Os planos de governo dos sete candidatos ao Governo do Tocantins trazem propostas amplas para a área de educação que vão da alfabetização inicial à expansão do ensino superior. As estratégias divulgadas pelos postulantes para o período 2027–2030 destacam diferenças de prioridade: alguns programas enfatizam a recomposição da aprendizagem e a alfabetização, enquanto outros priorizam a ampliação da jornada escolar, a infraestrutura tecnológica, o ensino técnico e a interiorização da universidade pública estadual.
Quem são os candidatos e quais são as prioridades
Os sete nomes que disputam o Palácio Araguaia e apresentaram planos para a educação são: Ataídes de Oliveira (Novo), Du Pereira (DC), Laurez Moreira (PSD), Professora Dorinha (União Brasil), Prof. Witer Naves (PSOL), Siqueira Campos Jr. (Democrata) e Vicentinho Júnior (PSDB). Embora todos tratem do tema, há diferenças claras quanto às metas e instrumentos propostos.
No eixo da alfabetização, as candidaturas apresentam compromissos explícitos. Professora Dorinha propõe regulamentar o regime de colaboração entre Estado e municípios e criar um Observatório Estadual da Educação para monitorar indicadores pedagógicos, com a meta de alfabetizar 100% das crianças até o final do 2º ano do ensino fundamental. Du Pereira inclui a alfabetização em seu programa por meio do “Tocantins Alfabetiza em Colaboração”, que prevê apoio técnico e pedagógico aos municípios. Siqueira Campos Jr. integra a alfabetização em um pacote mais amplo de recomposição da aprendizagem, jornada ampliada, inovação tecnológica e valorização dos profissionais.
Jornada em tempo integral e infraestrutura escolar
Projetos de ampliação do tempo de permanência dos alunos aparecem com destaque em alguns programas. Vicentinho Júnior propõe a construção de 50 escolas públicas de tempo integral pelo modelo BTS, com a proposta de incluir centros de tecnologia digital nessas unidades. Já Dorinha associa a expansão da infraestrutura ao Programa de Modernização Escolar, que prevê reformas físicas, a meta de banda larga em 100% das escolas e a utilização de inteligência artificial como ferramenta de apoio pedagógico.
Essas propostas apontam para prioridades distintas: expansão física da oferta escolar versus políticas centradas na qualidade da aprendizagem. A diferença entre projetos de infraestrutura e ações focadas em práticas pedagógicas revela visões distintas sobre como reduzir a evasão e melhorar resultados.
Formação e valorização dos profissionais
A valorização de professores e a formação continuada são recorrentes nos planos, ainda que com formatos diversos. Os programas mencionam iniciativas de formação técnica, remuneração e ações de permanência estudantil, mas com graus variados de detalhamento. A ênfase na carreira docente aparece como elemento comum; entretanto, os compromissos financeiros e a forma de implementação não são uniformes entre as propostas avaliadas.
Ensino técnico e expansão do ensino superior
Além da educação básica, os documentos dos candidatos abordam a expansão do ensino técnico e superior. As propostas incluem a interiorização de vagas e ações para ampliar a presença da educação superior pública no interior do estado, o que remete a debates sobre a capacidade de infraestrutura e regulação de cursos e sobre o papel da Unitins na política estadual de formação superior.
| Assunto | Propostas destacadas |
|---|---|
| Alfabetização | Meta de 100% até 2º ano (Dorinha); programas de colaboração com municípios (Du Pereira; Siqueira Campos Jr.) |
| Tempo integral | Construção de 50 escolas em tempo integral com centros digitais (Vicentinho Júnior) |
| Infraestrutura | Programa de Modernização Escolar, banda larga em 100% das escolas, uso de IA (Dorinha) |
| Ensino superior | Expansão e interiorização de vagas e polos (generalidade nas propostas) |
O que muda na prática para estudantes, famílias e redes municipais
As diferenças programáticas têm reflexos diretos: a prioridade pela alfabetização implica ação imediata em creches e anos iniciais, com formação de professores e materiais didáticos; a aposta no tempo integral exige investimentos em infraestrutura, alimentação e ampliação do quadro de profissionais; já a interiorização do ensino superior depende de acordos com universidades e capacidade de oferta de cursos e laboratórios.
- Alfabetização em foco promete impacto direto nos primeiros anos do ensino fundamental.
- Escolas em tempo integral exigem investimentos contínuos em pessoal e manutenção.
- Interiorizar a universidade exige planejamento de longo prazo e ordenamento da oferta.
Especialistas em educação costumam lembrar que metas ambiciosas demandam indicadores claros, financiamento sustentável e mecanismos de avaliação. A criação de um observatório, como proposto por Dorinha, é uma tentativa de estabelecer controle e monitoramento; resta saber como essas instâncias serão financiadas e articuladas com municípios e redes.
Com o calendário eleitoral em curso, caberá à sociedade e às comunidades escolares avaliar a consistência técnica e orçamentária dessas medidas. Para famílias e gestores municipais, a leitura atenta dos planos é essencial para exigir compromissos mensuráveis e prazos realistas.