e episódios como este costumam inspirar grupos de corrida, clubes e eventos locais a ampliar seus programas de preparação e certificação técnica.
Embora a prova tenha sido disputada em esteira, o esforço físico e a logística exigidos se aproximam de desafios realizados em pistas ao ar livre e trilhas de longa distância. A repercussão do feito tende a movimentar a comunidade de atletas de resistência, que acompanha protocolos de treinamento, estratégias de nutrição e métodos de recuperação adotados por quem compete em provas extremas.
O registro formal do recorde dependerá agora da análise e homologação pelas entidades competentes. Enquanto isso, a imagem de Débora erguer a bandeira do Brasil ao término da prova serve como símbolo do impacto humano dessas competições e do interesse público por conquistas esportivas pouco convencionais.