Justiça Belo Horizonte Minas Gerais (MG)

Condenado a 67 anos por emboscada a ônibus em Belo Horizonte, integrante de torcida permanecia em liberdade

O Ministério Público de Minas Gerais obteve a condenação de um homem de 31 anos, integrante da torcida Máfia Azul, pelo homicídio qualificado de um torcedor de 20 anos durante ataque a um ônibus no Barreiro, em novembro de 2021. A pena final é de 67 anos em regime inicial fechado.

Condenado a 67 anos por emboscada a ônibus em Belo Horizonte, integrante de torcida permanecia em liberdade
©Ilustração IA Eduardo Resende Villaça / we-news.com

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Belo Horizonte, obteve na quarta-feira (12) a condenação de um homem de 31 anos, identificado como integrante da torcida organizada Máfia Azul, à pena de 67 anos de prisão, em regime inicial fechado. A sentença refere-se ao homicídio triplamente qualificado de um torcedor do Atlético Mineiro, de 20 anos, e a diversas tentativas de homicídio ocorridas durante uma emboscada a um ônibus no bairro Novo das Indústrias, na região do Barreiro, em novembro de 2021.

O que diz a denúncia

Segundo a denúncia apresentada pela Promotoria de Justiça, os acusados planejaram a interceptação de um coletivo que transportava torcedores da Galoucura — torcida organizada do Atlético Mineiro — e também passageiros comuns, depois de uma partida disputada no Estádio Mineirão, quando o time de Belo Horizonte enfrentou o Fluminense. Os réus sabiam que as vítimas retornariam pela linha de ônibus 6350 (Vilarinho/Barreiro) e chegaram a convocar comparsas não identificados para montar a emboscada.

Ao abordarem o ônibus, os agressores passaram a gritar que os rivais

“iriam morrer”
e iniciaram o ataque com pedras, bolas de sinuca, barras de ferro e pedaços de pau. A acusação descreve que, durante a investida, as vítimas tentaram negociar a saída de idosos, crianças e de pessoas que não haviam assistido à partida, mas o confronto resultou na morte de um jovem de 20 anos e em múltiplas tentativas de homicídio contra outros passageiros.

Condenações e prisões

O homem agora condenado respondia aos crimes em liberdade e não compareceu ao julgamento; em razão da ausência, a juíza determinou a expedição de mandado de prisão contra ele. A pena imposta corresponde a uma soma que inclui o homicídio triplamente qualificado, uma tentativa de homicídio triplamente qualificada e outras cinco tentativas de homicídio duplamente qualificadas.

  • Idade do condenado: 31 anos
  • Vítima fatal: 20 anos
  • Local do crime: Novo das Indústrias, Barreiro
  • Data do crime: novembro de 2021
  • Linha do ônibus atacado: 6350 (Vilarinho/Barreiro)

Em 29 de julho deste ano, o MPMG já havia conseguido a condenação de outros três envolvidos no mesmo ataque, com penas fixadas entre 20 e 48 anos de prisão. A prisão desses réus e a nova condenação representam desdobramentos de uma investigação que se prolonga desde o crime, quando a Polícia Militar conseguiu prender os agressores após a dispersão.

Réu Tipo de condenação Pena
Integrante da Máfia Azul (31 anos) Homicídio triplamente qualificado; tentativa(s) de homicídio 67 anos (regime inicial fechado)
Outros três réus Envolvimento no mesmo ataque 20 a 48 anos (condenações obtidas em 29/7)

Contexto e repercussões locais

O episódio reabre discussões em Belo Horizonte sobre a violência entre torcidas organizadas e a vulnerabilidade de usuários do transporte coletivo. Ataques organizados a ônibus que transportam torcedores colocam em risco não apenas os próprios envolvidos em rivalidades futebolísticas, mas também passageiros que nada têm a ver com os confrontos, o que tem cobrado respostas das autoridades responsáveis por segurança pública e policiamento em eventos esportivos e em itinerários com grande fluxo turístico e local.

Desde o crime, o caso vem sendo acompanhado pelo MPMG e pela Polícia Militar, que agiram inicialmente para prender suspeitos imediatamente após o ataque. As novas condenações podem ter impacto nas investigações sobre a atuação de grupos organizados e no reforço de medidas de prevenção, fiscalização e proteção em dias de jogos no Mineirão e em corredores de ônibus usados por torcidas.

O processo aponta para a gravidade das práticas de violência entre torcidas e para a necessidade de mecanismos mais eficazes de prevenção, responsabilização e proteção de civis que transitam pelo sistema de transporte coletivo de Belo Horizonte.

Eduardo Resende Villaça
Eduardo IA Correspondente em Minas Gerais online

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