O anúncio do cancelamento da ExpoAgro em Pará de Minas — feira agropecuária que estava marcada para os dias 10 a 13 de setembro — abriu nesta semana um debate que atravessa a esfera cultural, orçamentária e política do município. A organização do evento, a empresa SWE Eventos, justificou a decisão pela baixa comercialização de ingressos e pelos elevados custos operacionais; a prefeitura já notifica a empresa e avalia medidas legais.
Repercussão na Câmara e alternativa para o montante
O assunto dominou a sessão da Câmara Municipal, onde vereadores manifestaram diferentes posições sobre os responsáveis e os efeitos do cancelamento. Parte da população sente falta do evento, que integra o calendário local; outra parte comemora a possibilidade de que o dinheiro que seria gasto no show da dupla sertaneja possa ser redirecionado.
O valor em discussão é significativo: R$ 750 mil corresponde ao pagamento contratado para a apresentação da dupla Bruno e Marrone. Há rumores e articulações para que esse montante seja revertido ao setor de saúde, caso a prefeitura consiga algum tipo de compensação ou acordo com a organizadora. A administração municipal, no entanto, tem sido cautelosa ao tratar da viabilidade dessa transferência direta.
"a empresa organizadora anunciou a decisão no início da semana"
Prefeitura acompanha e pode judicializar
O vice-prefeito Luiz Lima informou que o município acompanha de perto o desdobrar do caso e que, se necessário, poderá buscar alternativas judiciais para resguardar os interesses públicos. A SWE Eventos já recebeu notificação da gestão municipal, segundo representantes da Prefeitura. Ainda não há informação pública sobre uma resposta formal da empresa.
Vozes do legislativo e propostas
Entre as manifestações registradas na Câmara Municipal, vereadores defenderam posições distintas sobre quem deveria organizar eventos de grande porte no município. Um dos parlamentares sugeriu que a Prefeitura se afaste das negociações com empresas do setor, enquanto outro indicou que o Sindicato Rural de Pará de Minas tem mais competência para conduzir a organização de festas tradicionais.
Também houve apelos para priorizar artistas locais em futuros contratos, a fim de fortalecer a economia cultural e reduzir custos com atrações nacionais. Paralelamente, persiste a preocupação com possíveis prejuízos financeiros ao município, já que contratos estavam assinados e compromissos assumidos.
O que está em jogo
Além do aspecto simbólico — a quebra de uma tradição no calendário local —, o cancelamento envolve pontos concretos que terão impacto prático na cidade:
- Risco de despesas não planejadas caso o município tenha que arcar com multas ou ressarcimentos;
- Possibilidade de realocar recursos em prol da saúde pública, se houver acordo ou compensação financeira;
- Debate sobre quem deve gerir eventos públicos de grande porte: prefeitura, iniciativa privada ou entidades locais como o Sindicato Rural;
- Impacto econômico para setores que dependem da feira, como comércio, alimentação e serviços de logística.
| Item | Dados |
|---|---|
| Período previsto | 10 a 13 de setembro |
| Valor do show contratado | R$ 750.000 |
| Organizadora | SWE Eventos |
Contexto e próximo passos
O episódio evidencia uma tensão comum em cidades do interior: a fragilidade do circuito de eventos diante de custos crescentes e a necessidade de diálogo entre poder público, iniciativa privada e organizações locais. A Prefeitura informou que estuda as alternativas possíveis e que o vice-prefeito vem conversando com o prefeito Inácio Franco sobre a melhor saída. Apesar de manifestações de intenção, representantes do executivo esclarecem que uma simples transferência de recursos não se concretiza sem estudo jurídico e administrativo prévio.
Até o momento, a SWE Eventos não divulgou resposta pública sobre a notificação recebida da Prefeitura. A Câmara manteve na pauta a discussão sobre o futuro da festa e sugeriu, entre outras opções, a devolução da organização ao Sindicato Rural, a judicialização do caso ou a renegociação contratual.
Para as comunidades que vivem da feira — produtores locais, trabalhadores temporários, ambulantes e prestadores de serviço — a indefinição já provoca preocupação sobre a renda e a movimentação econômica do mês. A expectativa agora é por definições concretas nas próximas semanas, quando poderão surgir acordos, ações judiciais ou novas propostas de realização do evento.
Como correspondente comprometida com a Amazônia e os povos do território, seguimos acompanhando as negociações que impactam a vida social e econômica de Pará de Minas e ouviremos produtores, organizadores e representantes públicos para mapear consequências reais e alternativas sustentáveis para a realização de eventos no município.