A família de Jhenyfer Camilly Alves dos Santos afirma não ter recebido comunicação formal sobre a conclusão do laudo pericial que, segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), confirmou que o pé encontrado no local do acidente pertence à jovem. A conclusão do exame foi, de acordo com nota da SSP, finalizada em 16 de setembro de 2026, mas os parentes dizem que não foram avisados e reclamam da demora e da falta de informações.
Reivindicação da família e resposta oficial
Maria Aparecida, mãe de Jhenyfer, disse ao g1 que a família não foi informada sobre a conclusão do exame e que não sabe onde está o membro identificado. "Ainda não tivemos nenhuma informação, é uma falta de respeito. Infelizmente ainda não sabemos se o membro pertencia à Jhenyfer", relatou a mãe à reportagem.
"Eles não nos avisaram, e o pé onde está? Não houve ligação, não houve mensagens. Nada. E deixei claro no IML que quando fosse confirmado eu queria enterrar junto ao corpo da minha filha. É um pouco caso com a gente".
Em nota, a SSP afirmou que o laudo que confirmou a identificação do pé foi finalizado em 16 de setembro. A pasta, porém, não informou se o membro foi liberado para sepultamento nem detalhou o motivo da demora na comunicação à família.
Andamento do caso policial
O acidente que vitimou Jhenyfer e feriu o marido envolveu um policial militar que dirigia o veículo no momento da batida. O militar Nerivaldo Mendes, 39 anos, foi indiciado pelos crimes de homicídio culposo na direção de veículo automotor e lesão corporal culposa na direção de veículo automotor. Segundo a Polícia Militar do Tocantins, o agente estava de folga e conduzia veículo particular; permaneceu no local, prestou socorro e realizou teste de alcoolemia com resultado negativo.
A defesa do policial informou que se manifestará nos autos do processo, conforme registro do caso.
Histórico de comunicações e contradições
O caso já teve comunicações públicas divergentes. No início de junho, a SSP havia informado que exames periciais tinham confirmado que o membro pertencia à jovem. Em 2 de julho, ao ser questionada sobre a demora na liberação, a secretaria afirmou que a identificação ainda não havia sido concluída. O anúncio de setembro traz novamente a confirmação, mas sem esclarecer se houve liberação do material ao enterro ou quando a família foi notificada.
| Data | Evento |
|---|---|
| Início de junho de 2026 | SSP informa que exames periciais teriam confirmado identificação |
| 2 de julho de 2026 | SSP diz que identificação ainda não estava concluída |
| 16 de setembro de 2026 | SSP afirma que laudo com identificação do pé foi finalizado |
Impactos e dúvidas persistentes
A demora na comunicação e na liberação de restos mortais pode agravar o sofrimento da família e gerar insegurança sobre o andamento do inquérito. Parentes de vítimas costumam solicitar maior celeridade em perícias e clareza nas informações sobre procedimentos do Instituto Médico Legal (IML) e da Polícia Civil.
Além da questão emocional do enterro, a família afirma querer que o pé seja sepultado junto ao corpo de Jhenyfer. Sem a confirmação formal e a liberação, esse desejo não pôde ser atendido.
Aspectos legais e administrativos
O indiciamento por homicídio culposo e lesão corporal culposa indica que a autoridade policial entendeu haver responsabilidade no resultado do acidente sem intenção de matar. A tramitação do inquérito e a análise da perícia são etapas que fundamentam eventual ação penal, que seguirá o rito previsto na legislação.
- Familiares cobram notificação formal e liberação do membro identificado.
- A SSP confirmou a conclusão do laudo em 16 de setembro, mas não detalhou a liberação.
- O policial militar envolvido foi indiciado; a defesa aguarda os autos para se manifestar.
A reportagem procurou a SSP para obter detalhes sobre a entrega do material ao IML e sobre prazos de liberação, bem como a Polícia Civil para informações sobre o andamento do inquérito, mas as respostas oficiais limitam-se à nota sobre a conclusão do laudo. A família segue aguardando comunicação formal e esclarecimentos sobre o destino do membro identificado.