O anúncio da implantação de 261 câmeras de contagem automática em 16 terminais da região metropolitana de Curitiba reacende a discussão sobre o uso de tecnologia para gestão do transporte coletivo em cidades brasileiras. A solução, que começou a ser instalada em 24 de agosto de 2026, foi desenvolvida pela Plenatech e integrada à plataforma ITS da Transdata, segundo relatos da empresa e demonstrações públicas realizadas na feira LatBus 2026.
Como funciona a contagem automática
A tecnologia emprega visão computacional com inteligência embarcada para distinguir embarques e desembarques em áreas pagas dos terminais, mesmo nos pontos de maior movimento, sem necessidade de novo registro nas catracas. As câmeras registram separadamente quem entra e quem sai e enviam estatísticas em tempo real ao centro de controle, conforme descrito pelas empresas envolvidas.
- Instalação: 261 câmeras em 16 terminais metropolitanos.
- Início: 24 de agosto de 2026.
- Empresas: Plenatech (implementação) e Transdata (integração à plataforma ITS).
Segundo a apresentação durante a LatBus 2026, a integração desses contadores com os sistemas já existentes de Bilhetagem e Gestão de Frota possibilita transformar medições brutas em decisões operacionais: ajustar oferta à demanda real, dimensionar frotas, identificar linhas e horários de maior carga e planejar terminais e pontos de parada.
O ganho operacional e as demonstrações
As empresas enfatizam que o benefício não está apenas em medir o fluxo de passageiros. Em cruzamentos com dados de bilhetagem e de frota, as estatísticas de contagem permitiriam reduzir tanto a superlotação quanto a ociosidade dos veículos, ao orientar mudanças na escala e na alocação de ônibus.
| Item | Dados |
|---|---|
| Câmeras instaladas | 261 |
| Terminais cobertos | 16 |
| Data de início | 24/08/2026 |
“A evolução do transporte coletivo demanda integração plena, com dados precisos, decisões assertivas”, afirmou Paulo Trevisan, diretor-executivo da Plenatech, durante as apresentações.
Na demonstração conjunta entre Transdata e Plenatech, realizada na LatBus, um veículo equipado com as tecnologias integradas registrou cerca de mil acessos nas câmeras de contagem em um dia de maior concentração, indicador usado para antecipar o comportamento em operação real, conforme relato das empresas. Rafael Teles, diretor de produto da Transdata, afirmou que as soluções devem ser concebidas de forma integrada para otimizar processos de trabalho.
Relevância para Contagem
Para a população e para os gestores de Contagem, cidade de ampla demanda por transporte público na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a experiência em Curitiba indica caminhos possíveis para enfrentar desafios recorrentes, como superlotação em horários de pico e necessidade de ajuste fino na oferta de ônibus. A adoção de sensores e plataformas integradas, quando combinada a sistemas de bilhetagem e ao monitoramento de frota, pode oferecer dados que embasem decisões de operação e planejamento.
É importante notar que o que foi implementado em Curitiba — tanto em escala quanto em integração tecnológica — reflete investimentos e negociações específicas entre fornecedores e autoridades locais. Ainda que o relato público sirva como referência, a viabilidade técnica, financeira e regulatória de medidas semelhantes em outras cidades depende de estudos locais e de diálogo entre prefeitura, consórcios de transporte, operadores e usuários.
Especialistas do setor costumam destacar que a tecnologia por si só não resolve problemas operacionais, mas amplia o leque de informações disponíveis para gestores. Em cidades como Contagem, a discussão tende a se concentrar em como transformar dados em políticas públicas efetivas: quais ajustes na programação de linhas, qual dimensionamento de frota é necessário e como melhorar a infraestrutura de terminais para compatibilizar embarque, desembarque e segurança.
O caso de Curitiba, portanto, funciona como um exemplo de referência: mostra capacidades tecnológicas e riscos, e abre espaço para que autoridades locais avaliem, com calma e com estudos técnicos, se e quando iniciativas semelhantes fariam sentido no contexto continguense e metropolitano.
As empresas responsáveis pelo sistema ressaltaram a importância da integração entre dados para que a informação se converta em decisão. Para usuários e gestores em Contagem, a adoção de tecnologias comparáveis — condicionada a análises de custo, eficiência e impacto social — poderá ser um dos caminhos para modernizar a operação do transporte coletivo.